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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que é a "zona" (herpes-zoster)?

A infecção por pelo vírus herpes-zoster (também conhecida por "zona") resulta de uma reactivação do vírus da varicela, pelo que é sempre necessário haver uma primeira infecção por este vírus.
As manifestações são as de uma espécie de "varicela localizada", geralmente sobre a área cutânea da resonsabilidade de determinado nervo periférico.
Geralmente trata-se de uma situação benigna, embora as complicações cutâneas sejam semelhantes às da varicela (ver post sobre o assunto). Pode ainda induzir alterações neurológicas dos nervos periféricos, levando a situações de maior sensibilidade dolorosa ou mesmo dor espontânea.
Actualmente existe no mercado uma vacina para a sua prevenção, mas para além disso, não existe nenhuma forma eficaz de prevenir, pois geralmente associa-se a estados (permanentes ou transitórios) de imunodepressão.

sábado, 20 de outubro de 2012

O que são os terrores nocturnos?

Os terrores nocturnos e os pesadelos são muitas vezes encarados como sendo a mesma coisa, mas na verdade são duas entidades bem distintas. Os primeiros surgem mais nas primeiras horas de sono, pois acontecem nos períodos de sono profundo. Os segundos surgem na fase de sono REM (rapid eye movements) e geralmente são mais evidentes na 2ª metade do sono, mais próximo da hora de acordar. Em termos de comportamento, nos terrores nocturnos a crianças acorda logo no início do episódio e fica "inconsolável" até voltar a adormecer de forma abrupta, não se lembrando do que se passou. Já nos pesadelos a criança só acorda depois de iniciar as manifestações, pois o sonho evolui até se tornar suficientemente desagradável para provocar o despertar. Nestes casos, geralmente a criança lembra-se do que estava a sonhar.
Os terrores nocturnos são mais frequentes entre os 4 e os 12 anos de idade, embora possam surgir desde os 18 meses.
Não existe grande forma de prevenção, embora uma boa rotina de sono possa ajudar. Um aspecto importante é tentar evitar a fadiga extrema, pois esta interfere com o sono profundo e pode aumentar o risco de surgirem estes episódios.
Perante uma situação de terror nocturno, a única coisa a fazer é comprovar a segurança da criança, pois ela pode ficar agitada, levantar-se e eventualmente cair da cama. Não vale a pena tentar acordá-la, pois ela está numa fase de sono profundo e não irá ouvir, podendo até ficar mais agitada.

O que é a varicela?

A varicela é uma infecção vírica caracterizada pelo aparecimento de "borbulhas" (caracteristicamente vesículas, com "cabeça de água"), sendo a sua gravidade muito variável. Na esmagadora maiora dos casos trata-se de uma doença benigna, particularmente se apanhada nos primeiros anos de vida. Já na adolescência e na idade adulta o risco de complicações é maior, pelo que é uma boa doença para se apanhar nos primeiros anos de vida. Só surge uma vez na vida, porque a partir daí adquire-se imunidade para a doença, sendo impossível tê-la duas ou mais vezes. O tempo de incubação varia entre 7 e 14 dias e pode inclusivamente ocorrer sem dar sintomas (forma subclínica).
Sempre que surgem os picos de varicela (todos os anos), começam também as questões sobre o “isolamento” das crianças doentes. Pessoalmente, tenho as minhas dúvidas sobre o interesse de evitar o contágio entre crianças, devido ao maior risco se apanharem a doença numa fase mais avançada da vida. Para além disso, mesmo que tal seja feito, é sempre difícil uma prevenção eficaz, porque as pessoas com varicela começam a eliminar o vírus nas gotículas respiratórias cerca de 2 dias antes de iniciarem as manifestações da doença, pelo que quando surgem as manchas na pele, muito provavelmente já contagiaram outras pessoas.
Relativamente à vacinação, neste momento as recomendações da Sociedade Portuguesa de Pediatria seguem as orientações da Organização Mundial de Saúde, que dizem que as actuais vacinas contra a varicela só devem ser utilizadas na criança se se assegurar uma cobertura vacinal acima dos 85-90%, ou seja, se tivermos uma taxa de vacinação semelhante à do plano nacional de vacinação. Assim, a minha opinião é a de que não se deve vacinar por rotina as crianças, mas pode-se vacinar os adolescentes e adultos susceptíveis, pois isso não altera a chamada "imunidade de grupo". Perante a ausência de uma história de varicela, pode-se fazer a determinação de anticorpos para este vírus nesses indivíduos e, em caso de serem negativos, proceder à sua vacinação.
Quanto ao tratamento, este serve essencialmente para alívio sintomático e compreende um anti-histamínico (para retirar a comichão) e paracetamol para a febre. Existe ainda a possibilidade de utilizar um antivírico (aciclovir), mas aí as opiniões já não são tão consensuais, até porque é eficaz apenas quando administrado nas primeiras 24-48h de doença. A Academia Americana de Pediatria não recomenda a sua administração por rotina, já que os seus efeitos são apenas ligeiros. No entanto, está recomendada a sua utilização nos seguintes casos: a) adolescentes; b) segundos casos na família, porque geralmente têm manifestações mais graves; c) crianças com doenças cardiopulmonares ou cutâneas crónicas; d) crianças a fazer tratamentos prolongados com cortisona (ou derivados), mesmo que sob a forma inalada; e) crianças a fazer tratamento crónico com ácido acetilsalicílico.
Os cuidados a ter com as crianças com varicela dependem muito do estado geral da criança. Se ela estiver bem e sem febre, penso que não precisa de ficar fechada em casa. Os principais cuidados, nesses casos, prendem-se com a tentativa de evitar o contágio de pessoas susceptíveis, nomeadamente grávidas e pessoas com algum tipo de imunodepressão (SIDA, doenças oncológicas, quimioterapia, ...), pelo que não devem frequentar locais fechados onde possam espalhar o vírus. É bom relembrar sempre que as crianças são contagiosas até todas as lesões estarem em crosta.
As principais complicações podem estar associadas a sobre-infecção bacteriana da pele ou então a lesão directa pelo próprio vírus, com infecção do cérebro ou pneumonia. Algumas podem ser graves, mas não há grande forma de as prevenir. Alguns conselhos são o de manter as unhas da criança bem cortadas e não utilizar anti-inflamatórios, nomeadamente o ibuprofeno. De qualquer forma, estas situações são mais frequentes em crianças com défice imunitário, adolescentes e adultos jovens.

