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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O que é a Pediatria da Adolescência?

Apesar de tradicionalmente ligada apenas a bebés e crianças, a Pediatria é uma especialidade médica que abrange também os adolescentes, até aos 18 anos de idade.
Actualmente discute-se muito a Medicina da Adolescência, sendo já parte integrante de grande parte dos Serviços de Pediatria dos nossos hospitais. Dela fazem parte todas as questões tradicionais, tais como o crescimento, a vigilância do peso e o registo da tensão arterial, entre outros, mas também todas as particularidades desta faixa etária (desenvolvimento pubertário, educação sexual, tabaco, drogas, ...).
Penso que esta é uma área que é novidade para uma parte significativa da nossa população, mas hoje em dia todas as crianças e jovens com menos de 18 anos de idade são atendidos nos Serviços de Pediatria no nosso país.
A Medicina da Adolescêcia é, no meu entender, uma parte fundamental da Pediatria e que pode melhorar claramente a saúde e bem-estar dos nossos jovens, que passam a dispôr de mais um acompanhamento para essa fase atribulada da vida de qualquer pessoa: a transição de criança para adulto!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 4-5 anos

Por volta dos 4-5 anos, os sinais de alarme a ter em atenção são:
  • "Hiperactividade", distracção fácil, dificuldade na concentração
  • Linguagem incompreensível; gaguez
  • Estrabismo ou suspeita de défice visual
  • Alterações do comportamento

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 24 meses

Com esta idade, os sinais de alarme a ter em atenção são os seguintes:
  • Não anda
  • Deita os objectos fora
  • Não constrói nada
  • Não parece compreender o que se lhe diz
  • Não se entende nenhuma palavra que diz
  • Não se interessa pelo que está em seu redor; não estabelece contacto
  • Não procura imitar
  • Estrabismo

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 18 meses

Para esta idade, os sinais de alarme a considerar são:
  • Não se põe de pé; não suporta o peso sobre as pernas
  • Anda sempre nas pontas dos pés
  • Assimetrias
  • Não pega em nenhum objecto entre o indicador e o polegar
  • Não responde quando o chamam
  • Não vocaliza espontaneamente
  • Não se interessa pelo que o rodeia; não estabelece contacto
  • Deita os objectos fora ou explora-os sistematicamente com a boca
  • Estrabismo

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 12 meses

Por volta do ano de idade, os sinais de alarme a considerar são os seguintes:
  • Não aguenta o peso nas pernas
  • Permanece imóvel, não muda de posição
  • Assimetrias
  • Não pega nos brinquedos ou utiliza apenas uma mão
  • Não responde à voz
  • Não brinca nem estabelece contacto
  • Não mastiga

sábado, 24 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!!!

Queria desejar a todos os que visitam este blogue um óptimo Natal, repleto de boas surpresas e, acima de tudo, muita saúde!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 9 meses

Nesta idade, os sinais de alarme a ter em atenção são os seguintes:
  • Não se senta
  • Permanece imóvel, não procura mudar de posição
  • Assimetrias
  • Sem preensão palmar; não leva objectos à boca
  • Não reage aos sons
  • Vocalização monótona ou ausente
  • Apático, sem relação com os familiares
  • Engasga-se com muita facilidade
  • Estrabismo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 6 meses

Com esta idade, os bebé valorizam muito a interacção e torna-se mais fácil começar a detectar alguns problemas de desenvolvimento.
Os sinais de alarme para esta faixa etária são os seguintes:
  • Ausência de controlo da cabeça
  • Membros rígidos
  • Não olha nem pega em qualquer objecto
  • Assimetrias
  • Não reage aos sons
  • Não palra
  • Desinteresse pela ambiente
  • Irritabilidade
  • Estrabismo (trocar os olhos) constante

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 3 meses

Com esta idade o seu filhote é já capaz de estabelecer alguma interacção e as pistas sobre o seu desenvolvimento começam a tornar-se mais evidentes.
Alguns sinais de alarme para esta idade são os seguintes:
  • Não fixa nem segue objectos
  • Não sorri
  • Não há qualquer controlo da cabeça
  • Mãos sempre fechadas
  • Membros rígidos em repouso
  • Sobressalto ao menor ruído
  • Chora e grita quando se toca
  • Pobreza de movimentos

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - 1º mês

Nesta idade as pistas sobre o desenvolvimento são apenas muito subtis, pelo que é importante um elevado índice de suspeita para pensar nesse tipo de problemas.
Aqui ficam alguns sinais de alarme:
  • Ausência de tentativa de controlo da cabeça, na posição sentado
  • Aumento ou diminuição do tónus muscular na posição de pé
  • Nunca segue a face humana
  • Não reage ao som
  • Não se mantém alerta, nem por breves períodos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sinais de alarme - o que são?

Na nossa prática clínica, há um conjunto de etapas do desenvolvimento que devem ser cumpridas em determinadas idades e que constituem os chamados sinais de alarme.
Apesar de nehum deles ter significado isoladamente, sempre que se observam devem alertar o Pediatra para algo que possa não estar a correr muito bem, particularmente se se verificar mais de um sinal de alarme na mesma altura.
Os posts seguintes pretendem listar alguns desses sinais, mas quero ressalvar que, se o seu filho apresentar algum deles, isso não significa linearmente que tem problemas. Deve apenas discutir essa questão com o médico assistente, para que ele lhe possa esclarecer qual o significado...

domingo, 18 de dezembro de 2011

O que significam os percentis?

