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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Pediatria para todos" na SIC

Hoje foi a última terça-feira do mês e, como habitual, houve "Pediatria para todos" nas "Queridas Manhãs" da SIC.
Para quem não viu, aqui fica o link para o vídeo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Na próxima terca volto às "Queridas Manhãs" da SIC

No dia 30 volta a haver "Pediatria para todos" no programa "Queridas Manhãs" da SIC e o tema são as terríveis BIRRAS.
Não perca!


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mito - Os bebés que bebem pouco leite devem comer papas de fazer com leite

Esta é uma ideia muito enraizada na maior parte dos pais e avós, que acham que para os bebés que bebem pouco leite, as papas de fazer com leite são mais importantes do que as de fazer com água.
Na verdade, os dois tipos são praticamente iguais, uma vez que as papas de fazer com água já possuem o pó do leite misturado com o pá da papa. É por esse motivo que se chamam farinhas lácteas, porque já contêm o próprio leite na sua composição. Ao contrário do que muita gente acredita, não são mais "fracas" do que as outras, são semelhantes. 
Posto isto, é fácil perceber que preparar estas papas com leite é profundamente errado, porque estamos a aumentar muito a quantidade de proteínas e açúcares que a criança come.
Assim, se o seu filho bebe pouco leite, pode e deve "compensar" com outros produtos lácteos, dependendo da idade (papa a partir dos 4 -6 meses; iogurte a partir dos 9 meses; queijo a partir dos 12 meses), mas não se esqueça deste princípio geral: as papas de fazer com água já contêm o leite que os bebés precisam na sua composição (e são tão adequadas como as outras), enquanto as de fazer com leite precisam que ele seja adicionado ao pó da papa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!

Queria desejar a todos os leitores deste blogue um óptimo Natal, repleto de sorrisos e muita Felicidade!


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Como escolher a roupa de cama do bebé?

Quase todos os pais se preocupam muito com o frio que os bebés podem ter quando dormem, mas esquecem-se que eles também podem ter calor. Por este motivo, é fácil encontrar berços com lençóis, mantas, cobertores e edredões, muitas vezes em quantidades exageradas, o que comporta um risco significativo para o bebé.
Assim, acho que é útil deixar alguns conselhos sobre como "organizar" a cama do seu filho, principalmente agora no inverno, em que as temperaturas são mais baixas:
  1. O ideal é que a cama esteja livre, sem almofadas, brinquedos, fraldas ou outros objectos (os bonecos para dormir e fraldas não fazem falta nenhuma nos primeiros meses)
  2. Esqueça os "rolinhos" com as toalhas ou mantas para o bebé não se virar
  3. Use pouca roupa de cama, de preferência apenas 1 lençol e 1 edredão ou, melhor ainda, 1 saco-cama de bebé (muitas vezes também chamado "ninho")
  4. Se o quarto estiver mais frio, vista um pijama mais quente ao seu filho e mantenha pouca roupa na cama - o ideal é que o calor venha mais da roupa que está junta ao corpo do que da que está "solta"
  5. Evite colchões moles ou então colocar uma manta em cima do colchão para ficar mais "fofinho", porque é um factor de risco para morte súbita
  6. Prenda bem os lençóis e edredão de lado na cama, de forma a diminuir o risco de eles se deslocarem para cima da cara do bebé
  7. Tenha muita atenção aos protectores de berço, pois têm que estar sempre muito bem presos às grades (é importante que verifique este aspecto regularmente)
Posto isto, desejo apenas uns bons sonhos aos bebés, porque se assim for os pais certamente também os terão!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

GRANDE PERIGO - Conduzir com os bebés ao colo...

Todas as crianças gostam de se sentar no banco da frente do carro, particularmente se for do lado do condutor.
É precisamente por isto que muitos pais acabam por "facilitar" um pouco e deixam que os filhos se sentem ao seu colo para conduzir um bocadinho o carro, escolhendo muitas vezes locais seguros, como a garagem do prédio, a rua de casa ou o jardim, entre outros. No entanto, apesar de realmente o local ser seguro, a prática não o é, de todo!
Infelizmente há vários relatos trágicos de acidentes gravíssimos com este tipo de "brincadeira", principalmente causados por disparos acidentais dos air bags, que podem acontecer por simples falhas mecânicas ou então por um animal que se atravesse à frente do carro de forma inesperada (gato, por exemplo).

Acredito que nenhum pai pense na hipótese de isto poder acontecer (e por isso mesmo arriscam...), mas na verdade é algo que pode ser tão preocupante que vale a pena ter sempre em mente. Já nem discuto a questão do mau hábito, porque também percebo que se trata apenas de uma brincadeira, mas se sentar o seu filho no banco da frente tenha sempre o cuidado de ter o carro completamente desligado, sem a chave na ignição.
Já se sabe que com as crianças todo o cuidado é pouco...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Porque é que as crianças doentes pioram à noite?

No passado mês de outubro, saiu na revista Activa uma entrevista minha sobre o tema "Porque é que as crianças doentes pioram à noite?".
Aqui fica o link para consultar o artigo, se quiser lê-lo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Para quem não viu a minha participação nas "Queridas Manhãs" no dia 25

Como habitual, aqui fica o link para poderem ver a minha participação no programa "Queridas Manhãs" da passada terça-feira (dia 25):


Espero que gostem!

domingo, 23 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Os bebés devem andar no banco da frente ou no de trás?

De preferência sempre no de trás e vou explicar porquê.
Esta é uma questão muito frequente mas, apesar de tudo, não levanta grandes dúvidas, pois os estudos demonstram claramente que o risco de acidente é maior quando os bebés viajam no banco da frente, ao lado do condutor. Não é difícil entender essa conclusão, pois se um bebé que vai à frente chora, a reacção imediata é olhar para ele e mexer-lhe para tentar acalmá-lo. Como é lógico, isto é uma enorme distracção para quem vai a conduzir e a probabilidade de ter um acidente dispara.
Por outro lado, se o bebé estiver no banco de trás e chorar, a reacção é parar o carro e ver o que se passa, o que é, sem dúvida alguma, muito mais seguro.
Eu sei que as mães geralmente não se sentem muito confortáveis com esta opção, particularmente quando viajam sozinhas, porque gostam de ter o bebé por perto. Mesmo nessas altura, volto a afirmar que o mais seguro é colocar o seu filho atrás... Se gostar da ideia, hoje em dia há uma espécie de espelhos retrovisores para colocar na cadeirinha, que permite ir mantendo algum contacto visual com o bebé, o que me parece que pode ser uma boa opção.
Claro que há alguma excepções, nomeadamente a questão dos automóveis comerciais. Logicamente, nesses casos o bebé tem que ir à frente, mas nunca é demais reforçar que aí é imprescindível desligar os air-bags do lado do passageiro, pois se não o fizer pode dar origem a acidentes gravíssimos.
Nestes aspectos acho que não se pode facilitar, o ideal é mesmo seguir as recomendações...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mais um mito - Andar com o cabelo molhado constipa?

