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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!

A todos os leitores e leitoras deste blogue, os meus sinceros desejos de umas Festas muito Felizes!
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O que são hérnias inguinais?

As hérnias são um problema relativamente comum em Pediatria e podem ser de diferentes tipos.
Em relação às hérnias inguinais, elas dizem respeito a uma zona "fragilizada" da parede abdominal, que permite a passagem de intestino para a região inguinal ("virilhas") ou mesmo para dentro do escroto nos meninos. Geralmente é identificada pela detecção de uma tumefacção ("papo") nessa localização, que aumenta de tamanho sempre que o bebé chora ou tosse. Por vezes desaparece espontaneamente, podendo voltar a aparecer a seguir.
Na maior parte das vezes não é dolorosa e o principal risco é a hérnia ficar "estrangulada" e "encarcerada", que se traduz numa tumefacção dura, mais escura e acompanhada de dor. Quando isso acontece, a criança deve ser observada com urgência, pois tem risco de provocar lesões irreversíveis nos intestinos.
Trata-se de uma situação mais frequente nos bebés do sexo masculino (durante o desenvolvimento embrionário os testículos formam-se dentro da barriga e só no fim da gravidez descem, deixando uma zona mais frágil, que pode originar uma hérnia) e prematuros, mas pode surgir em qualquer criança. A observação por um Cirurgião Pediátrico deve ser sempre solicitada quando se identifica uma hérnia inguinal.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O que é uma laringite?

Laringite é a inflamação da laringe, que é a parte do aparelho respiratório que engloba as cordas vocais. Deste modo, torna-se fácil perceber que os sintomas sejam a rouquidão, a tosse “funda” (ou “de cão”), dificuldade respiratória e, eventualmente febre.
A evolução é um pouco arrastada e consiste, em média, no seguinte:
  • febre – pode ser muito elevada, mas responde bem à medicação e as crianças ficam bem dispostas quando estão sem febre; dura 3-5 dias
  • rouquidão – dura também 3-5 dias e não requer nenhum tipo de medicação
  • tosse – dura 2-3 semanas e inicialmente é seca, passando depois a ter expectoração e, por fim, volta a ser seca; também não requer nenhum tipo de tratamento
  • dificuldade respiratória – caracteriza-se por um barulho que as crianças fazem na inspiração (entrada de ar); implica observação médica se for intensa

Geralmente é causada por uma infecção vírica, pelo que não necessita de nenhum tratamento especial, para além do tratamento sintomático. Na maior parte das vezes os sintomas são piores de noite e uma medida muito eficaz para aliviar as crianças é deixá-las respirar ar frio. O frio funciona como um anti-inflamatório ao passar nas cordas vocais, provocando uma melhoria quase imediata de todo o quadro. A maior parte dos pais faz exactamente o contrário, que é sobreaquecer as crianças, o que agrava os sintomas.

domingo, 16 de dezembro de 2012

As "correntes de ar" fazem mal?

Já há algum tempo que não escrevia nada no meu blogue, mas aqui estou eu de novo. Para este regresso, decidi pegar num tem muito controverso, que são as terríveis "correntes de ar"...
Tal como a maior parte das pessoas, eu cresci a ouvir que elas podem ser a causa de (quase) todos os males e que temos que nos proteger delas com todo o empenho, sob pena de nos acontecer algo de muito perigoso.
Quando comecei as minhas incursões na Medicina, sempre me interessei por estes conhecimentos "populares", tentando perceber quais deles é que têm fundamento científico e quais não passam de mitos.
Posto isto, e depois de algumas leituras, a minha opinião é que as "correntes de ar" (que não passam de ar "encanado") não são mais do que um perigo infundado, que se mantém perpetuado de geração em geração, mas que não representa uma ameaça real. Sei que estou a ir contra muitas "verdades" e contra a opinião de muita gente, mas na verdade não há justificação para afirmar algo diferente.
As "correntes de ar" provocam constipações?
Não!
Provocam gripe?
Não!
Provocam otites?
Não!
Provocam pneumonias?
Não!
Não pretendo com este post defender que as crianças devem andar ao frio, nem nada que se pareça. Penso apenas que é importante desmistificar alguns conceitos, pois muitas vezes levam a medos não justificáveis e que se vão perpetuando de forma quase "cultural"...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que é a "zona" (herpes-zoster)?

A infecção por pelo vírus herpes-zoster (também conhecida por "zona") resulta de uma reactivação do vírus da varicela, pelo que é sempre necessário haver uma primeira infecção por este vírus.
As manifestações são as de uma espécie de "varicela localizada", geralmente sobre a área cutânea da resonsabilidade de determinado nervo periférico.
Geralmente trata-se de uma situação benigna, embora as complicações cutâneas sejam semelhantes às da varicela (ver post sobre o assunto). Pode ainda induzir alterações neurológicas dos nervos periféricos, levando a situações de maior sensibilidade dolorosa ou mesmo dor espontânea.
Actualmente existe no mercado uma vacina para a sua prevenção, mas para além disso, não existe nenhuma forma eficaz de prevenir, pois geralmente associa-se a estados (permanentes ou transitórios) de imunodepressão.

sábado, 20 de outubro de 2012

O que são os terrores nocturnos?

Os terrores nocturnos e os pesadelos são muitas vezes encarados como sendo a mesma coisa, mas na verdade são duas entidades bem distintas. Os primeiros surgem mais nas primeiras horas de sono, pois acontecem nos períodos de sono profundo. Os segundos surgem na fase de sono REM (rapid eye movements) e geralmente são mais evidentes na 2ª metade do sono, mais próximo da hora de acordar. Em termos de comportamento, nos terrores nocturnos a crianças acorda logo no início do episódio e fica "inconsolável" até voltar a adormecer de forma abrupta, não se lembrando do que se passou. Já nos pesadelos a criança só acorda depois de iniciar as manifestações, pois o sonho evolui até se tornar suficientemente desagradável para provocar o despertar. Nestes casos, geralmente a criança lembra-se do que estava a sonhar.
Os terrores nocturnos são mais frequentes entre os 4 e os 12 anos de idade, embora possam surgir desde os 18 meses.
Não existe grande forma de prevenção, embora uma boa rotina de sono possa ajudar. Um aspecto importante é tentar evitar a fadiga extrema, pois esta interfere com o sono profundo e pode aumentar o risco de surgirem estes episódios.
Perante uma situação de terror nocturno, a única coisa a fazer é comprovar a segurança da criança, pois ela pode ficar agitada, levantar-se e eventualmente cair da cama. Não vale a pena tentar acordá-la, pois ela está numa fase de sono profundo e não irá ouvir, podendo até ficar mais agitada.