O crescimento das crianças é actualmente definido em curvas de percentis, que muitas vezes são mal interpretados, causando grandes ansiedades aos pais.
O primeiro aspecto a clarificar é o que significam os percentis. São apenas medidas estatísticas que nos dizem qual a percentagem da população que tem um valor igual ou inferior.
Assim, partindo do princípio que uma criança tem um peso no percentil 25, isto não quer dizer que ela tem pouco peso, porque está abaixo do percentil 50. A única coisa que podemos concluir é que 25% da população de crianças saudáveis com aquela idade tem um peso igual ou inferior ao dessa criança.
O aspecto mais importante relacionado com as curvas de percentis é a evolução dos valores ao longo do tempo, ou seja, se os valores todos fazem uma curva semelhante à do gráfico. Um valor isolado dá muito pouca informação para tirar conclusões...
Deste modo, o percentil 10 não é pior do que o 50, tal como o 90 não é melhor ainda, pois são apenas medidas estatísticas. Dizer que uma criança é baixa ou magra só porque tem um percentil inferior ao 50 é muitas vezes um erro e é fundamental passar esta mensagem.
Apesar de o mais comum ser quantificar em termos de percentis apenas o peso, comprimento e perímetro cefálico, quase tudo se pode avaliar dessa forma. Alguns exemplos incluem: tensão arterial, índice de massa corporal, envergadura, tamanho do pénis, perímetro abdominal, ...
Se o seu filho apresenta uma descida nos seus percentis ao longo do tempo, vale a pena discutir esse assunto com o médico assistente. Na maior parte das vezes não terá grande significado, particularemente se só descer um percentil, mas se a criança cruzar 2 percentis (passar do percentil 75 do peso para o 10, por exemplo) é preciso mais cuidado na abordagem, porque nesses casos já pode fazer falta fazer algum tipo de investigação. Se não perguntar ao médico, vai ficar a pensar nisso eternamente, o que não é benéfico para si, para o médico e muito menos para o seu filho!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pais portugueses são os que dedicam mais tempo a brincar com os filhos

Numa altura em que todos os rankings e estudos nos colocam sistematicamente no "fundo da tabela" em tudo, aqui está uma notícia que nos deve orgulhar. A repercussão disto vai-se sentir daqui a alguns anos, portanto parabéns a todos os que contribuem para esta estatística!
Consulte a notícia na íntegra no seguinte link:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O que é um sopro cardíaco?

Dizer a uns pais que o seu filho tem um "sopro no coração" é sempre difícil, pois essa expressão é algo bastante assustador.
No entanto, um sopro não é mais do que um barulho que se ouve durante a auscultação e que, na maior parte dos casos em pediatria, não tem nenhum tipo de significado. De qualquer forma, a única maneira 100% certa de perceber se há algum problema de coração é realizando um ecocardiograma.
Existem diversas causas para surgir um sopro, tais como:
1 - sangue a passar em orifícios naturalmente estreitos
2 - sangue a passar em orifício anormalmente estreitos
3 - sangue a passar por orifícios anormais, que não deveriam existir
4 - sangue a refluir pelas válvulas cardíacas, que não encerram bem
Posto isto, vou falar apenas um pouco do chamado sopro inocente, pois todos os outros dizem respeito a situações de alteração da estrutura cardíaca e que devem ser sempre orientadas por Cardiologista Pediátrico.
O sopro inocente é, como o próprio nome indica, um barulho que se ouve na auscultação mas que tem por base um coração perfeitamente normal. Não é um verdadeiro "problema" (muito menos um "problema de coração"), pois trata-se apenas de um barulho. Não implica nenhum tipo de vigilância por Cardiologia, restrição de esforços ou outra medida qualquer, nem justifica nenhum tipo de falta de ar ou cansaço.
Assim, se o seu filho tem um "sopro inocente", deve apenas saber que ele se vai ouvir mais em situações em que o coração bate mais depressa (exercício físico, choro, febre, ...), pelo que é importante perceber que nas situações de doença ele vai ficar mais audível. De resto, deve ter uma vida igual à de todas as outras crianças.
Geralmente há alguns sinais que tornam menos provável que um sopro seja "inocente", tais como:
- idade muito precoce de surgimento
- cansaço exagerado nas mamadas ou com o exercício fisico
- cor arroxeada junto à boca nas situações de maior gasto energético
Em qualquer destas situações, deve falar com o médico assistente do seu filho, para ouvir a opinião dele.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Como escolher o carrinho do bebé?

A escolha do carrinho do bebé é sempre um marco na preparação da maternidade / paternidade.
Geralmente os pais gostam de ver vários modelos e depois escolhem tendo em conta apenas 3 aspectos:
- estética
- preço
- tamanho
Se me perguntarem a minha opinião, apenas acrescentaria mais 2 pontos, um no topo da lista e outro no fim, respectivamente:
1 - segurança / cumprimento das normas europeias
2 - facilidade em montar e desmontar
Relativamente ao primeiro, penso que este é o mais importante aspecto de todos. Assim, é fundamental comprar este tipo de artigos em lojas ou hipermercados certificados e pedir sempre que lhe mostrem o autocolante com a homologação europeia dos produtos, pois não é permitido por lei que eles sejam vendidos sem essa informação.
Quanto ao segundo, acho que vale a pena "treinar" na loja, de forma a não ser apanhado de surpresa no momento em que tem que utilizar o carrinho. Mesmo que lhe digam que é fácil, experimente com as suas mãos para ver se se adapta bem...
Por fim, não posso deixar de partilhar a minha experiência pessoal (enquanto pai), quando eu próprio "estudava" os diferentes carrinhos para escolher qual comprar para o meu filho mais velho. Estava eu na internet a ler as diferentes descrições e uma colega minha disse-me o seguinte: "Não percas muito tempo com isso, Hugo, porque não é isso que o vai fazer mais ou menos feliz..." Acho que este é um conselho muito valioso, porque por vezes atribuimos demasiado valor a coisas que não são assim tão importantes.
Claro que o conforto do seu filhote não é exactamente o mesmo em todos os carrinhos, nem a facilidade de condução é igual, mas acho que se garantir a segurança do produto (basta observar a homologação europeia), o resto é mais supérfluo...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que é a alergia às proteínas do leite de vaca?