Não!
Este é mais uma daquelas "verdades" que quase toda a gente já ouviu e que grande parte das pessoas vai repetindo, muitas vezes sem parar para pensar se será bem assim ou não.
Andar com o cabelo molhado não provoca nenhuma doença, seja ela uma constipação, amigdalite, otite, pneumonia ou outra coisa qualquer. Na pior das hipóteses pode ser um pouco desconfortável, particularmente para quem tem o cabelo comprido e se estiver um dia frio, mas não passa disso. Aliás, porque razão a humidade ou o frio fariam mal apenas na cabeça e não no resto do corpo?
Assim, podem ficar descansadas as mãezinhas quando os filhos saem da piscina ou outras actividades afins com o cabelo molhado. Não será por isso, seguramente, que vão adoecer ou ficar com algum problema de saúde...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Qual é a melhor idade para se oferecer um tablet a uma criança?

Decidi escrever este post porque vem aí o Natal e a correria aos presentes é grande, o que implica, logicamente, fazer escolhas.
Sei que é um tema controverso e devo dizer que, desta vez, não terei uma resposta puramente científica, mas sim uma opinião pessoal baseada nalguns artigos que li e também na discussão que já tive sobre o assunto com outros colegas, pediatras e não só.
Não há dúvida de que os tablets são extremamente atractivos para as crianças e, inclusivamente, têm uma série de aplicações disponíveis que são até bastante interessantes. No entanto, têm algumas desvantagens que vou também tentar explicar. Vou começar pelas qualidades mais importantes...
O primeiro aspecto é a visão. Há muitas vezes a ideia de que os tablets podem prejudicar a visão das crianças, mas os estudos não têm comprovado esse receio, pelo que não me parece ser um verdadeiro problema. Podem até ajudar na coordenação mão-olho, ou seja, a capacidade que as crianças têm de articular o que vêem com o que fazem.
O segundo ponto tem a ver com as aplicações e jogos. Hoje em dia estão disponíveis imensas aplicações, algumas das quais são até bastante criativas e pedagógicas para as crianças. Podem estimular a memória e a coordenação, bem como a lateralidade, o que também é importante para o desenvolvimento.
No entanto, nada é só positivo e parece-me que os tablets têm também alguns aspectos que não são tão benéficos.
O primeiro tem a ver com a inactividade. Um dos problemas da nossa sociedade é o sedentarismo e um dos principais factores que o favorecem é a tecnologia. Logicamente, se a criança está sentada a jogar não vai fazer actividade física e isso não é bom.
O segundo prende-se com a "ultrapassagem" de etapas. Um tablet é extremamente atractivo e é muito fácil as crianças gostarem. O problema, como é óbvio, é que torna os outros brinquedos menos "apetecíveis". Isto faz com que as crianças deixem de brincar com o que realmente deviam, que são livrros, bicicletas, puzzles, blocos de construções, carrinhos, bonecas e tudo o que lhes possa estimular a criatividade e a capacidade de brincar ao "faz de conta", algo profundamente importante para o seu desenvolvimento.
O terceiro diz respeito à menor estimulação motora, pois a motricidade fina de pegar nos brinquedos e objectos e encaixá-los uns nos outros ou empilhá-los é fundamental para todas as crianças.
Por fim, não nos podemos esquecer que jogar num tablet é uma opção muito pouco "social", pois é uma actividade bastante solitária. É imprescindível reforçar a ideia de que a companhia ideal das crianças são outras crianças ou os adultos e não brinquedos ou outros utensílios, sejam eles de que tipo forem. Um pai/mãe e um filho conseguem sempre brincar juntos mesmo sem terem nada disponível no momento, basta ter vontade e um pouco de imaginação!
Estes são apenas alguns dos muitos pontos possíveis de abordar numa discussão deste tipo...
Assim, não sou fundamentalista a ponto de dizer que as crianças não devem mexer em tablets, mas como para tudo, é preciso bom senso. Podem jogar um pouco, mas não me parece que haja propriamente necessidade de terem um tablet mesmo para elas. Não se esqueça que enquanto o aparelho for dos pais, é mais fácil colocar regras!
Posto isto, não lhe vou conseguir dar uma resposta exacta à pergunta que coloquei acima, mas seguramente os primeiros anos de vida não são a idade ideal. O melhor será mesmo ir adiando a decisão de o comprar... Apesar do seu filho poder "resmungar" um pouco, acredite que será o mais beneficiado dessa decisão e rapidamente descobre muitas outras formas de se divertir!

Nota: O princípio é o mesmo para as consolas, sejam fixas ou portáteis. No entanto, queria apenas ressalvar um ponto, que são os jogos que necessitam de movimento e que neste momento existem em todas elas. Esses sim, parecem-me mais equilibrados, não só pela actividade, como também pela interacção familiar que podem promover...

sábado, 1 de novembro de 2014

A fruta é um bom lanche?

