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domingo, 27 de abril de 2014

Livro "Pediatra para todos"

Há algum tempo atrás fui "desafiado" pela editora Verso de Kapa para escrever um livro dedicado a pais e, após cerca de 3 meses de trabalho, ele está prestes a sair...
Vai estar disponível nas bancas já a partir do dia 2 de Maio, pelo que agradecia a vossa divulgação, se assim o entenderem.
Estamos tmbém a organizar uma cerimónia de lançamento, que vai ser no Porto (Fnac do Norte Shopping) e que eu em breve anunciarei o dia e hora, para quem quiser poder estar presente.



Eis a sinopse do livro:

Não há altura na vida em que a insegurança seja maior do que quando se tem um filho. Por isso, se alguém me perguntar qual é a maior preocupação dos pais, acho que a resposta é o medo de errar. Assim, torna-se útil recorrer a uma ajuda externa e por isso hoje em dia ser pediatra vai muito para além de ser apenas um bom tratador de doenças. O objetivo não é o de substituir os pais, mas estar disponível para dar algumas orientações e antecipar alguns dos problemas que possam surgir.
É com essa finalidade que surge este livro… Não pretendo substituir a observação médica, mas antes tentar transmitir alguns conceitos que me parecem fundamentais.
No primeiro capítulo vai encontrar uma série de respostas às perguntas mais frequentes que me colocam nas consultas.
O segundo capítulo é dedicado à alimentação, uma área em que a diversidade de opiniões é muito grande. Procurei reunir as orientações das principais sociedades pediátricas internacionais e transmiti-las de uma forma simples e prática.
No terceiro capítulo abordo alguns dos sintomas mais frequentes e, acima de tudo, quais os sinais de alerta para cada situação.
Por fim, vai encontrar um resumo das doenças mais comuns em pediatria, e as diferentes opções de tratamento.
O último capítulo está reservado para os “Mitos da cultura popular (e não só)”, onde tento avaliar, do ponto de vista científico, qual a veracidade dos mais frequentes conceitos populares que tão habilmente passam de geração em geração.
Acima de tudo, espero conseguir ser-lhe útil!

sábado, 26 de abril de 2014

O que é uma infecção respiratória "alta"?

Este é um termo muito utilizado por nós, médicos, e que importa esclarecer.
Uma infecção respiratória "alta" é, basicamente, uma infecção que não atinge nem os brônquios nem os pulmões. Pode afectar o nariz, os seios perinasais, as estruturas respiratórias que se localizam no pescoço (faringe e laringe), mas não "desce" mais. O principal exemplo deste tipo de infecção são as vulgares constipações e outras infecções víricas que afectam as nossas crianças no inverno (hemisfério norte). 
Geralmente causam tosse, nariz "entupido" e algumas dificuldades na alimentação. Apesar de frequente, nem sempre se acompanham de febre.
O tratamento passa pelo reforço da higiene nasal (com o recurso a sprays de água do mar e aspiradores nasais, nos mais pequenos), podendo também ser útil a utilização de um anti-histamínico para ajudar a produzir menos secreções.
Habitualmente a tosse dura cerca de 2-3 semanas e piora à noite, porque se deve à escorrência das secreções do nariz.
Tal como referi anteriormente, são situações extremamente comuns, particularmente no primeiro ano de Creche / Jardim de Infância e, quando provocadas por vírus (a esmagadora maioria), não levantam grandes preocupações, para além do desconforto que provocam às crianças e, claro, aos pais e mães.

terça-feira, 15 de abril de 2014

O cordão umbilical do meu filho caiu muito cedo - é preocupante?