A alergia às proteínas do leite é o resultado de uma reacção exagerada do sistema imunitário do bebé ao contacto com essas proteínas, que o organismo reconhece como "estranhas".
É a alergia alimentar mais frequente no primeiro ano de vida e pode manifestar-se de diversas maneiras, tais como: má evolução de peso, manchas na pele (eczema atópico), sangue nas fezes, diarreia persistente ou mal-estar após as mamadas, entre outros.
Geralmente surge após contacto do bebé com um leite diferente do leite materno, embora em casos raros possa também surgir em crianças exclusivamente amamentadas ao peito.
De um modo geral esta é uma situação transitória, sendo que mais de 80% das crianças ficam curadas nos primeiros 5 anos de vida (a maioria resolve em alguns meses).
trata-se evitando completamente todos os alimentos que contenham produtos lácteos (leites, papas, iogurtes, algumas bolachas, ...), excepto os leites especiais de tratamento destas situações (ver post sobre leites adaptados). Na maior parte das vezes faz-se uma prova de provocação oral após 6 meses da evicção total (deve ser feita em ambiente hospitalar), na qual é dada uma quantidade progressivamente crescente de leite à criança, para ver se não faz reacção.
A alergia às proteínas do leite de vaca não deve ser confundida com intolerância à lactose, sendo que esta diz respeito a uma incapacidade do intestino de digerir o açúcar presente no leite (lactose). Embora por vezes os sintomas possam ser semelhantes, trata-se de duas situações completamente distintas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quando é que se sabe qual é a cor dos olhos de um bebé?

Esta é uma questão muito frequente nas consultas de Pediatria.
No entanto, não há nenhuma resposta concreta que se consiga dar, porque ninguém sabe ao certo porque é que a cor dos olhos muda desde o nascimento. Em média, ela define-se até aos 4-6 meses, embora haja casos que demoram mais um pouco. Há inclusivamente um dito popular que diz que os olhos só adquirem a cor final quando a mãe deixar de amamentar o bebé, embora esta afirmação não tenha nenhum tipo de fundamento científico...
A cor final depende essencialmente da informação genética que o bebé possui, pelo que não há nada que se possa fazer para a alterar. O único aspecto que é mais certo é que os olhos podem ficar mais escuros e até alterar a sua cor (mais verdes ou mais castanhos), mas não ficam mais azuis.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que são convulsões febris?

As convulsões febris são geralmente fonte de grande ansiedade para os pais, principalmente pelo "aparato" que provocam quando surgem.

Trata-se de uma situação bastante frequente em Pediatria e que surge habitualmente entre os 6 meses e os 6 anos de idade. São causadas por uma relativa imaturidade cerebral para lidar com a situação de febre e, na grande maioria dos casos, não acarretam nenhum problema para as crianças, nomeadamente lesões cerebrais ou atraso mental.

Geralmente têm uma curta duração (inferor a 15 minutos) e podem manifestar-se de maneiras muito diversas, tais como:
  • Movimentos bruscos e repetidos dos braços e pernas, como sacudidelas ou tremores
  • Rigidez de parte ou de todo o corpo
  • Olhar fixo e parado
  • Perda de consciência
  • Cor "arroxeada"
  • Movimentos de mastigação e salivação
  • Emissão  de espuma pela boca
  • Perda de urina e fezes
É importante relembrar que depois de uma convulsão febril, há um risco aumentado de recorrência em novas situações de febre. Também as crianças cujos pais tiveram convulsões febris na infância têm maior probabilidade de as apresentar.

Perante uma situação destas, é importante esclarecer o que deve ser feito:
  1. Deitar a criança no chão ou num lugar de onde não possa cair
  2. Retirar qualquer objecto que ela tenha na boca e que seja visível (não retirar nada "às cegas", porque pode empurrar e obstruir a via aérea)
  3. Não colocar nada na boca da criança para que não trinque a língua, tal como dedos, colheres ou outro tipo de objectos (aumenta o risco de asfixia)
  4. Despir a roupa e colocá-la de lado
  5. Pegar no medicamente específico destas situações (Stesolid)
  6. Colocar a criança de barriga para cima e dobrar as pernas sobre a barriga
  7. Introduzir a cânula do Stesolid no ânus e esvaziar o seu conteúdo dentro do recto (não páre de comprimir a bisnaga até retirar completamente a cânula do ânus)
  8. Manter as nádegas apertadas durante 1-2 minutos para evitar a saída do medicamento
  9. Se tiver febre, dar medicação (supositório)
  10. Colocar a criança de lado e mantê-la num ambiente tranquilo
Após a convulsão, deve procurar ajuda médica sempre que não saiba a causa da febre, quando a convulsão durar mais de 10 minutos, mesmo com aplicação correcta da medicação e sempre que surgir uma convulsão fora do contexto de febre.
As crianças com convulsões febris devem ter uma vida perfeitamente normal, podendo ir à escola e praticar todo o tipo de desporto. A educadora / professora do seu filho deve ser informada da atitude a tomar em caso de convulsão febril e a escola deve ter a bisnaga de Stesolid disponível e supositórios para a febre. Se tal não acontecer, coloque essas medicações na mochila do seu filhote.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Em caso de acidente, o que fazer?

Tenha sempre junto do telefone e no telemóvel os números de emergência que lhe podem ser úteis (112, centro de intoxicações, hospital local). Se possível, frequente um curso de primeiros socorros que inclua suporte básico de vida (reanimação), pois são gestos que podem salvar uma vida.

Nota prática:
Apesar de todos os conselhos que vou escrevendo no blogue, é importante frisar que criar um ambiente seguro não significa "fechar o bebé a sete chaves" ou mantê-lo numa "redoma". Os bebés têm que se desenvolver e explorar o mundo que os rodeia, pelo que se deve encontrar um equilíbrio saudável entre curiosidade e segurança.
Sempre que houver mais de uma maneira possível de tornar o ambiente do seu filho mais seguro, escolha aquela que lhe der mais liberdade de movimentos.
Não se esqueça que para uma criança todas as coisas são brinquedos e tudo é brincadeira, pelo que é importante adaptar o ambiente de forma a permitir que isso possa ser verdade.