Isoladamente não!
A fruta é fundamental na alimentação das crianças, mas tem algumas particularidades que é importante conhecer. Uma dessas características é o facto do açúcar que existe na fruta ser de absorção rápida, o que faz com atinja um pico também rápido no sangue quando se come. Quando isso acontece, a resposta do organismo é produzir insulina para baixar o nível de açúcar, o que faz com que possa haver uma baixa de açúcar significativa depois de comer uma peça de fruta e, consequentemente, um aumento da fome com essa resposta.
Posto isto, é fácil perceber o porquê de não ser aconselhável comer fruta isoladamente. Não é, realmente, a melhor opção, mas isso pode se ultrapassado juntando outro tipo de alimento ao lanche. As duas principais opções são as seguintes:
  • Pão ou outra fonte de cereais - contêm hidratos de carbono (açúcares) de absorção lenta, o que contraria o pico descrito anteriormente
  • Leite ou iogurte - os produtos lácteos atrasam o esvaziamento do estômago, o que também contraria o pico rápido de açúcar quando se come fruta; de um modo geral, é está a melhor opção para as crianças, principalmente aquelas que consomem poucos laticínios 
Sendo assim, volto a reforçar a ideia de que a fruta é um óptimo alimento, cujo consumo deve ser incentivado em todas as crianças, mas que tem mais benefícios quando utilizado para complementar outra refeição, seja o pequeno-almoço, almoço, lanche ou jantar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O meu filho tem uma micose nas unhas - o que posso fazer?

É bastante frequentes as crianças desenvolverem micoses nas unhas, particularmente nos pés.
Geralmente são situações que se manifestam por unhas mais grossas, amareladas e que se "desfazem" e que são muitas vezes difíceis de cortar (parece que crescem menos do que as outras).
Trata-se de uma situação que normalmente não causa nenhum desconforto, mas que do ponto de vista estético acaba por não ser muito agradável.
O tratamento passa sempre pela administração de um xarope ou comprimidos (depende da idade da criança) com efeito antifúngico, pois só dessa maneira se consegue garantir a erradicação do fungo. Há uns vernizes que podem ser aplicados, mas isoladamente não garantem uma eficácia significativa, pelo que não são uma boa opção quando usados sozinhos. Há vários esquemas de tratamento, mas de um modo geral todos implicam uma duração considerável, particularmente para as unhas dos pés.
Muitas vezes só se consegue observar o resultado ao fim de 2-3 meses, pois começa-se a ver a unha "normal" a crescer e "empurrar" a outra. O aspecto amarelado e mais grosso não desaparece, mas como não se prolonga vai sendo empurrado de forma contínua, até deixar de existir.
É uma situação contagiosa, mas que só afecta as unhas, pois o fungo não é o mesmo de outras micoses, como o "pé de atleta", por exemplo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Para quem não viu as "Queridas Manhãs" de ontem

Como habitual, aqui fica o link para o vídeo da minha entrevista ontem no programa "Queridas Manhãs".
Não se esqueça, na última terça-feira de cada mês é dia de "Pediatria para todos" na SIC!

domingo, 26 de outubro de 2014

É verdade que a cortisona (e derivados) fazem mal?

Depende...
Os corticóides (cortisona e seus derivados) são muitas vezes utilizados em Pediatria, seja sob a forma de gotas, ou então sob a forma de cremes. São medicamentos muito úteis, com um efeito anti-inflamatório bastante potente e, como tal, são uma boa "arma" para variadas situações. No entanto, como é lógico, devem sempre ser utilizados apenas sob prescrição médica, porque também têm alguns efeitos laterais significativos, particularmente quando administrados por via oral ou injectável.
As suas principais utilizações são as seguintes:
- cremes: crises de pele atópica (eczemas), algumas irritações cutâneas, fimose (ver post sobre o assunto)
- gotas: pele atópica (casos graves), asma, inflamações respiratórias
Apesar de serem seguros, só devem ser administrados por mais de 3 dias se houver indicação médica nesse sentido, de forma a não comprometer a segurança do medicamento.
Posto isto isto, termino completando a resposta à questão inicial "É verdade que a cortisona (e derivados) fazem mal?": 
Depende...
Se tiverem indicação e forem respeitadas as dosagens e tempos de administração não; se isso não acontecer, é preciso ter muita cautela.

"Pediatria para todos" nas "Queridas Manhãs" da SIC

Na próxima terça-feira (dia 28) regresso ao programa "Queridas Manhãs" da SIC, onde passarei a ter uma colaboração fixa na última terça feira de cada mês.
Qual será o tema?
Não perca e divulgue!


sábado, 25 de outubro de 2014

1 milhão de visitas!

Chegamos hoje ao fabuloso número de 1 milhão de visitas!
Tudo começou no dia 17-7-2011, há precisamente 3 anos, 3 meses e 8 dias, quando publiquei o primeiro post neste blog, a que chamei "Pediatria para todos". O título era "Vou ser mãe/pai! E agora???" e foi o início de uma fantástica caminhada. Neste período foram centenas os emails recebidos e enviados, 1222 os comentários publicados e tudo culminou na edição do meu livro "PEDIATRA PARA TODOS", onde compilei alguns dos textos deste blogue, juntamente com muitos outros originais, mas que seguem a mesma filosofia e que procuram, basicamente, ajudar todas as mães e pais na espectacular tarefa de ter um filho.
Na imagem a seguir podem ver a azul todos os países que já visitaram este blogue só este ano (infelizmente não tenho dados anteriores), o que me enche de orgulho.


Alguém disse um dia "se quiseres ir depressa vai sozinho, mas se quiseres ir longe leva companhia" e é isso mesmo que eu tenho feito com todas as pessoas que vão lendo este blogue.
Resta-me então dar os parabéns a todas essas pessoas que fizeram parte deste trajecto e, já agora, venha mais 1 milhão! 
Acredito que com a vossa divulgação é bem possível...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Qual é o melhor aspirador para o nariz dos bebés?

Hoje em dia há vários aspiradores para ajudar na higiene do nariz dos bebés, mas nem todos têm a mesma eficácia.
As recomendações apontam para a preferência pelos aspiradores em que são os pais a fazer a própria aspiração. Funcionam quase como uma "palhinha" de um refresco, em que uma das extremidades é introduzida no nariz do bebé e a outra na boca de quem vai aspirar. Tem um reservatório com um filtro, portanto não vem nada para a boca dos pais e, apesar da ideia parecer um pouco "estranha" de início, facilmente se percebe que são os mais adequados, pois permitem controlar de forma segura a força de aspiração.
Para além destes, há também os aspiradores mais "convencionais", em forma de pêra, que acabam por não ser muito eficazes e também uns mais recentes, electrónicos, que funcionam um pouco melhor.
Como pode ver num post anterior sobre a higiene nasal dos bebés, este é um procedimento bastante importante de realizar (embora seja muitas vezes uma autêntica "guerra"), pelo que devemos tentar ter a maior eficácia possível. Deste modo, apesar de não ser propriamente obrigatório utilizar os primeiros aspiradores que descrevi, estes acabam por ser os mais indicados para a maior parte dos casos.

domingo, 19 de outubro de 2014

Os iogurtes são uma boa sobremesa?