O que é a varicela?

A varicela é uma infecção vírica caracterizada pelo aparecimento de "borbulhas" (caracteristicamente vesículas, com "cabeça de água"), sendo a sua gravidade muito variável. Na esmagadora maiora dos casos trata-se de uma doença benigna, particularmente se apanhada nos primeiros anos de vida. Já na adolescência e na idade adulta o risco de complicações é maior, pelo que é uma boa doença para se apanhar nos primeiros anos de vida. Só surge uma vez na vida, porque a partir daí adquire-se imunidade para a doença, sendo impossível tê-la duas ou mais vezes. O tempo de incubação varia entre 7 e 14 dias e pode inclusivamente ocorrer sem dar sintomas (forma subclínica).
Sempre que surgem os picos de varicela (todos os anos), começam também as questões sobre o “isolamento” das crianças doentes. Pessoalmente, tenho as minhas dúvidas sobre o interesse de evitar o contágio entre crianças, devido ao maior risco se apanharem a doença numa fase mais avançada da vida. Para além disso, mesmo que tal seja feito, é sempre difícil uma prevenção eficaz, porque as pessoas com varicela começam a eliminar o vírus nas gotículas respiratórias cerca de 2 dias antes de iniciarem as manifestações da doença, pelo que quando surgem as manchas na pele, muito provavelmente já contagiaram outras pessoas.
Relativamente à vacinação, neste momento as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria seguem as orientações da Organização Mundial de Saúde, que dizem que as actuais vacinas contra a varicela só devem ser utilizadas na criança se se assegurar uma cobertura vacinal acima dos 85-90%, ou seja, se tivermos uma taxa de vacinação semelhante à do plano nacional de vacinação. Assim, a minha opinião é a de que não se deve vacinar por rotina as crianças, mas pode-se vacinar os adolescentes e adultos susceptíveis, pois isso não altera a chamada "imunidade de grupo". Perante a ausência de uma história de varicela, pode-se fazer a determinação de anticorpos para este vírus nesses indivíduos e, em caso de serem negativos, proceder à sua vacinação.
Quanto ao tratamento, este serve essencialmente para alívio sintomático e compreende um anti-histamínico (para retirar a comichão) e paracetamol para a febre. Existe ainda a possibilidade de utilizar um antivírico (aciclovir), mas aí as opiniões já não são tão consensuais, até porque é eficaz apenas quando administrado nas primeiras 24-48h de doença. A Academia Americana de Pediatria não recomenda a sua administração por rotina, já que os seus efeitos são apenas ligeiros. No entanto, está recomendada a sua utilização nos seguintes casos: a) adolescentes; b) segundos casos na família, porque geralmente têm manifestações mais graves; c) crianças com doenças cardiopulmonares ou cutâneas crónicas; d) crianças a fazer tratamentos prolongados com cortisona (ou derivados), mesmo que sob a forma inalada; e) crianças a fazer tratamento crónico com ácido acetilsalicílico.
Os cuidados a ter com as crianças com varicela dependem muito do estado geral da criança. Se ela estiver bem e sem febre, penso que não precisa de ficar fechada em casa. Os principais cuidados, nesses casos, prendem-se com a tentativa de evitar o contágio de pessoas susceptíveis, nomeadamente grávidas e pessoas com algum tipo de imunodepressão (SIDA, doenças oncológicas, quimioterapia, ...), pelo que não devem frequentar locais fechados onde possam espalhar o vírus. É bom relembrar sempre que as crianças são contagiosas até todas as lesões estarem em crosta.
As principais complicações podem estar associadas a sobre-infecção bacteriana da pele ou então a lesão directa pelo próprio vírus, com infecção do cérebro ou pneumonia. Algumas podem ser graves, mas não há grande forma de as prevenir. Alguns conselhos são o de manter as unhas da criança bem cortadas e não utilizar anti-inflamatórios, nomeadamente o ibuprofeno. De qualquer forma, estas situações são mais frequentes em crianças com défice imunitário, adolescentes e adultos jovens.

domingo, 7 de outubro de 2012

O meu bebé está "amarelo" - será normal?

A cor amarela da pele dos recém-nascidos (icterícia) é muito frequente e, na maior parte das vezes, não tem grande significado.
Deve-se à acumulação de um pigmento (bilirrubina) produzido pelo bebé e que o organismo elimina através do fígado. Quando este é imaturo e ainda não funciona "a 100%", o pigmento acumula-se na pele e na parte branca dos olhos, originando então a icterícia.
O grande risco é que a acumulação de bilirrubina se faça também no cérebro, levando a lesões neurológicas e é por esse motivo que é importante ter alguns aspectos em consideração. Sendo asism, existem alguns sinais de alarme que é importante conhecer:
  • icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida
  • cor "amarela" que aumenta em vez de diminuir (por vezes pode até ficar com uma tonalidade esverdeada)
  • fezes sem cor ou de aspecto esbranquiçado (aspecto muito importante)
  • urina muito escura, com aspecto tipo "coca-cola"
  • bebé muito irritado ou demasiado prostrado
  • bebé que não mama bem
Posto isto, é também fundamental ter a noção de que o aleitamento materno prolonga a icterícia, podendo durar algumas semanas. Nestes casos, geralmente não se nota grande melhoria de dia para dia, porque a evolução é bastante lenta, mas também não é suposto que haja agravamento (volto a relembrar que este é um sinal de alarme).
Existe a noção de que os bebés que estão "amarelinhos" devem apanhar um pouco de sol através da janela, para ajudar a recuperar. Esta recomendação não é baseada em nenhum tipo de evidência científica, até porque os estudos não demonstram grande vantagem, mas no meu entender não há grande inconveniente em fazê-lo, desde que não a exposição solar não seja feita de forma directa nem nas horas de maior radiação.
Outro conselho é o de reforçar a hidratação do bebé, pelo que é importante dar de mamar mais vezes, se possível, pois isso aumenta a produção de urina e consequente eliminação da bilirrubina pelos rins.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como tratar o coto umbilical?

