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segunda-feira, 31 de março de 2014

O meu filho ressona muito - devo preocupar-me?

As vias respiratórias das crianças são geralmente mais estreitas do que as dos adultos, pelo que é relativamente frequente que elas ressonem. Se a isto acrescentarmos o facto de muitas delas estarem sempre "constipadas", a probabilidade de ressonar é ainda mais elevada.
No entanto, há algumas situações que requerem observação médica, das quais destaco as seguintes:
  1. associação a períodos em que a criança pára de respirar durante o sono (apneias) - implica uma observação urgente por um otorrino
  2. quando a situação se mantém mesmo fora dos períodos de infecção respiratória
  3. quando a criança anda muito irritada ou sonolenta durante o dia
Tirando estes casos, a maior parte das situações em que as crianças ressonam não levanta nenhum tipo de problema em particular e deve merecer apenas uma vigilância de rotina.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O meu filho tem o nariz alaranjado - é normal?

Não é raro que os bebés fiquem com o nariz e as palmas das mãos alaranjados, o que muitas vezes causa alguma estranheza aos pais.
Na verdade, isso deve-se quase sempre à deposição de um pigmento (chamado beta-caroteno) que está presente nas cenouras, abóboras e outros legumes "coloridos" e que se deposita na pele. Como a sopa da maior parte dos bebés tem grande quantidade destes legumes, esta acaba por ser uma situação relativamente frequente. 
Não tem propriamente risco para a saúde da criança, pelo que se trata de um problema essencialmente "estético". A solução é simples e passa por reduzir a ingestão destes alimentos, o que reverte rapidamente a situação.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Pode-se ter animais de estimação quando se tem um bebé em casa?

A resposta não é difícil: claro que sim!
São poucas as situações que contraindicam a presença de um cão ou gato em casa quando se tem um bebé mas, no entanto, há sempre alguns aspectos que são importantes de reforçar:
1 - a segurança do bebé tem que estar garantida (por muito dócil que seja o animal, não deixa de ser isso mesmo: um animal)
2 - deve-se desparasitar e vacinar correctamente (segundo indicação do veterinário) o cão ou o gato
3 - deve-se vigiar o comportamento das crianças com o animal, porque por vezes elas são um pouco agressivas (puxam pêlos, patas, a cauda, ...)
4 - deve-se reforçar a importância da lavagem das mãos depois de mexer no animal, bem como garantir que as regras de higiene básicas não são muito ultrapassadas (lamber a cara, beijos no focinho, ...)
Geralmente questionam-me muito sobre a possível alergia ao pêlo, mas actualmente a maior parte dos estudos até parece demonstrar que há algum benefício no contacto precoce, porque parece induzir alguma tolerância nas crianças. Assim, exceto nos casos em que há uma alergia confirmada, na maior parte das vezes não existe nenhum tipo de contraindicação à convivência entre animais e crianças, que é até benéfica em termos de desenvolvimento.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sangue nas fezes - é sempre preocupante?

A presença de sangue nas fezes é algo que transtorna sempre muito os pais. No entanto, salvo nalgumas excepções, raramente é um sintoma muito preocupante.
Os principais quadros que originam a presença de sangue nas fezes são os seguintes:

  1. gastroenterite aguda - muitas vezes as fezes ficam mais ácidas e, por esse motivo, mais agressivas para a pele do ânus e da parte final do intestino, o que leva ao surgimento de pequenas lesões. Assim, é relativamente frequente a presença de sangue, particularmente naquelas crianças que apresentam diarreias muito abundantes
  2. obstipação (prisão de ventre) - se as fezes forem muito duras podem magoar o ânus ao sair, provocando pequenas feridas/fissuras. Para além do sangue nas fezes, estas situações causam também dor intensa
  3. alergias alimentares - por vezes a inflamação causada por uma alergia alimentar (proteínas do leite de vaca ou outras partículas) origina a perda de sangue nas fezes, que geralmente se acompanha também de muco
Existem muitas outras causas para este sintoma, mas elas acabam por ser bastante mais raras do que as que listei. Assim, sempre que as queixas não se enquadrarem numa das opções descritas acima, a avaliação médica e investigação correcta são imprescindíveis.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O que é o cancro?

Em Medicina, poucos nomes assustam tanto quanto este, o que é particularmente agravado se estivermos a falar de crianças. Assim, achei que seria interessante escrever um pouco sobre o que é, em termos científicos, o cancro.
Todos nós somos compostos por células, que são pequenas partículas vivas que, todas juntas, formam os órgãos. Podem ter funções completamente diferentes umas das outras e uma das muitas características que as distinguem é a sua capacidade de divisão. Assim, há tecidos e órgãos que se conseguem regenerar facilmente e outros em que isso não acontece. É a programação genética das células que dita essa diferença…
Por vezes, podem ocorrer mutações nos genes que vão alterar a capacidade de divisão celular, o que se vai reflectir na sua sobrevivência. Deste modo, podem adquirir a capacidade de se dividirem sem controlo ou então perder a capacidade de morrerem quando programado, o que vai fazer com que se acumulem. Isto leva a que invadam os tecidos “vizinhos” e, eventualmente, com que matem as células que lhes estão próximas. Este aspecto condiciona uma destruição progressiva, com as respectivas consequências.
No fundo, se quisermos ser simplistas, o cancro é isto. É a divisão desregulada de células que, não sendo controlada, vai levar à sua acumulação e à destruição das células “boas”. Uma vez que é composto por partículas do próprio organismo, torna-se difícil combatê-lo eficazmente sem ser tóxico para as restantes e esse é um problema que todos os dias tenta ser controlado com o trabalho dos investigadores que se dedicam a esta área.

O que são hormonas?

As hormonas são uma espécie de "mensageiros", que servem para colocar os nossos órgãos a comunicar entre si. São produzidos por glândulas que, no seu conjunto, formam o sistema endócrino. Algumas dessas glândulas são a hipófise, tiróide, pâncreas, glândulas supra-renais e ovários, entre outros. O outro grande sistema de controlo corporal é o sistema nervoso, mas aí os "mensageiros" são outros - os neurotransmissores.

De um modo geral, pode-se afirmar que as hormonas servem para controlar a actividade das nossas células, ou seja, o seu metabolismo. Depois de produzidas são enviadas para a corrente sanguínea, sendo assim transportadas para os seus locais de acção, pois geralmente actuam "à distância". Este mecanismo é controlado de forma muito apertada através de um sistema que "mede" a quantidade de hormona disponível no sangue e, se for muita, o organismo diminui a produção, enquanto se for pouca vai aumentá-la. A isto chama-se "feedback negativo".
Há algumas situações em que a produção está desregulada e, nesses casos, tem que se administrar hormonas para compensar (insulina na diabetes e hormona tiroideia nalgumas doenças da tiróide, entre outros).