Não!
A sobremesa mais correcta é mesmo a fruta, pois de um modo geral contém uma série de enzimas que favorecem a digestão e ajudam no processamento dos alimentos. A opção de dar um iogurte depois da refeição é muito frequente, mas não é, de todo, a melhor escolha. 
O iogurte vai interferir com a absorção de alguns nutrientes, nomeadamente o ferro, retirando algumas das qualidades dos alimentos. Por outro lado, também os próprios alimentos interferem com a absorção de alguns nutrientes dos iogurtes, nomeadamente o cálcio, pelo que vamos acabar por perder vantagens de cada um deles.
Não há dúvida de que o iogurte é um bom alimento, mas tudo o que seja lácteo (derivado do leite) deve ser dado fora do almoço e jantar, para se poder usufruir melhor de todas as suas características.

Amanhã vou estar no programa "Mais Mulher"

Amanhã (dia 20) vou estar no programa "Mais Mulher", apresentada por Ana Rita Clara, na SIC Mulher.
Não perca!


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Até que idade se deve dar vitamina D aos bebés?

Há algum tempo atrás eu escrevi um texto neste blogue sobre a eventual necessidade de vitaminas por parte dos bebés (ver post sobre esse assunto).
Nesse texto afirmo que a única vitamina que eles precisam é a vitamina D e isso mantém-se verdade. No entanto, tem havido recentemente alguma discussão sobre durante quanto tempo deve ser administrada e, nessa área, há algumas novidades.
A vitamina D é produzida na nossa pele após exposição ao Sol e é muito frequente a sua falta na nossa população (há inclusivamente alguns estudos portugueses que o demonstram), particularmente durante o período em que ainda há crescimento corporal. Por esse motivo, a Academia Americana de Pediatria recomenda a administração de vitamina D até aos 18 anos de idade e parece que essa deve também ser a recomendação para Portugal.
Claro que o nosso país tem uma exposição solar significativa, portanto aqui faz sentido, provavelmente, atender a algumas particularidades. Assim, apesar de não ser uma recomendação "formal", neste momento a posição mais consensual parece ser a de suplementar com vitamina D:
- todos os bebés até aos 12 meses
- todas as crianças e jovens entre 1 e 18 anos, durante os meses de Outono e Inverno
Esta é também a minha opinião, pois parece-me ser a posição mais sensata e, acima de tudo, mais fundamentada do ponto de vista científico.

domingo, 12 de outubro de 2014

Oficial - Já temos página de facebook!

Já é oficial - a página do blogue "Pediatria para todos" entrou em funcioinamento.


Ainda está a começar e, sinceramente, estou a descobrir aos poucos as funcionalidades do facebook, mas o primeiro passo está dado.

Vão ver e coloquem o vosso "gosto"!


sábado, 11 de outubro de 2014

Para quem não viu...

Para quem não teve oportunidade de ver, aqui fica o link do vídeo da minha participação no programa "Você na TV", do passado dia 9/10:


Espero que goste...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

BCG – uma vacina diferente…

A BCG é uma das 2 vacinas que se dão logo após o nascimento em Portugal, juntamente com a 1ª dose da vacina para a hepatite B. Previne contra as formas mais graves de tuberculose mas, apesar disso, é uma vacina algo controversa, pois pode dificultar um pouco o diagnóstico desta doença em pessoas que a tomaram.
É completamente diferente das outras, pois induz uma reacção tardia no organismo (e não imediata), o que se vai reflectir na resposta que provoca. Geralmente só surge reacção no local da picada cerca de 1 mês após a administração e depois prolonga-se por mais 2-3 meses. Essa reacção caracteriza-se por uma espécie de “borbulha” vermelha que vai crescendo e que acaba por acumular uma substância amarela semelhante ao pús (muitas vezes “rebenta” e liberta essa substância para o exterior). Apesar de não ter muito bom aspecto, é indolor e não provoca nenhum tipo de desconforto ao bebé. O importante é frisar que não é preciso fazer nada, nomeadamente desinfectar, espremer ou alguma coisa do género. Pode ir apenas lavando com soro fisiológico e esperar que vá passando.

Amanhã vou ao programa "Você na TV", na TVI

Amanhã vou estar no programa da TVI "Você na TV", apresentado por Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira.
Não perca!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

É preferível usar soro fisiológico ou água do mar para limpar o nariz dos bebés?

O primeiro aspecto a reforçar é que a lavagem nasal dos bebés é algo muito importante de se fazer com alguma regularidade. 
Geralmente é um momento de alguma "guerra" entre pais e filhos, porque não é, de todo, o acto mais agradável de ser feito, mas no fim as melhorias são evidentes. É fundamental esclarecer que os bebés pequenos só sabem respirar pelo nariz, pelo que a sua obstrução pode condicionar uma dificuldades respiratória grande. Uma vez que os orifícios são muito pequenos, qualquer acumulação de secreções pode ter um efeito significativo e deve ser alvo de uma "limpeza" activa. 
Quando se fala sobre este assunto, as principais questões que se colocam são as seguintes:

  1. É melhor o soro fisiológico ou a água do mar?
    • Em termos de composição eles são semelhantes, mas a água do mar tem a vantagem de ser aplicada sob pressão, ou seja, utilizando um spray. Isto vai aumentar a sua eficácia, permitindo "lavar" melhor as secreções, arrastando-as com a água.
  2. É preferível a água do mar isotónica ou hipertónica?
    • Em termos teóricos, para as secreções mais líquidas é indiferente usar uma ou outra. No entanto, a água do mar hipertónica é mais concentrada e acaba por funcionar um pouco melhor. Na minha opinião, é a 1ª escolha.
  3. Deve-se usar sempre aspirador?
    • Nem sempre. Quando os bebés são muito pequenos (primeiros 2 meses, mais ou menos), só o facto do soro ou da água do mar escorrerem já é suficiente para limpar bem o nariz, pelo que o aspirador geralmente não se justifica (excepto se o bebé estiver constipado). Conforme as crianças vão crescendo, e até aprenderem a assoar-se, torna-se útil o recurso a um aspirador nasal, para aumentar a eficácia da lavagem.
  4. Quando deve ser feito?
    • Pode ser feito em qualquer altura, essencialmente quando o bebé tem mais necessidade de respirar pelo nariz, ou seja, quando come/mama e quando dorme. No entanto, é um acto que pode ser repetido inúmeras vezes ao longo do dia, sem ter propriamente limite máximo do número de vezes.