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Como prevenir os acidentes - 9-12 meses

É nesta faixa etária que a maior parte das crianças aprende a deslocar-se por si (gatinhar, andar, arrastar-se, ...), pelo que o risco de acidentes aumenta drasticamente.
Há coisas que julga que o seu filho não é capaz de fazer, mas que ele faz com grande facilidade, como puxar uma toalha de mesa ou o fio do ferro de engomar ou ainda alcançar objectos em cima de uma bancada, portanto "todo o cuidado é pouco".

Esmagamento
Deve fixar as estantes, prateleiras e armários à parede, para que não tombem sobre o seu filho caso ele tente alcançá-los ou usá-los como apoio para se pôr de pé.
Certifique-se que a televisão e outros objectos pesados estão colocados sobre móveis baixos e estáveis e que todos os fios eléctricos estão enrolados e escondidos. Coloque travões nas gavetas mais pesadas e, principalmente, naquelas que possam ter objectos mais perigosos.

Quedas e colisões
Afaste móveis com arestas ou use protectores e evite espaços atravancados com mobiliários e objectos.
Guarde objectos cortantes ou quebráveis em locais altos ou trancados.

Queimaduras
Pode ser aconselhável colocar cancelas à entrada das divisões mais "perigosas" da casa, particularmente da cozinha. Neste local, tenha particular atenção ao fogão (deve utilizar preferencialmente os bicos de trás ou colocar as pegas das panelas voltadas para trás) e ao forno. Antes de começar a conzinhar, entregue o bebé a outro adulto ou deixe-o em segurança num local que consiga vigiá-lo facilmente. Nunca cozinhe com o seu filho ao colo!

Intoxicações
Sempre que comprar produtos tóxicos ou corrosivos, deve escolher os que possuem tampa de segurança e só deve guardar em casa aqueles de que necessita verdadeiramente.
Mantenha sempre os medicamentos, produtos químicos e de limpeza em armários altos e trancados, bem rotulados e bem fechados, fora do alcance e olhar das crianças. Não os arrume junto dos alimentos nem mude os produtos de embalagem ou os guarde em garrafas de bebidas.
Tenha sempre à mão o número do Centro de Intoxicações  (808 250 143) e ligue de imediato se o seu filho ingerir algum produto que não devia. Tenha consigo a embalagem do produto.

Asfixia
Não dê ao seu filho alimentos duros e lisos, como amendoins e outros frutos secos, castanhas, tremoços ou frutas com caroço, bem como gomas, smarties, chupas ou rebuçados. Deve manter estes cuidados até aos 4-5 anos.

Afogamento
Não deixe banheiras, alguidares, baldes ou piscinas insufláveis com água dentro de casa ou no quintal. Para as suas férias, escolha locais com piscina vedada. Perto de locais com água mantenha uma vigilância muito apertada e focada no seu filho e esteja sempre preparado para agir se ele se atrapalhar. Coloque braçadeiras (atenção, que algumas braçadeiras de brincar não são seguras!) ou coletes a todas as crianças que ainda não saibam nadar.

Automóvel
Nunca utilize uma cadeira voltada para a frente antes dos 18 meses e, idealmente, antes dos 3-4 anos. Se tiver dúvidas sobre este tema, consulte a APSI (www.apsi.org.pt).
Não deve deixar nunca o seu filho sozinho no carro, nem por breves instantes!

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.




domingo, 20 de novembro de 2011

Como prevenir os acidentes - 6º mês

Embora o seu filhote ainda não se desloque sozinho, chegou a altura de começar a preparar a casa para os tempos futuros.
Comece por dar uma volta "de gatas" na sua casa, porque assim vê tudo à altura do seu fiho e pode aperceber-se mais facilmente dos perigos existentes.
Pessoalmente, acho boa ideia comprar um "parque" e habituar o seu filho a brincar lá dentro, para não o encarar como um castigo ou algo semelhante. Só assim é que ele vai aceitar ficar lá quando já souber gatinhar ou andar...

Choques eléctricos
O ideal é ter na sua casa tomadas com protecção já incorporada mas, se tal não for possível, deve colocar protectores próprios para esse efeito (e não colocar objectos à frente para o bebé não chegar). Não se esqueça de proteger também as fichas triplas e as extensões, bem como verificar regularmente se não tem nenhum fio descarnado. Deve ainda eliminar todos os fios eléctricos soltos.

Asfixia
Tenha em atenção todos os objectos pequenos que possam existir em casa, tais como botões, brincos, clips, etc. Se houver alguma criança mais velha em casa, não se esqueça também de supervisionar os brinquedos dela, bem como balões, sacos de plástico e pilhas.

Queimaduras
Deve proteger as lareiras e fornos e afastar todos os aquecedores e outras fontes de calor das zonas de passagem.

Quedas
Se tem escadas em casa, o primeiro passo é colocar cancelas em cima e em baixo que cumpram as normas de segurança. A cancela colocada na parte de cima deve ser fixada à parede ou outra estrutura com parafusos, de forma a ser capaz de conter um impacto sem permitir a queda pelas escadas abaixo.
Todas as janelas e portas de acesso a varandas, terraços ou zonas exteriores devem ser protegidas com cancelas ou fechos de segurança. Para arejar a casa, bloqueie as janelas com um limitador de abertura, de forma a que não abra mais do que 9 a 10 cm.
Verifique se as guardas/protecções das escadas, varandas e terraços não são fáceis de trepar, se têm pelo menos 110cm de altura e se não têm aberturas superiores a 9-10cm. O ideal é que elas não contenham barras horizontais, pois facilmente as crianças aprendem a trepá-las.
Os andarilhos (voadores ou aranhas) são altamente desaconselhados e, no meu entender, não deveriam sequer ser comercializados, pelo que não os deve comprar (ver post sobre este assunto).
Sempre que o bebé estiver sentado na cadeira de comer, não se esqueça de apertar bem os cintos, colocando a faixa entre-pernas. Nunca o deixe sozinho, nem que seja por pouco tempo. Se utilizar uma cadeira alta, confirme que é estável e coloque-a encostada a uma parede, para não cair para trás. As cadeiras de encastrar só devem ser usadas em mesas estáveis, com tampo fixo e sólido que não seja de vidro. Nunca coloque uma cadeira por baixo, pois pode servir para o bebé apoiar os pés para se levantar, correndo o risco de cair.