Geralmente o cordão umbilical cai na primeira semana de vida, mas muitas vezes acaba por cair no 2º-3º dia e isso não tem mal nenhum. Aliás, atrevo-me até a dizer que "quanto mais cedo, melhor"...
O que é preocupante é quando ele cai após a 3ª semana, pois aí implica uma avaliação adicional, para se tentar perceber como estão as defesas do organismo. Claro que até pode ser pelo facto do cordão ser excepcionalmente largo, mas o ideal é ser prudente nessas situações e descartar tudo correctamente. O intervalo entre a 2ª e a 3ª semanas é uma zona "cinzenta", em que a avaliação se deve fazer caso a caso.
Nunca é demais relembrar que para o cordão cair tem que o manter o mais seco possível, de forma a permitir que o organismo consiga separá-lo eficazmente, sem grande risco de infecção.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O meu filho está sempre a ranger os dentes - é normal?

Quando começam a aparecer os dentes aos bebés, quase todos passam por esta fase. Como estão a descobrir algo novo, que até então não tinham, gostam de experimentar raspar os dentes uns nos outros (chama-se a isto bruxismo), porque acham piada. Para além disso também faz barulho, o que torna tudo ainda mais divertido... Muitas vezes fazem-no também de noite, quando estão a dormir.
Claro que para nós, adultos, isso não tem graça nenhuma e chega até a incomodar. De qualquer forma, não há muito a fazer, a não ser esperar que o seu filho se "farte" e pare por si próprio. Nos adultos pode-se (e deve-se) colocar umas protecções nos dentes chamadas "goteiras", que servem para não destruir o esmalte mas, como é lógico, isso não se faz com crianças pequenas.
Muitas vezes, quando nascem os dentes de trás (molares), eles voltam outra vez a fazer o mesmo, mas depois acaba por passar.
Não é muito agradável de ouvir mas, se só acontecer nos primeiros 1-2 anos de vida, não tem mal nenhum para o bebé. Só merece uma atenção particular se se prolongar durante a infância, porque aí pode mesmo levar a um grande desgaste dos dentes.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O meu filho está sempre com as mãos na boca - serão dentes?

Esta é, sem dúvida, uma das perguntas mas frequentes na consulta dos 4 meses e quase sempre a resposta é: "em princípio não"...
A partir dos 2-3 meses de idade, todos os bebés começam a explorar as mãos com a boca, o que também faz com que se babem imenso e é daí que vem a associação aos dentes. Na esmagadora maioria dos casos, os dentinhos só começam a surgir a partir dos 6 meses, embora por vezes possam aparecer mais cedo.
De qualquer das formas, quando começarem a romper a única coisa que tem que fazer é começar a lavar, tal como já expliquei num post anterior.
Importa ainda esclarecer que esta fase de levar as mãos à boca dura bastantes meses e, sinceramente, não vale muito a pena contrariar, porque é uma verdadeira "guerra perdida". A única excepção é se vir o seu filho a "chuchar" no dedo, porque aí sim, acho que lhe deve tirar a mão da boca, para ver se ele não se habitua.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A partir de que idade é que se devem estabelecer rotinas aos bebés?

Não é fácil responder a esta pergunta, porque as opiniões são diversas e, como seria de esperar, são de todos os tipos possíveis e imaginários.
No entanto, como em tudo na vida, também aqui acho que deve imperar o bom senso.
Se formos realistas, facilmente nos apercebemos que o dia-a-dia dos bebés é "saltar" de mamada em mamada, pelo que se torna muito difícil implementar qualquer tipo de rotina.
Pode-se (e deve-se) fazer com que eles percebam o que é o dia e o que é a noite, mas mais do que isso não é fácil. O único momento diferente que nos pode quebrar um pouco a rotina é o banho, mas fora isso, o dia acaba por ter todas as partes muito semelhantes.
No entanto, quando se começa a introduzir outros alimentos (entre os 4 e os 6 meses), começamos a demarcar claramente um momento diferente do dia, que se vai acentuar à medida que se adicionam refeições diferentes à criança (relembro que por volta dos 7 meses devem ser feitas 2 sopas/dia mais, eventualmente, uma papa). Deste modo, parece-me que este processo de diversificação alimentar é, claramente, a melhor altura para começar a criar rotinas nos bebés e é isso mesmo que costumo aconselhar...