Eu sei que não é um procedimento muito agradável, mas depois de o fazer algumas vezes, vai ver que é muito eficaz...

domingo, 21 de setembro de 2014

A minha participação no programa "Queridas Manhãs" de 9 de Setembro

Mais uma vez aqui deixo o link para o vídeo da minha passagem no programa "Queridas Manhãs" de 9 de Setembro, sob o tema "Antibióticos em Pediatria":


Desta vez tive direito a consultório e tudo! :)
Já agora, criei uma página de facebook deste blogue na semana passada. Ainda não tem conteúdo, mas em breve vou "preenchê-la" com as informações do blogue, para ser mais fácil acompanhar as novidades.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Dia 9 de Setembro volto às "Queridas manhãs" na SIC

Na próxima terça-feira (dia 9 de Setembro) regresso ao programa "Queridas manhãs" na SIC. Qual será o tema desta vez?
Não perca!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O meu filho tem aftas na boca - o que posso fazer?

Apesar de ser extremamente incómodo, as aftas na boca não costumam trazer grandes problemas às crianças, excepto quando impedem que elas se alimentem minimamente.
A grande questão é que são muito desconfortáveis e, infelizmente, nós não temos grandes "armas de combate" contra elas. Assim, torna-se fundamental dar muitos líquidos à criança e aliviar a dor que as aftas provocam, pelo que aqui ficam algumas medidas a adoptar:
- preferir alimentos líquidos ou passados
- dar a comida a uma temperatura tépida/fresca (nem demasiado quente, nem demasiado fria)
- escolher alimentos pouco ácidos
- dar preferência aos alimentos de que a criança gosta mais
Para além destas medidas, há algumas situações que podem necessitar de observação médica e da prescrição de tratamentos específicos, principalmente aquelas em que as aftas se associam a:
- febre de difícil controlo
- hemorragia significativa das gengivas
- mau estado geral
- emagrecimento
- aftas na região do ânus ou nos órgãos genitais
De um modo geral, as aftas nas crianças têm uma origem vírica e, como tal, acabam por passar com o tempo, embora possam durar até 1-2 semanas nalguns casos.

domingo, 17 de agosto de 2014

A minha passagem no programa "Queridas Manhãs"

Para quem não viu o programa "Queridas Manhãs" (SIC) no passado dia 14, aqui fica o link para o vídeo da minha entrevista, onde falei sobre meningites e vacinas:


Já agora, queria aproveitar este post para responder a algumas questões que foram colocadas no facebook do programa:
1 - Uma vez que a vacina (Bexsero) tem aprovação até aos 50 anos, qualquer pessoa até esta idade pode ser vacinada. No entanto, penso que ainda não existe uma recomendação formal para vacinar todos os adultos, pelo que fica um pouco ao critério de cada um. De qualquer forma, até aos 50 anos quem quiser pode e deve ser vacinado.
2 - Mesmo as crianças/adolescentes que tomaram todas as outras vacinas têm indicação de tomar esta, porque previne contra a infecção por uma bactéria diferente.
3 - Quem já teve meningite por esta bactéria (B) pode não necessitar de fazer a vacina, mas o ideal é mesmo ter a certeza antes de tomar a decisão.
4 - A diferença entre esta vacina e a Prevenar é mesmo o tipo de bactéria que previnem, que é diferente para as duas (meningococo B na primeira e pneumococo na segunda). Não são vacinas concorrentes, porque embora previnam a mesma doença, actuam em causas diferentes.
5 - Mesmo tomando todas as vacinas que existem neste momento para a meningite, é possível apanhar esta doença, porque há muitos vírus e bactérias que a podem provocar e que não estão cobertos por essas vacinas.
6 - Nao existe propriamente formas de prevenção de meningite, embora algumas medidas possam ser tomadas quando ocorre um caso numa creche ou escola. De qualquer forma, geralmente essas medidas devem ser tomadas pelos médicos de saúde pública e não apenas por iniciativa dos pais.
7 - A vacina está disponível em todo o pais, à venda nas farmácias.

Espero ter ajudado a esclarecer as dúvidas. Se tiver mais alguma pode sempre enviar um comentário ou um email!

sábado, 16 de agosto de 2014

Vou viajar com o meu filho - que medicação devo levar?

Esta é uma pergunta que os pais fazem muito frequentemente, portanto vou tentar simplificar as coisas.
Se a viagem for dentro de portugal ou outro país europeu, penso que não é preciso levar grande coisa. De qualquer forma, aqui ficam algumas sugestões:
- paracetamol ou ibuprofeno (se a criança tiver febre ou dores)
- anti-histamínico (se estiver com o nariz entupido, alguma reacção alérgica ou se for picado por algum insecto)
Se a viagem for para um país menos desenvolvido, penso que será também útil levar:
- probiótico (de preferência em saquetas por causa do transporte - para ajudar em caso de diarreia)
- soro de hidratação (de preferência também em saquetas, para diluir em água - se tiver vómitos e diarreia)
- repelente de insectos
Salvo em alguns casos particulares, julgo que não vale a pena levar mais nada excepto, como é lógico, qualquer medicação que o seu filho faça regularmente e que não deve ser esquecida.

sábado, 9 de agosto de 2014

Dia 14 vou estar na SIC!

Na próxima quinta-feira (dia 14) vou regressar ao programa "Queridas manhãs", na SIC.
Não perca!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quando os bebés são pequenos pode-se partir os supositórios para a dose ser menor?