Queimaduras solares
Os conselhos são os mesmos dos posts anteriores, particularmente em relação ao horário de exposição (evitar o período entre as 11:00 e as 17:00) e o protector solar, que deve ser preferencialmente físico ou mineral.

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Como prevenir os acidentes - 4º mês

Asfixia
Nesta idade (e nos próximos meses) os bebés usam a boca para explorar tudo o que os rodeia. Por esse motivo, deve ter muita cautela ao escolher os brinquedos a que o seu filho tem acesso. Eles devem ser macios, sem arestas, facilmente laváveis e suficientemente grandes para que não possam ser engolidos ou aspirados para os pulmões. Como nota prática, não deve lhe deve dar nada com um tamanho inferior a uma moeda de 2 euros. Deve ainda retirar dos brinquedos todas as partes soltas ou destacáveis, bem como fios compridos.
Não deve colocar nenhum tipo de "adorno" no seu bebé, como por exemplo ganchos, brincos (sem fecho de segurança), pulseiras, colares, anéis ou medalhas presas com alfinetes de dama, porque podem soltar-se e ser introduzidos facilmente na boca.

Afogamento
Nunca deixe o bebé sozinho na banheira, mesmo que tenha pouca água. Basta menos de 1 palmo de água para uma criança se afogar, pelo que nenhuma quantidade é segura. Tenha cuidado com as "cadeiras de banho", porque muitas vezes são instáveis e podem virar-se.

Queimaduras
Tenha atenção à temperatura dos alimentos que dá ao seu filho (leite, sopa ou papa, para aqueles que já tiverem iniciado a diversificação alimentar). Deve misturar tudo muito bem antes de começar a dar ao bebé, para tornar a temperatura mais homogénea. Isto é particularmente importante para os alimentos que forem aquecidos no microondas, pois geralmente os alimentos ficam muito mais quentes do que os recipientes.

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.

Como prevenir os acidentes - 2º mês

Quedas
Mesmo que o seu filhote não se vire, nunca o deixe sozinho numa superfície elevada. Sempre que lhe mudar a fralda, mantenha uma mão em cima dele, para não se mexer muito.
Quando o colocar na cadeirinha, carrinho de passeio ou espreguiçadeira, aperte bem os cintos e ajuste-os sem folga. Não deixe nunca o carrinho de passeio "abandonado" com o seu filho lá dentro, nem que seja por pouco tempo e, sempre que estiver parado, use o travão. Não pendure sacos nem bolsas nas pegas do carrinho, porque podem fazer com que ele caia para trás. Não desça escadas com o carrinho - use sempre o elevador ou rampas.

Queimaduras
Os cuidados a ter são os mesmos do post anterior, sobre os acidentes no 1º mês de vida.
Em relação às queimaduras solares, é fundamental não se esquecer que a pele dos bebés é extremamente sensível aos raios solares, mesmo estando à sombra. Nesta idade, o bebé não deve ainda ir à praia ou a locais muito expostos ao sol. De qualquer forma, deve usar sempre protector solar com um elevado factor de protecção e com filtros 100% físicos ou minerais (não utilize protectores com filtros químicos).
Para passear ao ar livre, escolha preferencialmente o início da manhã (até às 11:00) ou o fim da tarde (a partir das 17:00), particularmente na Primavera e no Verão. Coloque sempre um chapéu ao seu filho e vista-lhe roupas que cubram bem o corpo, incluindo braços e pernas.

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Como prevenir os acidentes - 1º mês

A chegada de um bebé a uma casa implica sempre uma atenção redobrada aos possíveis riscos existentes.
Assim, é fundamental criar rotinas para prevenir os acidentes, pois está provado que mais de 70% deles são perfeitamente evitáveis.
Com este post e os seguintes, pretendo dar algumas dicas para promover um ambiente mais seguro para o seu filhote...

Quedas
Sempre que colocar o seu filho na cadeirinha ou espreguiçadeira, deve automaticamente apertar os cintos e ajustá-los sem deixar folga. Deve também colocá-lo no chão, evitando os locais altos.
Sempre que o deitar em alguma superfície elevada, é absolutamente proibido deixá-lo sozinho, nem que seja "apenas por 1 segundo", pois pode ser o suficiente para o bebé cair. Isto é válido para todas as idades, mesmo antes de ele aprender a rebolar...
Antes de mudar a fralda ou dar banho, tenha tudo o que precisa à mão para evitar ter que se deslocar durante o processo. Se mesmo assim necessitar de ir buscar alguma coisa, leve o seu filho ao colo ou coloque-o deitado no chão.
Apenas adultos podem pegar em bebés, portanto não deixe que outras crianças peguem no seu filhote, mesmo que pareçam muito "ajuizadas".

Asfixia
Os bebés devem dormir de costas, salvo contra-indicação médica (ver post sobre Prevenção da Morte Súbita). Quando o deitar, deve elevar ligeiramente a cabeceira da cama (até 30º) e encostar os pés dele ao fundo da cama, para evitar que escorregue. Utilize cobertores leves e coloque-os até à altura das axilas, sem cobrir a cabeça e prendendo-os bem de lado. Dentro da cama não deve colocar nenhum objecto, tal como almofadas, brinquedos, fraldas, etc.
A cama deve ser estável e sólida. As grades devem ter, no mínimo, 60cm de altura e não devem ter um espaço superior a 6cm entre elas (escolha um modelo que cumpra as normas europeias). O colchão deve ser firme e bem adaptado ao tamanho da cama, para não ter folgas. Se colocar uma protecção almofadada por dentro da cama, deve prendê-la bem às grades, de forma a não cair sobre o bebé nem permitir que ele coloque  a cabeça por baixo. Se a grade for de "subir e descer", verifique sempre se o travão ficou bem preso.
Se usar uma alcofa, escolha preferencialmente uma com estrutura rígida e coloque-a no suporte próprio ou no chão. No entanto, sempre que possível deve escolher uma cama em vez da alcofa.