Este é um dos primeiros desafios com que os recém-pais se depreendem e importa esclarecer alguns aspectos.
Nos últimos anos generalizou-se a ideia de que o coto umbilical deve ser desinfectado todos os dias com álcool etílico a 70º e parece-me que está é mesmo a melhor opção. No entanto, recentemente tem vindo a ganhar força a corrente que defende que tal não é necessário e que o coto umbilical não precisa de nenhum cuidado especial, excepto mantê-lo seco. Isto é baseado nalguns estudos que dizem que nos países desenvolvidos, nos quais as condições higieno-sanitárias são boas, não está provado que o risco de infecção diminua com a desinfecção frequente. Apesar de achar uma informação relevante, na minha opinião pessoal também não considero que haja nenhum prejuízo com a aplicação do álcool, pelo que me parece que deve ser essa a atitude a tomar.
Já quando falamos em países em desenvolvimento, está mesmo recomendado fazer a desinfecção diária do coto umbilical, seja com álcool, clorexidina ou outro agente de aplicação local.
Para além de desinfectar, o que é mesmo fundamental é manter o coto seco (pode dobrar a fralda do seu filho, de forma a não tapar essa zona), para permitir que não fique macerado nem infecte.

sábado, 15 de setembro de 2012

O leite de soja é aconselhável para as crianças?

Começando pelo nome, este é incorrecto, pois na verdade não se trata de "leite", mas sim de uma bebida de soja.
Não está indicado em nenhuma situação para bebés com menos de 6 meses e, acima desta idade, apenas é "permitido" em situações restritas:
- opção dos pais, em contexto de dieta estritamente vegetariana
- por questões económicas, em crianças com alergia às proteínas do leite de vaca
Nesses casos, a criança deve sempre manter vigilância para detectar possíveis carências alimentares ou outras alterações.
Isto não quer dizer que as crianças não possam beber de vez em quando "leite" ou comer iogurtes de soja, mas esta não é a melhor opção quando utilizada em substituição dos produtos lácteos em meninos saudáveis, pelo que deve ser evitada.

Enxoval do bebé - o que é mesmo necessário...

A antecipação do nascimento do bebé passa obrigatoriamente pela compra e preparação dos produtos e objectos necessários para esse grande acontecimento.
O grande problema é distinguir o que faz realmente falta daquilo que é supérfluo, portanto vou ver se consigo ajudar.

Imprescindível:
  • fraldas
  • toalhitas (de preferência sem cheiro)
  • óleo de banho (de preferência sem cheiro)
  • corta-unhas ou tesoura de pontas redondas
  • compressas esterilizadas e não esterilizadas
  • banheira ou equivalente
  • babycoque
Opcional:
  • termómetro de banho (pode utilizar o método tradicional do "cotovelo")
  • champô (de preferência sem cheiro)
  • creme hidratante (de preferência sem cheiro)
  • creme para a muda da fralda (ver post sobre este assunto)
  • detergente de bebé ou sabão rosa
  • intercomunicadores
  • bomba para extracção de leite materno
Pode ter de reserva:
  • chupeta
  • biberão
  • leite (informe-se do tipo de leite mais aconselhado; ver post sobre o assunto)
  • soro fisiológico (unidoses)
Penso que não me esqueci de nada...
Quanto ao resto, vão ser tempos de descoberta e adaptação, com pequenas supresas todos os dias.
É esse o gozo de ser pai/mãe!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O meu filho não toma xaropes - o que posso fazer?

Infelizmente não existe nenhuma resposta muito certa para esta questão, mas há alguns conselhos que podem ser discutidos.
O pior que se pode fazer quando uma criança não toma a medicação é tentar dar uma grande quantidade de uma só vez, porque de certeza que vai cuspir grande parte. Assim, é sempre boa opção tentar dar o xarope aos bocadinhos e, para isso, é mais fácil utilizar uma seringa do que uma colher.
Outra opção errada (e talvez a mais frequente) é forçar e aproveitar quando a criança chora para colocar o xarope dentro da boca. Para além de isto aumentar as guerras, corre ainda o risco de fazer com que o líquido entre para os pulmões, o que pode ter algumas consequência para a saúde, pelo que é uma atitude claramente a evitar.
Por vezes consegue-se algum benefício quando se mistura o xarope com algum alimento, mas na maioria dos casos isso só serve para a criança rejeitar essa comida. Parece-me mais eficaz tentar dar alguma coisa de que a criança goste imediatamente a seguir à medicação ou então utilizar a chupeta para ver se ela não cospe, porque pode ser que fique mais "lá dentro".
Outra coisa que deve ter cuidado é não dar imediatamente antes do xarope nenhuma comida de que a criança goste particularmente, porque aí o sabor que estava na boca vai ser distorcido e o seu filho vai cuspir tudo com toda a certeza.
Por fim, o ideal mesmo é tentar "negociar" e premiar sempre que as coisas correrem bem, porque este tipo de educação pela positiva (em vez de castigar quando faz mal) tem geralmente melhores resultados. No entanto, é preciso reforçar a ideia de que há algumas crianças muito difíceis para tomar qualquer tipo de medicação e isso é um problema para o qual não há grande solução até elas crescerem...

Os bebés precisam de cortar as unhas?

