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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O que é o refluxo gastroesofágico?

Antes de começar a escrever sobre esta situação, acho que é importante explicar um pouco como é a nossa anatomia normal. Depois de engolirmos, os alimentos passam da boca para um "tubo" muscular que se chama esófago. Daí, vão para o o estômago, que é uma espécie de "bolsa" (também ela revestida por músculos) onde os alimentos são digeridos e processados. Geralmente a passagem dos alimentos faz-se apenas neste sentido e depois prossegue para o intestino, mas há situações em que as coisas não acontecem exactamente assim e uma delas chama-se refluxo gastroesofágico.
Na maior parte dos casos, esta condição deve-se à imaturidade muscular própria da idade e não acarreta grandes complicações. O que acontece é que o conteúdo do estômago, com a sua contracção, acaba por subir para o esófago em vez de avançar para o intestino, o que geralmente se manifesta por episódios frequentes de regurgitação (os chamados bebés "bolçadores") ou vómitos, embora possam ocorrer também algumas manifestações menos típicas. Não exige nenhum tipo de tratamento (nem com os chamados leites AR - ver post sobre esse assunto) e tem tendência  a melhorar com a idade (por volta dos 4-6 meses, a maior parte das crianças já começa a apresentar melhoria franca).
Esta é uma situação muito frequente em bebés pequenos, particularmente prematuros, de tal modo que nem é considerada propriamente uma doença, excepto nos casos em que os bebés evoluem mal de peso ou então que têm complicações pulmonares. Nesses casos, passamos a ter o que se chama doença do refluxo gastroesofágico, que implica tratamento e vigilância diferentes, sempre com acompanhamento médico.

sábado, 14 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O que é a escarlatina?

Todos os anos ocorrem surtos de escarlatina, o que causa um verdadeiro "pânico" nos pais e nas escolas. O problema é que toda essa confusão é desnecessária e vou explicar porquê de seguida.
A escarlatina é uma doença muito frequente na infância e trata-se apenas de uma amigdalite que se acompanha por manchas na pele. Essas manchas são rugosas quando se passa a mão por cima, localizam-se preferencialmente no tronco, axilas e virilhas e podem dar alguma comichão. O micróbio que a causa é o mesmo das amigdalites comuns, bem como o risco de contágio, complicações e tratamento. Para além das manchas, é frequente também a língua ficar com um aspecto de morango e haver uma certa palidez em volta da boca. A febre, dor de barriga e dor de cabeça são outros dos sintomas que surgem com frequência.
Trata-se com um antibiótico e é uma doença de evicção escolar obrigatória. No entanto, a partir do momento em que as crianças estão sem febre há mais de 24 horas, podem retomar a sua vida normal, incluindo a frequência dos Infantários e Escolas.
No fundo, é uma amigdalite que tem um nome mais pomposo, mas que não passa disso mesmo: uma amigdalite...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O meu filho dorme com os olhos um bocadinho entreabertos - serão lombrigas?

Claro que não!
Este é mais um dos mitos que se vai perpetuando na nossa cultura.
A parte dos nossos olhos responsável pela visão é a chamada pupila, também conhecida por "menina do olho", pelo que se esta estiver coberta nós não conseguimos ver. Isso faz com que seja muito frequente haver pessoas que parece que dormem com os olhos entreabertos, mas na verdade a parte dos olhos importante de tapar está efectivamente coberta.
Isto é particularmente frequente nas crianças, que entram mais depressa no chamado "sono profundo" e acabam por ter um relaxamento muscular maior, o que faz com que não fechem completamente as pálpebras.
Como é lógico, esta situação isolada não representa nenhum tipo de problema e muito menos significa que as crianças têm "bichas" ou "lombrigas".
Podem descansar os avós...

É preciso ferver a água que se dá aos bebés?

Depende...
Se a água for engarrafada, a resposta é simples: não! 
No entanto, se for de poço ou furo, passa-se exactamente o oposto, porque deve ser fervida.
Já em relação à água da torneira, é um bocadinho mais discutível. Neste momento, a água em Portugal tem parâmetros de qualidade bem estabelecidos, pelo que não acho que seja necessário fervê-la. De qualquer forma, acho que nos primeiros1-2 meses não haverá nenhum inconveniente em fazê-lo. A partir daí, não me parece que se justifique...
Antes de terminar, queria apenas esclarecer que estas recomendações são para a água que se dá directamente aos bebés, mas também para a água com que se faz o leite. Acredito que para a maior parte dos pais, a vida vai ficar um pouco mais simplificada...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Os mitos da nossa cultura: Pode-se cortar o cabelo aos bebés pequenos?

Claro que sim!
Este é mais um dos mitos que vai sendo perpetuado e que acaba por ser transmitido como se fosse uma verdade. Há muita gente que diz que não se deve cortar o cabelo aos bebés, porque lhes trava o crescimento ou então porque assim não vão desenvolver bem a linguagem.
Como é óbvio, isto não tem nenhum tipo de fundamento, pelo que se o seu bebé nasceu com muito cabelo, pode cortá-lo a vontade, quando bem lhe apetecer.
Acredite que não vai interferir em nada com o seu crescimento e desenvolvimento...

O que é a laringomalácia?

Ao fim de alguns meses de "pausa", finalmente vou retomar as minhas escritas no blogue e, como podem calcular, nestes tempos fui recolhendo algumas sugestões dos leitores para possíveis temas.
Sendo assim, vou tentar atender a essas sugestões e os próximos posts vão ser sobre os temas que me pediram, mesmo sabendo que alguns serão um pouco mais específicos, tal como este que decidi escrever hoje.

A laringomalácia é o colapso de parte das vias respiratórias que ocorre durante a inspiração (entrada de ar nos pulmões). É a anomalia congénita mais comum da laringe e a sua causa não está bem estabelecida.
Geralmente provoca alguma dificuldade respiratória, com um barulho típico que ocorre na inspiração, sendo mais frequente no período neonatal. Esse barulho designa-se estridor e costuma atingir um pico de intensidade por volta dos 4-8 meses, acabando por ir desaparecendo gradualmente até aos 12-18 meses. Estas manifestações são mais evidentes quando o bebé está constipado, a chorar ou durante a alimentação, embora possa surgir apenas durante o sono.

Nas formas ligeiras, mesmo durante os episódios de estridor  as crianças respiram e alimentam-se bem, mas nas formas mais graves pode haver dificuldades grandes na alimentação, com má evolução de peso associada.
Por vezes a laringomalácia existe em conjunto com outras anomalias e é relativamente frequentemente a associação com refluxo gastro-esofágico.
O diagnóstico é feito com base nos sintomas que a criança apresenta e pode ser confirmado por observação da laringe por um otorrinolaringologista. No entanto, se as manifestações forem muito típicas, esta não é mandatória para o diagnóstico. De qualquer forma, há várias doenças que podem dar sintomas semelhantes, pelo que uma observação médica cuidada é muito importantes
O tratamento depende da gravidade da situação. Na grande maioria dos casos, a laringomalácia não é grave e resolve-se espontaneamente, sem necessidade de tratamento. Quando existe refluxo gastroesofágico associado, este deve ser tratado e é importante manter uma vigilância adequada do peso.
Os casos mais graves podem implicar tratamento cirúrgico e devem sempre ser acompanhados por um otorrinolaringologista.
Em jeito de conclusão, pode-se afirmar que esta é uma situação que causa bastante ansiedade aos pais, mas que na maior parte das vezes não coloca nenhum problema e se resolve facilmente.