Queimaduras
O primeiro conselho é manter sempre os líquidos quentes (sopa, café, chá, ...) afastados do bebé (nunca beba nada quente com o seu fiho ao colo!).
Ao preparar o banho, deve começar sempre por ligar a água fria e só depois temperar com a quente. Antes de começar a dar banho confirme a temperatura da água com o cotovelo ou com um termómetro.
Quando der um biberão ao seu filho, confirme sempre a temperatura do leite entornando uma gota nas costas da mão. Se tiver sensação de queimadura, arrefeça o leite antes de o dar ao seu bebé.

Transporte no automóvel
O único local onde pode trasnportar o seu filho no automóvel é na cadeirinha ("ovo"). Não deve levá-lo em alcofas (salvo situações particulares de doença), ao colo ou de outra forma qualquer. A cadeirinha deve ser sempre voltada para trás e instalada de acordo com as instruções, de preferência no banco traseiro. Se a colocar no banco da frente, deve assegurar-se que o airbag está desligado, pois em caso contrário o risco de acidentes graves é altíssimo. Nunca tire o bebé da cadeira com o carro em andamento, mesmo que seja num local aparentemente seguro. Se ele estiver a chorar ou tiver fome, estacione primeiro o automóvel e só depois é que pode pegar nele.

Não se esqueça que mais vale prevenir do que remediar!

Texto elaborado com base no programa "Vale a pena crescer em segurança" da APSI.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sangue produzido em laboratório utilizado pela primeira vez numa pessoa

Um grupo de cientistas conseguiu concretizar com sucesso a primeira transfusão de sangue produzido em laboratório. A solução está longe de poder ser utilizada em larga escala em doentes, mas é um passo importante para a medicina.
Leia a notícia na íntegra em:

O que são antibióticos?

Os antibióticos são medicamentos que servem para combater as infecções. No entanto, não devem ser utilizados em todas as situações, porque só são eficazes contra bactérias.
Assim, nas infecções mais frequentes em Pediatria, que são as infecções víricas (ou "viroses") não têm qualquer tipo de utilidade (ver post sobre este assunto).
Hoje em dia debate-se muito o uso indevido de antibióticos, pois eles acarretam algum problemas de gravidade significativa.
O principal é a selecção de bactérias resistentes, que podem depois causar infecções difíceis de combater. Isso acontece porque todos nós temos muitas bactérias no nosso organismo (pele, boca, intestinos, etc) e, ao estarmos em contacto com um antibiótico, vamos matar todas as que lhe são susceptíveis. O problema é que as que são resistentes vão continuar a desenvolver-se e acabam por ocupar os "espaços" das outras bactérias. Assim sendo, vamos estar a  seleccionar apenas aquelas que resistem aos antibióticos, o que acaba por condicionar as "armas" que temos disponíveis para novas infecções.
É por este facto que se deve tentar minimizar o uso de antibióticos, reservando-os apenas para as situações realmente necessárias e tentando utilizar aqueles mais adequados às bactérias que estão a causar a infecção, sem interferir com as outras existentes no organismo (dito por outras palavras, não  se deve tentar matar uma mosca com uma espingarda, porque os danos serão maiores do que os benefícios).
Não se esqueça que na maior parte das vezes em que o seu filho esteja doente não precisará de um antibiótico, mesmo que tenha febre, pelo que este tipo de prescrição deverá estar sempre sujeita a uma avaliação médica cuidadosa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quando devo fazer análises de rotina ao meu filho?

Não há consenso em relação a este tema, embora actualmente se considere que a altura mais indicada será por volta dos 11-13 anos.
Na minha opinião, esta também me parece ser a idade mais adequada, pelo que é a que eu aconselho. Penso que só será necessário antecipar se houver factores de risco para algum tipo de doença, nomeadamente obesidade, alergias, má evolução de peso ou dificuldades alimentares, entre outros.
Acho muito importante desmistificar o conceito de fazer análises "só para ver se está tudo bem" em idades precoces, até porque em grande parte dos casos vamos encontrar alterações que não têm significado nenhum e só vão criar confusão.
É fundamental reforçar a ideia de que o mais importante é ver as crianças, muito mais do que olhar para qualquer tipo de análises, radiografias, ecografias ou outro tipo de exame...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fezes líquidas em bebés amamentados - será normal?

As fezes de um bebé alimentado exclusivamente com leite materno são geralmente líquidas e isso assusta por vezes os pais, pensando tratar-se de uma situação de diarreia.
Na verdade, isso é perfeitamente normal e, por vezes, as fezes apresentam até alguns "grânulos" ou uns "farrapos". Geralmente têm uma cor viva (amarelo, cor de laranja, verde, castanho), sendo de estranhar sempre que apresentem uma cor esbranquiçada, particularmente em bebés com icterícia.
Sendo assim, não é fácil perceber se um bebé amamentado apresenta diarreia ou não, pelo que essa distinção faz-se através da quantidade de fezes que o bebé elimina e não pela sua consistência. Sempre que o número de dejecções aumenta muito comparativamente com o padrão habitual (particularmente em contexto de vómitos e/ou contacto com casos de gastrenterite), deve-se pensar que se pode tratar de uma verdadeira diarreia e procurar aconselhamento médico.
Quando se introduzem outros alimentos (leite adaptado, sopa, papa, ...), as características das fezes mudam, incluindo a sua frequência, consistência, cheiro e cor, aproximando-se progressivamente do aspecto e padrão dos adultos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando é que os bebés começam a ver?