Claro que sim.
As unhas nos bebés crescem muito depressa e, se não cortadas regularmente (muitas vezes é necessário cortá-las uma vez por semana), apenas servem para ele se arranhar e magoar.
Pode fazê-lo com um corta-unhas de bebé ou então com uma tesoura, de preferência de pontas redondas. Antigamente dizia-se que se devia cortar as unhas com os dentes, mas isso não é de todo a melhor prática, pois corre o risco de magoar o seu filho e/ou de provocar infecções nos dedos.
Também a ideia de que as unhas dos bebés não devem ser cortadas porque "trava a língua" não tem qualquer fundamento científico e não passa de uma crença popular.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O meu filho tem a boca toda branca - serão "sapinhos"?

É muito frequente os bebés (particularmente os pequeninos) terem uma infecção da boca por fungos, chamada candidíase oral ou então "sapinhos".
Caracteristicamente, esta situação manifesta-se por lesões brancas na língua, lábios, bochechas e/ou gengivas, com o aspecto de leite "coalhado" ou iogurte e que não saem bem se se tentar raspar. Pode causar alguma recusa em comer pelo desconforto, mas não causa febre nem outro tipo de sintomas.
Nestas situações o bebé deve ser observado, pois o tratamento passa por um medicamento anti-fúngico, que só deve ser parado 2 dias depois de ficar bem. Outros cuidados a ter incluem um reforço da esterilização das chupetas e tetinas durante essa período e, no caso das mães estarem a amamentar, pode ter que se aplicar o mesmo medicamento nos mamilos caso eles comecem a ficar inflamados, vermelhos e doridos.
É comum surgirem também umas borbulhas na região do rabinho nesta altura, que geralmente dizem respeito à infecção pelo mesmo fungo e que necessitam de um creme antifúngico.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os bebés podem comer boiões de fruta?

Podem, mas não devem por rotina.
Vou passar a explicar o meu ponto de vista... Hoje em dia é muito frequente o uso de boiões de fruta, porque "é mais prático" ou então porque "os bebés comem melhor". No entanto, há alguns aspectos que me parecem importantes de esclarecer.
O primeiro é o de que a fruta natural é muito mais saudável e é, sem dúvida alguma, a sobremesa ideal para uma alimentação saudável.
Em segundo lugar, parece-me claramente enganoso dizer que esses boiões não têm corantes nem conservantes. Alguém me explica como é que a fruta se conserva esmagada num frasco durante meses sem se adicionar nenhuma substância para a conservar? (é o que vem nos ingredientes descrito como "acidificante")
Em terceiro, gostava de ressalvar que o paladar deve ser educado desde o nascimento e estas frutas processadas têm sempre um sabor pouco diferenciado. Se os bebés se habituam só a comer esses boiões, vão estranhar o sabor de frutas diferentes, como seria de esperar, o que complica bastante a vida aos pais passados uns meses.
Em quarto lugar, é importante não esquecer que também o factor económico me parece relevante, porque apesar de a fruta não ser barata, os boiões são muito mais caros.
Por fim, e aproveitando o facto de estar muito "na moda", também em termos ecológicos é preferível dar fruta às crianças, pois não tem envólucros de plástico ou vidro e tampas metalizadas que têm depois que ser reciclados.
Posto isto, é fácil perceber a minha resposta pronta à pergunta que coloquei. Claro que não sou fundamentalista e reconheço que para uma viagem ou um piquenique é muitas vezes mais prático levar um desses boiões. No entanto, se levar um recipiente pequeno com uma maçã cozida passada ou uma banana e um garfo para a poder esmagar acaba por ser prático na mesma e pode usifruir de fruta natural, que é sempre a melhor opção.

P.S.: Como é lógico, a minha opinião sobre os boiões de sopa e comida é a mesma e não vejo grande utilidade neles.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O meu filho tem 1 ano e ainda não anda - devo preocupar-me?

Há um ditado português que descreve as crianças como "ao ano andante, aos 2 falante" e, apesar de não estar totalmente errado, muitas vezes não espelha completamente o desenvolvimento normal.
Isso deve-se ao facto de a maior parte das crianças não andar com 1 ano de idade, mas sim aos 13, 14, 15 meses. É inclusivamente aceite que o normal é começar a andar até aos 18 meses e só a partir daí se considera atraso na marcha...
Assim, se o seu filho tem menos dessa idade e ainda não anda (e considerando que tem o resto do desenvolvimento normal), penso que pode aguardar pacientemente, pois o tempo vai ajudar a resolver a situação.
Para além disso, acho que não deve ter grande pressa em ver o seu filhote a andar, pois a partir daí acaba-se completamente o sossego...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A partir de que idade é que os bebés podem ir à praia?

Idealmente os bebés não devem ter exposição solar directa até aos 12 meses, pelo que é essa a idade mais consensual quando se fala em levar bebés à praia.
No entanto, o problema da praia não é apenas o sol directo, mas também todas as radiações que reflectem na água e na areia clara, o que torna esse local muito propício a alta concentração de raios ultra-violeta.
Deste modo, é fundamental o protector solar (ver post sobre este assunto), mas também outras medidas que ajudam a minimizar a exposição do seu filho:
  • Evitar as horas de maior intensidade solar (entre as 11:00 e as 16:00)
  • Colocar as crianças o maior tempo possível à sombra, de preferência numa tenda com protecção ultra-violeta
  • Manter o seu filho vestido (pelo menos com t-shirt), com chapéu e, se possível, óculos de sol
Posto isto, não me parece que haja qualquer tipo de benefício em levar crianças com menos de 1 ano para a praia, por muito que os pais gostem...

O meu filho é alérgico aos ácaros. O que posso fazer?

Apesar de serem invisíveis a olho nu, os ácaros estão presentes em todas as casas. Encontram-se de forma abundante em tudo o que acumule pó, particularmente tecidos. Assim, almofadas, colchões, cobertores, mantas, tapetes, peças de roupa e peluches são alguns dos seus locais predilectos.