Não!
Esta é uma ideia errada que se vai mantendo de forma mais ou menos constante (vá-se lá saber porquê), mas que é fundamental clarificar.
A distribuição do medicamento ao longo do supositório pode não ser uniforme, pelo que nunca sabemos quanto é que estamos a tirar ao certo quando o cortamos. Ao cortar metade, pode até não retirar medicamento quase nenhum ou então retirá-lo todo. Para além disso, a própria medição de cortar um terço ou um quarto do supositório é um pouco "a olhómetro" e com muito pouco rigor.
Assim, a melhor opção é mesmo utilizar um xarope em vez do supositório, particularmente nos bebés pequenos, pois só assim conseguimos calcular ao certo a dose de medicamento que estamos a dar.
Já agora, outro conselho: não utilize como medida uma colher "de café", "chá", "sobremesa" ou "sopa", porque os faqueiros são todos diferentes. O ideal é utilizar uma seringa para medir ao certo a quantidade de xarope e não correr o risco de dar a mais nem a menos. O trabalho que dá é o mesmo, mas acaba por ser muito mais fiável.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os bebés devem dormir na cama dos pais?

Não!
Apesar de haver algumas teorias mais "fundamentalistas" do aleitamento materno que defendem que os bebés devem dormir ao lado da mãe, na mesma cama, para se irem "servindo" quando tiverem fome, essa não é a prática mais recomendada.
Hoje em dia há bastantes estudos que demonstram que essa opção é um factor de risco para o Síndrome da Morte Súbita do lactente (ver post sobre esse assunto), o que é, só por si, suficientemente forte para desaconselhar esta prática. Não se sabe muito bem o porquê desta associação, mas é algo que se vai observando com frequência e de forma bastante consistente.
Claro que há bebés mais difíceis para dormir e o facto de estarem na cama dos pais acaba por funcionar bastante bem porque eles adormecem melhor, mas geralmente para os pais isso não facilita muito a vida, pois acabam por dormir mal com medo de se virarem para cima do bebé.
Por outro lado, também concordo que é muito agradável sentirmos os nossos filhos ao nosso lado, mas isso pode-se fazer de manhã, durante um bocadinho e não é preciso que se faça durante a noite, enquanto dormem.
Cada um tem o seu espaço e acho que isso deve ser respeitado logo desde o nascimento, até para não abrir precedentes que mais tarde são muito difíceis de ultrapassar!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A partir de que idade é que se pode começar a colocar os bebés sentados?

A partir da idade que quiser...
No entanto, é importante perceber que os bebés só têm capacidade para se aguentar sentados sozinhos a partir dos 6 meses, pelo que antes disso é sempre fundamental colocar alguns apoios (almofadas) por trás e de lado.
Há muitas vezes a ideia (errada) de que quando se começa a sentar os bebés pequenos a coluna pode "entortar" porque é "muito frágil". Isso não é verdade nem tem nenhum tipo de fundamento, pois tal como para tudo o resto, se ele estiver desconfortável vai chorar e aí os pais pegam nele ao colo. 
De qualquer forma, volto a frisar que se calhar antes dos 4-5 meses ele não vai achar grande piada, pois não tem equilíbrio nem força muscular suficiente para se aguentar de forma mais ou menos estável.
A partir dessa idade pode e deve ir sentando, para ajudar a conquistar o equilíbrio necessário e, a partir do momento em que se começa a aguentar sozinho (em regra, por volta dos 7 meses, embora os livros digam 6 meses), ele próprio não vai queres ficar deitado, pelo que já vai ser ele a "mandar".
Por fim irá aprender a gatinhar ou andar e, a partir dessa altura, só vai querer estar no chão. Como vê, é tudo muito rápido, portanto tente aproveitar ao máximo todas as etapas e não perca muito tempo com preocupações sem fundamento!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Novo mito - Pode-se cortar o cabelo ou as unhas enquanto se faz a digestão?

Claro que sim!
Não existe nenhum motivo para não se poder cortar o cabelo ou as unhas depois de comer. Aliás, nem percebo muito bem de onde é que surgiu esta ideia, já que não tem nenhum tipo de fundamento.
Quando os bebés são pequenos, estas são duas tarefas que podem ser um pouco difíceis de realizar, pelo que é muitas vezes útil esperar que eles estejam a dormir para se poder "trabalhar" em paz. Como é frequente os bebés dormirem depois de comer, esta é até uma altura em que muitas vezes se decide cortar unhas ou mesmo o cabelo, pelo que pode ficar descansado: o seu filho não vai ter nenhuma "congestão" ou "paragem de digestão".
Pode ficar descansado...

terça-feira, 8 de julho de 2014

Vacina contra o meningococo B - NOVIDADE

Saiu este mês para o mercado português uma nova vacina (nome comercial - Bexsero), que previne contra as meningites provocadas por uma bactéria chamada meningococo B.
É uma doença muito agressiva, que muitas vezes tem um mau prognóstico, pelo que me parece extremamente positivo conseguir preveni-la através de uma vacina.
O único "inconveniente" é o preço, que actualmente é de cerca de 98€ por cada dose mas, no meu entender, trata-se de um bom investimento na saúde das nossas crianças, sempre que for possível realizá-lo.
O esquema de administração varia consoante a idade de criança, conforme está descrito na tabela que apresento a seguir.


Em caso de dúvida, converse com o médico assistente do seu filho sobre esta importante vacina, pois acho que será a pessoa mais adequada para o poder aconselhar.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A minha passagem nas "Queridas manhãs" (SIC)

Foi no dia 3 de Julho que tive o prazer de ir ao programa "Queridas manhãs" na SIC, falar um pouco do meu livro e, principalmente de alguns mitos da cultura popular.

Aqui fica o link do vídeo para quem não viu:




sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vale a pena comprar alcofa?