Esta é uma pergunta muito frequente nas consultas de Pediatria.
O primeiro sinal de que um bebé vê é quando ele começa a fixar a cara da mãe quando lhe está a dar de mamar, o que acontece por volta do 1º mês de vida. Ninguém consegue afirmar com certeza "quanto" é que ele vê, mas o que é certo é que ele fixa, portanto é o estímulo visual que o atrai.
Actualmente acredita-se que a visão se adquire de forma progressiva de perto para longe. Primeiro, os bebés têm capacidade para fixar objectos que se localizem a cerca de 20cm e posteriormente vão conseguindo fixar e seguir o que está mais longe.
Apesar de a visão não estar ainda completamente estabelecida, pensa-se que por volta dos 4-6 meses ela esteja já bastante desenvolvida, o que se reflecte na grande capacidade de interacção dos bebés desta idade.
A partir daqui, a visão melhora progressivamente em termos de capacidade de focagem, particularmente ao longe. Vai-se aperceber disso com o interesse que o seu filho vai demonstrando para os estímulos que estão cada vez mais longe...

sábado, 29 de outubro de 2011

Quando devo tirar as fraldas ao meu filho?

O momento de tirar as fraldas gera sempre alguma ansiedade aos pais, mas o objectivo é que não o faça às crianças.
O primeiro aspecto a ter em conta é que a capacidade de controlar a emissão de urina e fezes depende da maturidade neurológica da criança. Estima-se que, em média, isso só aconteça por volta dos 2 anos, pelo que não é muito lógico tentar tirar as fraldas antes dessa idade (salvo algumas excepções).
Contudo, pode começar a treinar o seu filhote a sentar-se no pote ou sanita a partir dos 18-20 meses, sempre que lhe trocar a fralda. O objectivo é que ele comece a perceber que é possível controlar a urina e fezes. Aproveite para habituá-lo a ler um livro ou a brincar com bonecos enquanto está sentado, de forma a ganhar algum tempo. Sempre que ele conseguir fazer as suas necessidades no pote deve reforçar positivamente (palmas, elogios, ...), mas quando quiser pôr-se a pé para fazer outra coisa, também não deve forçar, para não ganhar aversão ao pote. Pode ainda habituá-lo a fazer "chichi" na banheira antes de tomar baho, para tentar que ele crie essa rotina e perceba que é capaz de controlar a vontade de urinar.
Vá-lhe explicando sempre o que fazer, como fazer e o que pretende, pois isso ajuda a acalmar o seu filho e a dar-lhe alguma estabilidade. Ajuda também a antecipar alguns problemas que possam surgir - os famosos "acidentes"...

Quando sei qual é o momento?
Essa resposta não é fácil... Muitas vezes é bom aguardar até que a criança verbalize e consiga exprimir por palavras as suas vontades. Muitos pais preferem também esperar pelo tempo mais quente, de forma a tornar mais prática a retirada das fraldas, o que me parece boa ideia. Para além de ser mais fácil lavar e secar a roupa, também o calor faz com que as crianças transpirem mais e produzam menos urina.

Chegou o momento... E agora?
Quando decidir acabar com as fraldas, tem que levar essa decisão até ao fim. Dizer que em determinado dia tem que voltar a colocar fraldas porque vai sair de casa e não quer nenhum "acidente" só gera confusão à criança, que não percebe porque é que às vezes pode urinar sem pedir e nas outras vezes tem que avisar previamente.
Nos primeiros dias em que tirar as fraldas, deve levar o seu filhote à casa de banho de 20-20 ou 30-30 minutos, mesmo que ele lhe diga que não tem vontade. Progressivamente vai aumentando esse intervalo e só mais tarde é que passa a colocá-lo no pote apenas quando ele pedir.

Quanto tempo demora este processo?
Isso é muito variável. O importante é não culpabilizar muito a criança sempre que há algum "acidente", embora deva responsabilizá-la. Há crianças que desde o primeiro dia controlam muito bem, mas há outras que demoram mais tempo. No entanto, é fundamental manter a posição de não voltar a colocar fraldas, senão todo o esforço até aí foi em vão...

Quando devo tirar as fraldas durante a noite?
Esta é também uma questão sem resposta universal. Dificilmente se conseguem tirar as fraldas de dia e de noite ao mesmo tempo, embora isso possa acontecer. Contudo, penso que é melhor opção fazê-lo em duas fases separadas, de forma a não criar muita ansiedade na criança. Quando vir que o seu filhote acorda sistematicamente com a fralda seca de manhã é sinal que chegou a altura de avançar...
Alguns meninos têm muita dificuldade em controlar a urina durante a noite. Essa situação chama-se enurese nocturna e é muitas vezes fonte de conflitos entre pais e filhos. Requer ajuda médica se se prolongar para além dos 5 anos de idade, pelo que deve contactar o seu médico assistente se isso acontecer, Até essa idade, é aceitável que não haja um controlo completo.

Todas as etapas do desenvolvimento geram algum stress, mas penso que deve ser função dos profissionais de saúde que lidam com crianças tentar minimizá-lo. Assim, aproveite todas as fases do seu filhote, pois são momentos únicos que não se repetem. Não perca muito tempo em zangas inúteis, pois pode acreditar que se o seu filhote não consegue controlar os esfíncteres a 100% não é para o chatear...

Nota prática: De um modo geral, os meninos têm mais dificuldade em tirar as fraldas do que as meninas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Como preparar a entrada para a Escola Primária...