Conselhos práticos
Uma vez que a cama é a principal fonte de ácaros, há algumas medidas fundamentais:
  • Os lençóis a usar devem ser sempre de algodão e não de flanela nem térmicos
  • Apenas pode utilizar edredões sintéticos; cobertores, mantas ou edredões de penas são proibidos
  • O colchão e a almofada devem ser de espuma ou material sintético e idealmente revestidos por coberturas anti-acaros. Devem ser exposto ao sol todas as semanas e o colchão e o estrado devem ser aspirados uma vez por semana
  • A roupa da cama deve ser lavada pelo menos semanalmente em água quente (> 55ºC)
Há ainda outros conselhos que deve seguir, pois ajudam também a diminuir a quantidade ácaros na sua casa:
  • Ventile a sua casa todos os dias abrindo as janelas
  • Quando a humidade exterior é elevada, deve utilizar um desumidificador
  • O quarto deve ter paredes lisas e laváveis e de preferência não deve ter cortinas nem tapetes
  • Deve manter o quarto o mais vazio possível, evitando todo o tipo de "tralhas" que acumulam pó: peluches, livros, bonecos, ...; uma alternativa é colocar esses objectos em armários fechados com porta
  • Se o seu filho tiver algum peluche preferido deve congelá-lo periodicamente durante a noite (os ácaros não resistem a temperaturas negativas) e lavá-lo semanalmente
  • Não deve limpar o pó com panos secos, vassouras ou espanadores (prefira panos húmidos ou aspiradores)
  • Quando estiver a aspirar a casa, o idela é que o seu filho não esteja presente, pelo menos até passarem 30 minutos
Nos casos mais graves estas medidas podem não ser suficientes, mas aí é sempre importante um acompanhamento médico especializado.

Quantas horas devem dormir os bebés?

É muito frequente ser confrontado com esta pergunta nas consultas de rotina e, apesar de não haver nenhuma regra "estanque", há alguns princípios que é bom ter em conta.
O primeiro é que é muito mais importante a qualidade do que a quantidade de sono. O problema é que a primeira não é fácil de medir de forma objectiva, o que causa sempre alguma insegurança. Uma forma subjectiva de o fazer é observando o comportamento do seu filho, apercebendo-se se apresenta grande irritabilidade ou sonolência durante o dia, pois estes podem ser indícios de que não está a descansar o suficiente.
No entanto, também é bom não esquecer que a maior parte dos bebés tem a vantagem de poder dormir sempre (ou quase sempre) que quiser, o que pode "baralhar" um bocado as contas...
Posto isto, há realmente um número médio de horas de sono que as crianças devem dormir, que é o seguinte:
  • 1ª semana - 16 horas
  • 1-6 meses - 15 horas
  • 1 ano - 14 horas
  • 3-5 anos - 12 horas
  • 10-12 anos - 10 horas
  • > 12 anos - 8-9 horas
Em jeito de conclusão, queria apenas realçar que se o seu filho não dorme exactamente estas horas, mas tem um comportamento tranquilo, penso que não haverá razão para estar muito precocupado/a.
O comportamento das crianças é sempre o melhor indicador do seu bem-estar...

sábado, 2 de junho de 2012

O que é a anorexia fisiológica do 2º ano?

Por volta dos 12 meses (mais ou menos) as crianças passam a comer menos e isso é uma queixa muito frequente nas consultas de Pediatria.
Isto deve-se ao facto de o crescimento a partir do ano de idade ser inferior ao que aconteceu nos primeiros 12 meses, pelo que naturalmente as crianças passam a ter menos necessidades alimentares. Deste modo, eles próprios se "defendem" comendo menos...
Um dos primeiros alimentos em que se nota é o leite (os bebés começam a mamar menos do que faziam previamente) e é até muito frequente os pais acharem que os seus filhos estão a "enjoar". Tal não é verdade e não deve ser motivo para andar a trocar de marcas. Trata-se de uma etapa, tal como muitas outras, que é preciso conhecer para não causar grande preocupação.
Assim, se notar que o seu filho começou a comer menos a partir do ano de vida não se preocupe. Desde que o peso continue a evoluir dentro dos seus valores habituais, trata-se de uma situação normal e passageira.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quanto leite devo dar ao meu filho?

A quantidade de leite que se deve ingerir varia bastante com a idade e peso da criança, particularmente nos primeiros meses de vida.
Assim, até aos 4-6 meses (antes de iniciar a diversificação alimentar) pode-se calcular de forma grosseira a necessidade diária de leite, bastando para isso multiplicar por 150ml o peso da criança em kg. A partir daí, fica calculado o valor para as 24 horas, pelo que a quantidade de leite a dar em cada mamada se obtém dividindo esse valor pelo número de mamadas que a criança costuma realizar.
Como exemplo, suponhamos que temos um bebé com 6kg. A necessidade diária de leite dele será de 900ml (150 x 6). Se ele costumar fazer 5 mamadas por dia, a quantidade de leite por mamada será mais ou menos 180ml (900 / 5).
A partir da diversificação alimentar, deixa de ser possível calcular correctamente a quantidade de leite. Desse modo, o mais prático é considerar que todas as crianças precisam de consumir entre 400 e 500ml de leite ou equivalentes (iogurte, papa, ...). Relembro que cada prato de papa tem o equivalente a 150-200ml de leite e cada iogurte cerca de 100ml.
Por fim, não se esqueça que o consumo reduzido de leite e derivados é prejudicial, mas o seu excesso também o é...

sábado, 26 de maio de 2012

O mais pequeno coração artificial salvou a vida a um bebé de 16 meses

Onze gramas de titânio salvaram a vida de um bebé do sexo masculino, na Itália. O implante do coração artificial no rapaz de 16 meses foi feito há três meses, no hospital Bambino Gesù, em Roma, mas só foi noticiado esta semana.

Leia a notícia na íntegra em:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Devo “puxar para trás” a pele do pénis do meu filho?