domingo, 7 de outubro de 2012

O meu bebé está "amarelo" - será normal?

A cor amarela da pele dos recém-nascidos (icterícia) é muito frequente e, na maior parte das vezes, não tem grande significado.
Deve-se à acumulação de um pigmento (bilirrubina) produzido pelo bebé e que o organismo elimina através do fígado. Quando este é imaturo e ainda não funciona "a 100%", o pigmento acumula-se na pele e na parte branca dos olhos, originando então a icterícia.
O grande risco é que a acumulação de bilirrubina se faça também no cérebro, levando a lesões neurológicas e é por esse motivo que é importante ter alguns aspectos em consideração. Sendo asism, existem alguns sinais de alarme que é importante conhecer:
  • icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida
  • cor "amarela" que aumenta em vez de diminuir (por vezes pode até ficar com uma tonalidade esverdeada)
  • fezes sem cor ou de aspecto esbranquiçado (aspecto muito importante)
  • urina muito escura, com aspecto tipo "coca-cola"
  • bebé muito irritado ou demasiado prostrado
  • bebé que não mama bem
Posto isto, é também fundamental ter a noção de que o aleitamento materno prolonga a icterícia, podendo durar algumas semanas. Nestes casos, geralmente não se nota grande melhoria de dia para dia, porque a evolução é bastante lenta, mas também não é suposto que haja agravamento (volto a relembrar que este é um sinal de alarme).
Existe a noção de que os bebés que estão "amarelinhos" devem apanhar um pouco de sol através da janela, para ajudar a recuperar. Esta recomendação não é baseada em nenhum tipo de evidência científica, até porque os estudos não demonstram grande vantagem, mas no meu entender não há grande inconveniente em fazê-lo, desde que não a exposição solar não seja feita de forma directa nem nas horas de maior radiação.
Outro conselho é o de reforçar a hidratação do bebé, pelo que é importante dar de mamar mais vezes, se possível, pois isso aumenta a produção de urina e consequente eliminação da bilirrubina pelos rins.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Como tratar o coto umbilical?

Este é um dos primeiros desafios com que os recém-pais se depreendem e importa esclarecer alguns aspectos.
Nos últimos anos generalizou-se a ideia de que o coto umbilical deve ser desinfectado todos os dias com álcool etílico a 70º e parece-me que está é mesmo a melhor opção. No entanto, recentemente tem vindo a ganhar força a corrente que defende que tal não é necessário e que o coto umbilical não precisa de nenhum cuidado especial, excepto mantê-lo seco. Isto é baseado nalguns estudos que dizem que nos países desenvolvidos, nos quais as condições higieno-sanitárias são boas, não está provado que o risco de infecção diminua com a desinfecção frequente. Apesar de achar uma informação relevante, na minha opinião pessoal também não considero que haja nenhum prejuízo com a aplicação do álcool, pelo que me parece que deve ser essa a atitude a tomar.
Já quando falamos em países em desenvolvimento, está mesmo recomendado fazer a desinfecção diária do coto umbilical, seja com álcool, clorexidina ou outro agente de aplicação local.
Para além de desinfectar, o que é mesmo fundamental é manter o coto seco (pode dobrar a fralda do seu filho, de forma a não tapar essa zona), para permitir que não fique macerado nem infecte.