Não é fácil responder a esta questão de forma muito objectiva, mas vou ver se consigo.
No meu entender, a alcofa não é um "utensílio" imprescindível quando se vai ter um filho, pois pode perfeitamente ser substituída pela babycoque e berço. Assim, vou tentar explicar o meu ponto de vista para cada um dos contextos em que o bebé está inserido:

  • Casa:
    • por vezes a alcofa é utilizada como um substituto do berço nos primeiros tempos de vida e, apesar de não ser propriamente errado, não é a melhor solução
    • concordo que é mais confortável para o bebé do que a babycoque, mas aí acho que se o colocar numa espreguiçadeira ou numa mantinha enquanto brinca com ele acaba por fazer o mesmo efeito
  • Automóvel:
    • não é, de todo, a melhor opção, mesmo que esteja homologada, excepto se permitir o transporte "de costas" (algumas são "convertíveis" em babycoque e essas sim, podem ser úteis)
    • excepto em casos de grandes prematuros ou malformações da coluna, a babycoque deve ser sempre a opção
  • Carrinho de passeio:
    • também aqui concordo que a alcofa possa ser um pouco mais confortável e é, de facto, a única situação em que eu acho que pode ter algum benefício (embora a maior parte dos bebés goste muito de estar na babycoque, porque se sentem confortáveis)
Posto isto, não me parece que a alcofa seja indispensável e, uma vez que a maternidade é uma altura em que se gasta muito dinheiro, pode ser uma ajuda para gerir o seu orçamento. De qualquer forma, se quiser comprar não me parece nada mal, porque provavelmente vai mesmo acabar por utilizá-la (se calhar não vai é durar tanto tempo como provavelmente imagina, porque o seu filho vai crescer muito depressa nos primeiros tempos). No entanto, é importante ressalvar que deve sempre preferir as alcofas rígidas às moles, pois são bastante mais seguras.

Quando se deve furar as orelhas à crianças?

Apesar de esta não ser uma questão estritamente "médica", é um assunto que muitas vezes os pais perguntam nas consultas.
Como seria de esperar, não existe propriamente uma idade certa a partir da qual se possa furar as orelhas às crianças, mas é importante ter em atenção alguns princípios.
O primeiro (e o mais óbvio de todos) é escolher o local onde se vai fazer. Tem que ser um estabelecimento que garanta a higienização correcta dos aparelhos e utensílios, para não se correr o risco de transmissão de doenças.
Em segundo lugar, temos o comportamento da criança. Aqui acho que as idades mais precoces acabam por ser mais "fáceis", pois dão menos luta e mexem-se menos. Há inclusivamente locais onde furam as orelhas às bebés logo ao nascimento, precisamente porque é mais fácil nessa altura. No entanto, furar as orelhas em bebés pode ter um problema, que se prende com o alinhamento dos furos. Não se consegue prever com exactidão como é que as orelhas vão crescer com o tempo, o que pode vir a desalinhar os brincos. Apesar de geralmente isso não se revelar um grande problema, há alguns casos em que a diferença é notória, o que pode condicionar problemas estéticos. 
Por fim, uma palavra apenas em relação às alergias. Mesmo os brincos de ouro, que têm muito menos probabilidade de fazer reacção, podem provocar algumas alergias, pois quando se fura a orelha vai-se permitir que o seu interior contacte com um metal com o qual não é suposto contactar. Uma coisa é esse contacto acontecer na pele, outra é através de estruturas internas da própria orelha, o que pode aumentar bastante o risco de alergias.
Assim, não há propriamente nenhuma indicação "formal" sobre a idade certa, pelo que acho que esta acaba por ser uma decisão muito pessoal. No entanto, o importante é ter algum conhecimento e pesar os "prós" e os "contras" das diferentes opções e, a partir daí, decidir da forma que lhe parecer mais acertada. Uma coisa é certa: a sua filha vai continuar a ser a bebé mais bonita do mundo, com ou sem brincos!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Dia 3 de Julho vou estar na SIC!

Na próxima quinta-feira (3 de Julho) vou estar no programa "Queridas Manhãs" (com apresentação de Júlia Pinheiro e João Paulo Rodrigues) na SIC.
Não perca!


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Outro mito - "Os bebés pequenos ficam aguados se não provarem a comida dos pais (e dos avós!)"

Muitas vezes esta ideia de que os bebés ficam "aguados" serve para justificar muitos disparates que se fazem com a alimentação, alguns dos quais podem ter consequências graves para a saúde.
Por volta dos 4 meses todos os bebés olham para os adultos quando estão a comer, mas isso não quer dizer que eles estejam a "aguar". Nesta idade, a boca é o que lhes chama mais a atenção (olham para a boca de quem está a falar, levam sempre as mãos à boca, ...), pelo que ficam curiosos quando alguém come, apenas porque está a usar a boca. Nós é que interpretamos de maneira diferente porque sabemos o que estamos a fazer, mas eles não sabem!
Claro que há sempre alguém que diz: "Coitadinho do menino, dá-lhe só um bocadinho para ele não reparar, não lhe faz mal nenhum". Apesar de na maior parte das vezes correr bem, esta atitude acarreta um risco enorme do bebé fazer uma reacção alérgica grave, que pode ter consequências desastrosas, mesmo que seja "só um bocadinho para provar".
Assim, acho que não vale a pena correr riscos, pelo que deve esperar que o seu filho cresça para ir experimentando os diferentes alimentos nas idades adequadas. Vai ver que em pouco tempo ele acaba por comer de tudo e, acima de tudo, poderá fazê-lo em segurança!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O que é a sinusite?

A sinusite é a inflamação dos seios perinasais, que são umas cavidades que existem na nossa face, dentro dos ossos. Têm como principal função ajudar no processo de fonação, ou seja, de formação do nosso timbre vocal.
Quase sempre tem uma causa infecciosa, embora haja alguns casos que estão relacionados também com alergias. Na maior parte das vezes são situações agudas, o que quer dizer que surgem de forma mais ou menos rápida e que duram apenas alguns dias. Os seus sintomas são variados, mas podem incluir obstrução nasal, dores de cabeça, olhos lacrimejantes, dificuldade em lidar com a luz e sensibilidade dentária, entre outros. Não é muito fácil distinguir uma sinusite vírica de uma bacteriana e é por isso que muitas vezes o tratamento passa por um antibiótico, para além de um anti-histamínico e medidas que possam ajudar a promover uma mais eficaz higiene nasal.
É frequente sermos confrontados com a ideia (errada) de que a sinusite é uma doença crónica. Na verdade isso é muito pouco habitual, pois é uma situação infecciosa que, após tratamento adequado, acaba por passar. Claro que pode surgir novamente, mas é raro que se mantenha de forma crónica.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O que é a paralisia cerebral?