Todos nós, homens, guardamos na nossa memória a(s) consulta(s) em que o nosso médico assistente decidia fazer-nos essa “maldade”.
É perfeitamente normal que a pele do pénis dos bebés não "abra" completamente e é até desejável que assim seja, por uma questão de protecção enquanto ele ainda usar fraldas e mesmo um pouco depois (a chamada fimose fisiológica).
Deste modo, actualmente não está recomendado que se faça essa retracção forçada da pele até aos 6 anos de idade, havendo inclusivamente quem recomende que tal não se faça até à puberdade, pois os estímulos hormonais acabam por ajudar a resolver a situação. Claro que até lá deve tentar ir puxando a pele para trás no banho, sempre sem forçar, para proceder a uma higiene adequada. Na maior parte das vezes isso é suficiente e com o tempo a pele acaba por abrir.
Quando se tenta “forçar”, criam-se pequena feridas que ao cicatrizarem vão apertar ainda mais a pele em volta do pénis e, nesses casos, a solução vai mesmo acabar por ser a cirurgia. Sendo assim, o melhor é não o fazer, pois isso é muitas vezes mais prejudicial do que aguardar que o tempo resolva a situação naturalmente.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O meu filho tem o freio da língua curto – o que devo fazer?

A questão do freio lingual curto (“língua presa”) é pouco consensual entre a classe médica (médicos de família, pediatras e cirurgiões pediátricos), mas recentemente foram divulgadas algumas recomendações.
Assim, apesar de geralmente causar alguma confusão aos pais (e muita confusão aos avós…), trata-se de uma situação benigna, que geralmente não requer nenhum tipo de intervenção.
O tratamento é um pequeno “corte” que se faz no freio e trata-se de um procedimento simples com uma taxa muito baixa de complicações. No entanto, só tem indicação se o freio for tão curto que impeça ou dificulte a amamentação ou então, mais tarde, que interfira com a linguagem. Na esmagadora maioria dos casos tal não acontece, pelo que não necessita de correcção, excepto por questões meramente estéticas.

sábado, 19 de maio de 2012

Como devo lavar a roupa do meu bebé?

Para responder a esta questão, vou utilizar os mesmos argumentos que usei quando falei dos cremes.
Sendo assim, o ideal é minimizar a exposição da pele do bebé a químicos estranhos, pelo que será boa ideia usar a menor quantidade possível de produtos e, dentro destes, preferir aqueles mais inócuos.
Antigamente lavava-se a roupa com sabão rosa, que acaba por cumprir esses requisitos. No entanto, o seu cheiro não é o mais agradável e só me parece que haja necessidade de o fazer se o bebé tiver uma pele atópica que responda mal às medidas gerais de hidratação.
Quanto à opção por um detergente de bebé em vez de um detergente normal, aqui já não tenho tanta certeza de que realmente haja uma grande vantagem. Claro que as embalagens dizem que são detergentes hipoalergénicos, comprovados por estudos clínicos, mas tudo isso me parece de um rigor algo questionável. No entanto, tenho que admitir que eu, enquanto pai, também utilizei esse tipo de detergentes para lavar a roupa dos meus filhotes, mesmo que não estando absolutamente convencido a 100%.
Já em relação ao amaciador, a minha posição é mais assertiva. Trata-se de uma adição de químicos pouco necessária, mas muito apreciada pelas mães. Para a maior parte dos bebés isso não tem problema, mas se o seu filho tem pele atópica, deve evitá-lo. Sobre a distinção de amaciadores para bebés em relação aos amaciadores normais, a minha opinião é a mesma que para os detergentes (entre os dois, se calhar o de bebé é melhor, embora não tenha grandes certezas em relação a isso…).
Lembre-se sempre: quanto menos químicos, melhor!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As crianças precisam de tomar desparasitantes?

A utilização dos desparasitantes (ou, como são mais conhecidos, "remédios das bichas") sofreu algumas alterações nos últimos anos.
Isto deve-se às recomendações da Direcção-Geral da Saúde de 2006 que passaram a indicar que não se deve desparasitar por rotina as crianças, ao contrário do que era hábito até então. As indicações para prescrever este tipo de medicamentos prendem-se exclusivamente com 2 situações:
  • criança que contactou (ou contacta) claramente com parasitas
  • criança que apresenta sintomas sugestivos de infecção parasitária
Actualmente pensa-se que o contacto com este tipo de microorganismos pode ser benéfico na prevenção de algumas doenças gastrointestinais e alérgicas, pois parecem ter um efeito positivo na regulação do sistema imunológico intestinal.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quais os melhores sapatos para as crianças aprenderem a andar?

Esta é uma questão que grande parte dos pais coloca nas consultas e que, na minha opinião, é muito pertinente.
Quando as crianças começam a dar os primeiros passos, é importante que o calçado seja adequado, ou seja, que possua 2 características fundamentais:
  1. ter uma sola flexível, de forma a permitir que o pé faça os movimentos correctos de adaptação ao solo
  2. ser reforçado na zona do calcanhar, de forma a dar estabilidade ao pé enquanto a criança anda
Depois de a marcha já estar bem estabelecida (18-24 meses), a questão do reforço do calcanhar torna-se menos importante, mas a flexibilidade e maleabilidade da sola deve manter-se. A partir desta altura, sempre que o seu filho quiser andar descalço deixe-o andar (ou então coloque apenas umas meias antiderrapantes para evitar quedas). Se o fizer, vai ajudar o pé a começar a ganhar as suas "covinhas" naturais, adquirindo a estabilidade fundamental para uma marcha harmoniosa.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Os bebés precisam de usar protector solar?