A entrada para a Escola Primária é um marco importante para todas as crianças, mas também para os seus pais. É sempre um fonte de ansiedade e é por isso que se deve tentar antecipar alguns problemas que possam surgir, principalmente ao longo do ano lectivo que precede esse grande acontecimento e durante o qual a criança está num Infantário (pré-escolar). Com este  post não pretendo ser exaustivo, mas apenas abordar 3-4 temas que me parecem os mais pertinentes.
É importante começar a habituar o seu filhote a trabalhar com uma postura correcta e deve incentivá-lo a isso quando ele está a pintar, desenhar, fazer puzzles, etc. Deve tentar que ele não faça essas coisas deitado no chão ou em outras posições menos adequadas, pois quando ele estiver na sala de aula vai ter que "trabalhar" sentado numa cadeira, com as coisas em cima da mesa.
Outro aspecto que considero crucial é a antecipação do insucesso. Este é um verdadeiro problema, pois todos os pais acham que os seus filhos são "os melhores". Eu acho que devem continuar a pensar assim, pois é um sentimento genuíno, mas é importante perceber que nem todos os meninos têm o mesmo rendimento escolar. Convém também não esquecer que as capacidades das crianças não são todas iguais, pelo que massacrar um menino com trabalho só porque ele não atinge o mesmo resultado que o colega do lado é uma violência escusada, na maior parte das vezes. Não quero com isto dizer que não é importante "puxar" pelas crianças mas, como em tudo, é preciso bom-senso...
Não se esqueça de incutir no seu filhote que há regras a cumprir (este é um trabalho que deve começar desde o nascimento). O dia-a-dia da Escola Primária é muito diferente do do Infantário, com rotinas e regras mais rígidas e é importante que as crianças adiram a essa realidade de forma natural.
Por fim, é fundamental que as crianças tenham uma rotina de sono saudável, dormindo as horas de que necessitam. Esse aspecto é ainda mais importante quando os meninos entram para a Escola Primária, pois o esforço intelectual é maior e essa exigência torna necessário que o descanso seja adequado.
Boa sorte!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Os bebés devem usar chupeta?

As opiniões dos profissionais de saúde sobre o uso das chupetas são de todos os tipos, desde os defensores a 100% até aos que as desaconselham completamente. Mais uma vez, nesta questão eu não sou nada radical, pelo que aqui fica a minha opinião...
Existem vários estudos que dizem que a sucção na chupeta possui diversas funções, tais como o facto de ser calmante e confortante. No entanto, há 2 aspectos que me parecem claramente benéficos com o seu uso:
  1. estudos recentes parecem demonstrar que é um factor protector de morte súbita
  2. evita "chuchar" nos dedos, que é um hábito muito mais difícil de largar do que o da chupeta

Os grandes inconvenientes da chupeta são os seguintes:
  1. pode dificultar o aleitamento materno, se for dada ao bebé nos primeiros dias de vida (não o deve fazer até às 2-3 semanas de idade)
  2. aumenta o risco de otite
  3. pode provocar deformidades nos dentes

Assim, em jeito de balanço, acho que a chupeta tem mais benefícios do que prejuízos, pelo que o seu uso deve ser incentivado. No entanto, não é dramático se o seu filho não quiser a chupeta, porque há bebés que simplemente não gostam...

Relativamente ao tipo de chupeta, esta é também uma questão controversa.
Podemos dividi-las quanto ao material de que são feitas em:
  • látex - mais mole e mais deformável; tem como vantagem produzir menos alterações nos dentes e no palato (céu da boca), mas torna-se mais susceptível à degradação pela sucção ou lavagem
  • silicone - mais resistente à esterilização, mas menos às mordeduras
Relativamente à forma, temos os seguintes tipos:
  1. anatómicas ou ortodônticas - provocam menos alterações nos dentes e palato, excepto se utilizadas "de pernas para o ar" (atenção ao modo como coloca a chupeta na boca do seu filho!)
  2. em forma "de gota" - como são de menor tamanho, ocupam menos espaço na boca do bebé
Não há consenso sobre o melhor tipo de chupeta, pelo que eu acho que a mais adequada é aquela a que o bebé se adaptar melhor.

Notas práticas:
Deve substituir a chupeta do seu filho de dois em dois meses ou então sempre que estiver gasta.
As chupetas devem ser esterilizadas até aos 4-6 meses e, a partir daí, devem apenas ser lavadas em água corrente.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O que são as "viroses"?

Se houvesse alguma votação para o diagnóstico que mais deixa os pais irritados, acho que o prémio ia para as famosas "viroses". Existe um consenso quase geral da população que acha que quando um pediatra diz que um menino tem uma "virose", é porque não sabe verdadeiramente qual é o problema.
No entanto, tal não corresponde completamente à verdade...

As "viroses" são infecções provocadas por vírus, que correspondem a mais de 80% do total de infecções em idade pediátrica (particularmente nos primeiros anos de vida). Assim, o que esse nome quer dizer é que a criança tem realmente uma infecção, mas que irá resolver com o passar do tempo, pois é vírica. Ao contrário das infecções provocadas por bactérias, que necessitam de antibiótico, este tipo de infecção não tem nenhum tratamento específico e é por isso que nós tentamos apenas minimizar sintomas. O que cura verdadeiramente as "viroses" é o tempo e a resposta imunológica do organismo...

Podem causar qualquer tipo de sintomas (respiratórios, intestinais, febre, dor de cabeça, ...) e geralmente são bastante contagiosas, pelo que é frequente atingir vários elementos da mesma família.

Salvo algumas excepções, não é possível determinar com exactidão qual o vírus que causa cada infecção e isso é algo que gera alguma ansiedade aos pais. No entanto, tal como referi, o tratamento é sempre o mesmo (melhorar o desconforto dos sintomas), pelo que não é importante o facto de não se saber qual é o vírus responsável.

Espero ter contribuído para desmistificar um bocado este conceito...
É importante frisar que as "viroses" só não têm um nome mais "pomposo", porque existem milhares de vírus diferentes que podem causar o mesmo tipo de sintomas.
Assim, este não é um diagnóstico dado "para despachar", nem é correcto dizer: "isso não é nada, é só uma virose", porque as "viroses" são mesmo doenças e não um rótulo que se atribua porque não se sabe o que a criança tem.