Não é fácil abordar este tema da forma resumida como costumo fazer aqui no blogue, mas vou tentar.
A paralisia cerebral é uma alteração neurológica que obedece a dois pressupostos:
  1. a lesão cerebral que lhe dá origem não progride com o tempo, ou seja, é estática
  2. tem que haver, obrigatoriamente, um atingimento motor (movimentos e/ou postura), embora possam também surgir manifestações de outros tipos
Trata-se de uma situação que tem uma conotação muito "pesada" para os pais, pelo que se torna imprescindível esclarecer alguns aspectos.
O primeiro prende-se com a origem do problema. Apesar de tradicionalmente associada a partos "difíceis", a paralisia cerebral tem, na maior parte das vezes, uma origem pré-natal, ou seja, antes do nascimento. Podem ser doenças maternas que acabam por atingir o feto, doenças do próprio bebé, que têm já manifestações in utero, infecções que ocorram durante a gravidez ou tantas outras causas possíveis que possam acontecer. Existem alguns factores de risco identificados, mas cerca de metade dos casos não apresenta nenhum deles.
Nem sempre se consegue diagnosticar logo ao nascimento, excepto em casos muito graves, porque muitas vezes os sinais vão surgindo apenas ao fim de alguns meses de vida, conforme o bebé se vai desenvolvendo e dando mais "pistas".
Um conceito fundamental a reter é que a paralisia cerebral não tem, obrigatoriamente, que ser muito grave. Há muitos casos em que as manifestações são ligeiras e é possível uma vida perfeitamente autónoma e sem grandes restrições. No entanto, há também casos em que o quadro é mais complexo, o que limita as aquisições das crianças em termos de desenvolvimento.
O tratamento passa pela intervenção multidisciplinar, com múltiplas terapias (ajustadas a cada caso) e, independentemente do "rótulo" ou do diagnóstico de certeza da causa da paralisia cerebral, o mais importante é sempre tentar iniciar a intervenção e estimulação o mais precocemente possível.
Por fim, gostaria apenas de realçar que mesmo os meninos com atraso de desenvolvimento têm metas a atingir e têm as suas conquistas diárias, tal como todas as crianças. O ritmo pode não ser o mesmo e as metas também não, mas devemos sempre zelar para que todas as crianças continuem a progredir no seu desenvolvimento, da melhor forma possível.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Amanhã vou estar na SIC Mulher

Amanhã, dia 17/6, vou estar no programa "Mais Mulher" na SIC Mulher, entre as 17:30 e as 18:30.
Não perca!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A minha filha tem os pequenos lábios "colados" - o que faço?

É muito frequente as meninas terem os pequenos lábios da vagina colados, o que dá a impressão de que está se encontra "tapada", a chamada coalescênca dos pequenos lábios.
Esta situação é mais ou menos equivalente ao que acontece com os meninos, quando a pele do pénis se encontra colada. Não acarreta nenhum risco particular, embora dificulte a higiene, como é fácil de perceber. 
Há alguns estudos que falam num risco aumentado de infecções urinárias nestes casos, mas isso não está provado de forma muito clara.
De qualquer forma, a solução não é muito complicada: deve-se tentar ir abrindo no banho, sempre sem forçar para não magoar. Pode ainda ser útil o recurso a um creme com estrogénios (hormonas femininas), embora isso não seja absolutamente necessário. Na consulta pode-se fazer um descolamento "forçado", mas tal não costuma ser a prática mais corrente, porque é bastante desconfortável para a criança.
De qualquer das formas, esta é uma das situações que tem tendência a resolver com o tempo, embora por vezes seja útil dar "uma mãozinha" e acelerar o processo.

sábado, 31 de maio de 2014

O que é a doença de pé-mão-boca?

Desde o ano passado que temos sido "inundados" no meu hospital por casos desta doença, pelo que me parece muito oportuno abordar este tema.
A doença de pé-mão-boca é um tipo específico de "virose", causada por um vírus chamado Coxsackie. Caracteristicamente (e como o próprio nome indica), provoca o aparecimento de "manchinhas" na pele, muitas delas com pequenas bolhas de água, que se localizam preferencialmente nos pés, mãos (incluindo a região das palmas e plantas) e boca. As lesões são bastante parecidas com as da varicela, mas distinguem-se destas pela sua distribuição corporal. Podem causar comichão e, por vezes, estão também associadas a febre. É frequente ainda as crianças apresentarem alguma recusa alimentar, por dor ao mastigar e engolir os alimentos.
A doença evolui ao longo de 2-3 dias, podendo as "manchinhas" estender-se a outras partes do corpo (nádegas e membros). Ao fim desse tempo, as pequenas bolhas evoluem para crostas e depois acabam por desaparecer (o processo pode levar cerca de 1 semana até estar concluído).
Trata-se de uma situação que não causa imunidade, ou seja, pode aparecer mais do que uma vez em cada criança.

O que é a candidíase perineal?

A candidíase perineal é uma infecção da pele causada por um fungo, a Candida albicans. Surge geralmente em bebés pequenos, na zona da fralda, pois os fungos gostam particularmente de ambientes quentes e húmidos.
Caracteriza-se por um aspecto avermelhado/inflamado da pele, que se acompanha pelo surgimento de borbulhas (muitas vezes com uma extremidade branca), que se vão como que "afastando" da pele afectada.
O contágio faz-se apenas pelo contacto com a área atingida, pelo que uma boa higiene das mãos será a principal medida a adoptar nestes casos.
O tratamento passa pela aplicação local de uma pomada antifúngica, que deve ser sempre sujeita a aconselhamento médico. Este deve durar cerca de 2-3 semanas, para garantir a erradicação do fungo e diminuir a probabilidade de recaída.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pode-se colocar peixe congelado na sopa dos bebés?

Pode, sem problema.
Geralmente os produtos ultracongelados são submetidos a muitos controlos de qualidade, pelo que são uma boa opção para a sopa dos bebés. Para além disso, existem apresentações que não trazem espinhas (lombinhos de pescada, por exemplo), que acabam até por ser mais seguras.
Claro que o sabor do peixe congelado não é igual ao do peixe fresco e isso ninguém consegue negar. No entanto, enquanto for utilizado apenas para colocar na sopa (e mesmo depois), não me parece que isso seja um grande problema, pois os bebés não vão estar propriamente a degustar o peixe.
Sendo assim, parece-me que a utilização de peixe fresco ou ultracongelado passa mais por uma questão pessoal do que por uma decisão médica.
Decida como gostar mais, sem grandes preocupações...