Sim!
A resposta a esta questão é simples, pois a pele dos bebés é mais fina e sensível do que a dos adultos, pelo que deve sempre ser protegida antes de qualquer exposição solar. Assim, é importante não esquecer que deve usar um protector sempre que o seu filho estiver exposto ao sol e não apenas quando o leva à praia.
Relativamente ao tipo de protector, eles variam  de acordo com os tipos de filtros que utilizam - físicos ou minerais e químicos. As grandes diferenças entre ambos residem num simples facto: os filtros químicos necessitam de ser absorvidos pela pele para se tornarem activos, enquanto os filtros físicos ou minerais ficam à superfície da pele. Em termos cosméticos, os protectores com filtros químicos são mais agradáveis e fáceis de espalhar, enquanto os outros são mais espessos, deixando a pele mais "engordurada" e com uma camada branca de creme.
Geralmente as mães e os pais não gostam desse facto, mas o que é certo é que os bebés pequenos (pelo menos até aos 12 meses e idealmente até aos 2 anos de idade) devem usar protectores com filtros 100% físico ou minerais.
Deste modo, se o seu filho tem menos de 1-2 anos, prefira a segurança da pele dele ao aspecto cosmético e compre um creme mineral, sem fitros químicos. Só assim vai estar a garantir que ele não vai absorver partículas estranhas...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Quando é que as crianças podem começar a comer chocolate?

Ao ler o título deste post, a maior parte das pessoas vão achar estranho um Pediatra aconselhar o consumo de chocolate. Não é isso que eu defendo, nem é claramente essa a mensagem que eu quero passar e penso que isso ficará claro ao terminar de ler este tópico.
É normal que as crianças acabem por contactar com o chocolate em alguma altura da sua vida e, mesmo não sendo um alimento considerado "saudável", muitas vezes passa a ser um alimento "habitual" (é fundamental não esclarecer o conceito de consumo moderado e em pequenas quantidades...), pelo que é importante esclarecer algumas regras.
O chocolate é bastante alergénico, pelo que deve se deve atrasar a sua introdução. Assim, considero que as crianças não devem contactar com esse alimento até aos 2 anos, ressalvando que mesmo depois dessa idade este é claramente dispensável e não faz parte de uma alimentação saudável e equilibrada.
No entanto, se a sua decisão enquanto mãe/pai for a de dar chocolate ao seu filho, não o faça nos primeiros 2 anos de vida, pois corre o risco de o sensibilizar e, deste modo, impedir o seu consumo nos anos vindouros...

segunda-feira, 26 de março de 2012

O meu bebé tem manchas na pele desde que nasceu - será normal?

Escrever um post sobre manchas na pele é um desafio, pois não é fácil falar sobre esse tema sem o recurso a imagens, mas foi um tópico sugerido por uma leitora e que eu acho muito pertinente abordar.
Deste modo, vou tentar ser o mais esquemático possível...

Sinais congénitos
A maior parte dos "sinais" surgem durante a infância e adolescência, mas há algumas crianças que já nascem com alguns, os chamados "nevos congénitos". Estes requerem uma avaliação mais cuidada do que os primeiros, particularmente se forem de grandes dimensões. Convem serem observados por um Dermatologista antes da entrada na adolescência (os chamados nevos gigantes implicam uma orientação logo ao nascimento) e o ideal é mesmo fotografá-los logo desde o nascimento para ir controlando o seu aspecto e tamanho. Quanto aos sinais de alarme, são iguais aos dos "sinais" dos adultos: alteração do aspecto, cor heterogéna, bordos irregulares, crescimento rápido, ...

Angiomas
Os angiomas são manchas avermelhadas que surgem na pele e são muito frequentes em Pediatria. Podem estar presentes desde o nascimento ou surgir posteriormente e, em termos de aspecto, podem ser de dois tipos: planos ou elevados.
Geralmente têm tendência a crescer nos primeiros 6 meses e, posteriormente, a maioria tende a ir desaparecendo.
O seu tratamento pode ser através de medicamentos ou técnicas cirúrgicas, mas geralmente deve-se apenas a questões estéticas. Algumas localizações podem ser particularmente problemáticas, tal como as pálpebras, por exemplo.

Mancha violácea ou salmão
Estas manchas localizam-se geralmente entre as sobrancelhas e na região da nuca e estão presentes em mais de 50% das crianças. As manchas da face têm mais tendência a desaparecer mesmo sem tratamento e não  colocam nenhum tipo de problema à criança. Tal como a maioria das "manchas", geralmente ficam mais evidentes nas alturas de calor, choro e febre.

Manchas sem cor
Este tipo de manchas tem vindo a aumentar muito nos últimos tempos, embora não se saiba muito bem a causa. Se o desenvolvimento da criança for normal, não colocam grande questão e a maioria tem tendência a desaparecer. No entanto, as manchas deste tipo que têm forma de folha têm mais probabilidade de se manter e requerem uma vigilância mais cuidada, particularmente em termos de crescimento e surgimento de irregularidades de cor (pequenas "pintinhas" no seu interior).
Tal como os sinais, devem implicar uma observação por Dermatologia antes da adolescência.

Tal como para a maioria dos temas, não pretendo com este post ser muito exaustivo nem substituir as observações médicas que algumas destas situações exigem, mas apenas ajudar a clarificar os casos mis comuns...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Actividade física melhora metabolismo cardíaco das crianças e adolescentes

Mais tempo diário à actividade física melhora a saúde do metabolismo cardíaco, revela um estudo global sobre o impacto da actividade física e do sedentarismo nas crianças e adolescentes, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).


Leia a notícia na íntegra em: 

terça-feira, 6 de março de 2012

O meu filho tem prisão de ventre - o que posso fazer?

A prisão de ventre (ou obstipação) é muito frequente em Pediatria e geralmente causa grande ansiedade aos pais.
Quando as crianças são pequenas e estão a fazer um leite adaptado (em pó), podem escolher um leite com a designação AO (anti-obstipante), que melhora o trânsito intestinal.
Relativamente aos conselhos alimentares, deve tentar fazer o seguinte:
- reduzir a quantidade de batata e cenoura que põe na sopa
- aumentar a quantidade de legumes verdes que coloca na sopa (a sopa deve ser verde e não cor de laranja)
- pode experimentar colocar um pouco de farelo de trigo nos iogurtes, se o seu filho já os comer
- evitar o consumo de banana
- aumentar o consumo de água
Se mesmo com estas medidas o seu filho se mantiver obstipado, penso que deve procurar ajuda médica. Há neste momento uma série de medicamentos aprovados para uso pediátrico, mas que devem ser aconselhados por um médico, de forma a adequá-los a cada situação em concreto.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Até que idade se deve esterilizar os biberões e chupetas?

A questão da esterilização dos biberões e chupetas é antiga, mas recentemente foram apresentados alguns pontos interessantes.
Assim, neste momento as recomendações dizem que não há necessidade de ser efectuada desde que os biberões sejam lavados imediatamente após a sua utilização. Quando tal não é possível, corre-se o risco de haver algum crescimento de bactérias e fungos no leite que fica no biberão, pelo que nessa situação já se deve esterilizar.
Na prática, é comum os pais esterilizarem os biberões nos primeiros tempos de vida e, apesar de não ser absolutamente necessário, é uma prática que não me parece incorrecta. A partir dos 4-6 meses os bebés começam a colocar na boca todos os objectos a que têm acesso, pelo que acaba por não ser muito lógico manter a tendência de esterilizar tudo, até porque tal é verdadeiramente impossível.
Deste modo, pode manter a esterilização até aos 4-6 meses, embora o mais importante seja mesmo lavar os biberões logo a seguir a serem utilizados...

domingo, 4 de março de 2012

Quando posso começar a sentar o meu filho na cadeira de mesa?

Quando os bebés começam a sua diversificação alimentar (introdução de outros alimentos para além do leite), o ideal é que o façam sentados em cadeira própria e não ao colo dos adultos.
Se eles forem muito pequenos, pode usar uma espreguiçadeira ou outra cadeira do género, mas a partir do momento em que o seu filho já se aguentar sentado, pode passar para  a cadeira da papa (ou cadeira de mesa, como vulgarmente se chama). 
Esta mudança não depende de nenhuma idade específica, mas sim do desenvolvimento motor do bebé.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Os xaropes para a tosse são aconselháveis?

Na minha opinião, a resposta a esta pergunta é relativamente simples: não!
Tal como escrevi num post anterior, é fundamental esclarecer que a tosse é um mecanismo de defesa e que, como tal, serve para limpar os nossos pulmões e as vias respiratórias. Assim, não é lógico estarmos a contrariar algo que nos é benéfico...
Claro que os xaropes para a tosse não são todos iguais nem actuam todos da mesma maneira, mas de um modo geral são quase sempre desaconselhados. Como se pode compreender, se uma criança tosse porque tem expectoração, não lhe devemos tirar esse reflexo, porque senão vai acumular as secreções todas nos pulmões. Por outro lado, há também xaropes que não retiram a tosse, mas tornam a expectoração mais líquida. Teoricamente isso faz sentido, porque permite às crianças eliminar as secreções mais facilmente, mas o problema é que as crianças pequenas não o conseguem fazer correctamente e podem acabar por ficar um bocado mais "encharcadas".
Sendo assim, acho que o mais importante é tranquilizar os pais e explicar-lhes que quando os seus filhos tossem é porque estão a tentar eliminar alguma coisa dos pulmões, pelo que devemos deixá-los tossir enquanto precisarem. Para ajudar um bocadinho, deve-se reforçar a ingestão de água, para a expectoração não ficar tão presa e pode também dar-se algum tipo de medicamento que diminua a produção das secreções (anti-histamínicos), porque isso vai acabar por diminuir a própria tosse.
Deste modo, no meu entender não existe vantagem nenhuma em comprar os xaropes para a tosse, até porque para além do que já referi, na maior parte das vezes têm açúcar desnecessário e representam um gasto evitável.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nebulizadores - sim ou não?

Este foi um tema sugerido por uma leitora do blogue e que eu considero extremamente pertinente abordar, até porque hoje em dia está um pouco "na moda" os pais comprarem um nebulizador para fazer os "vapores" em casa aos filhos. 
Como alternativa existem as câmaras expansoras (provavelmente desconhecidas para a maioria das pessoas), mas que também permitem a administração de medicação a nível pulmonar, quando tal é necessário. Sendo assim, penso que é um bom exercício debruçar-me um bocadinho sobre as vantagens e desvantagens de cada um desses aparelhos...
Começando pelo preço, a câmara expansora fica claramente em vantagem, pois custa cerca de um terço dos nebulizadores. Também em relação à eficácia na administração dos medicamentos, os estudos demonstram que a primeira é bastante mais eficaz, tendo ainda como outra vantagem o facto de necessitar de muito menos tempo, o que aumenta a colaboração das crianças (cerca de 1 minuto contra os 20-30 minutos do nebulizador).
A grande vantagem dos nebulizadores é o poderem ser utilizados para tornar as secreções mais líquidas, administrando apenas soro fisiológico, o que não é possível com as câmaras expansoras. Na maior parte das vezes não é preciso administrar medicação, pelo que este aspecto acaba por ter algum significado.
Posto isto (e pesando bem os "prós" e os "contras" de cada um), penso que se tiver que decidir entre estas duas opções, a câmara expansora parece-me ser uma escolha mais vantajosa. No entanto, trata-se sempre de uma escolha pessoal, pois se forem bem utilizados, não existem grandes diferenças entre ambos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Como preparar os leites de bebé (em pó)?

Todos os leites têm instruções na lata sobre como devem ser preparados.
No entanto, a regra é universal: deve-se colocar uma colher rasa (que vem na lata) de pó para cada 30ml de água. Assim, por exemplo, se colocar 120ml de água deve adicionar 4 colheres de pó.
Um cuidado que deve ter é o de colocar sempre primeiro a água, porque isso permite uma preparação mais homogénea. Também a temperatura da água é importante, porque se estiver demasiado quente (a ferver), pode criar grumos no leite ao misturar, o que dificulta a sucção do bebé.
Não deve trocar as colheres de lata, particularmente se forem de marcas e/ou etapas diferentes, porque a densidade do pó não é sempre a mesma, o que faz com que o tamanho da colher também varie.
Estas regras são válidas para todos os tipos de leite, sejam "normais", "AR", HA", hidrolisados ou de outro tipo qualquer.
Posto isto, penso que não terá grandes dúvidas na preparação do leite do seu filho...