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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quando os bebés são pequenos pode-se partir os supositórios para a dose ser menor?

Não!
Esta é uma ideia errada que se vai mantendo de forma mais ou menos constante (vá-se lá saber porquê), mas que é fundamental clarificar.
A distribuição do medicamento ao longo do supositório pode não ser uniforme, pelo que nunca sabemos quanto é que estamos a tirar ao certo quando o cortamos. Ao cortar metade, pode até não retirar medicamento quase nenhum ou então retirá-lo todo. Para além disso, a própria medição de cortar um terço ou um quarto do supositório é um pouco "a olhómetro" e com muito pouco rigor.
Assim, a melhor opção é mesmo utilizar um xarope em vez do supositório, particularmente nos bebés pequenos, pois só assim conseguimos calcular ao certo a dose de medicamento que estamos a dar.
Já agora, outro conselho: não utilize como medida uma colher "de café", "chá", "sobremesa" ou "sopa", porque os faqueiros são todos diferentes. O ideal é utilizar uma seringa para medir ao certo a quantidade de xarope e não correr o risco de dar a mais nem a menos. O trabalho que dá é o mesmo, mas acaba por ser muito mais fiável.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os bebés devem dormir na cama dos pais?

Não!
Apesar de haver algumas teorias mais "fundamentalistas" do aleitamento materno que defendem que os bebés devem dormir ao lado da mãe, na mesma cama, para se irem "servindo" quando tiverem fome, essa não é a prática mais recomendada.
Hoje em dia há bastantes estudos que demonstram que essa opção é um factor de risco para o Síndrome da Morte Súbita do lactente (ver post sobre esse assunto), o que é, só por si, suficientemente forte para desaconselhar esta prática. Não se sabe muito bem o porquê desta associação, mas é algo que se vai observando com frequência e de forma bastante consistente.
Claro que há bebés mais difíceis para dormir e o facto de estarem na cama dos pais acaba por funcionar bastante bem porque eles adormecem melhor, mas geralmente para os pais isso não facilita muito a vida, pois acabam por dormir mal com medo de se virarem para cima do bebé.
Por outro lado, também concordo que é muito agradável sentirmos os nossos filhos ao nosso lado, mas isso pode-se fazer de manhã, durante um bocadinho e não é preciso que se faça durante a noite, enquanto dormem.
Cada um tem o seu espaço e acho que isso deve ser respeitado logo desde o nascimento, até para não abrir precedentes que mais tarde são muito difíceis de ultrapassar!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A partir de que idade é que se pode começar a colocar os bebés sentados?

A partir da idade que quiser...
No entanto, é importante perceber que os bebés só têm capacidade para se aguentar sentados sozinhos a partir dos 6 meses, pelo que antes disso é sempre fundamental colocar alguns apoios (almofadas) por trás e de lado.
Há muitas vezes a ideia (errada) de que quando se começa a sentar os bebés pequenos a coluna pode "entortar" porque é "muito frágil". Isso não é verdade nem tem nenhum tipo de fundamento, pois tal como para tudo o resto, se ele estiver desconfortável vai chorar e aí os pais pegam nele ao colo. 
De qualquer forma, volto a frisar que se calhar antes dos 4-5 meses ele não vai achar grande piada, pois não tem equilíbrio nem força muscular suficiente para se aguentar de forma mais ou menos estável.
A partir dessa idade pode e deve ir sentando, para ajudar a conquistar o equilíbrio necessário e, a partir do momento em que se começa a aguentar sozinho (em regra, por volta dos 7 meses, embora os livros digam 6 meses), ele próprio não vai queres ficar deitado, pelo que já vai ser ele a "mandar".
Por fim irá aprender a gatinhar ou andar e, a partir dessa altura, só vai querer estar no chão. Como vê, é tudo muito rápido, portanto tente aproveitar ao máximo todas as etapas e não perca muito tempo com preocupações sem fundamento!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Novo mito - Pode-se cortar o cabelo ou as unhas enquanto se faz a digestão?

Claro que sim!
Não existe nenhum motivo para não se poder cortar o cabelo ou as unhas depois de comer. Aliás, nem percebo muito bem de onde é que surgiu esta ideia, já que não tem nenhum tipo de fundamento.
Quando os bebés são pequenos, estas são duas tarefas que podem ser um pouco difíceis de realizar, pelo que é muitas vezes útil esperar que eles estejam a dormir para se poder "trabalhar" em paz. Como é frequente os bebés dormirem depois de comer, esta é até uma altura em que muitas vezes se decide cortar unhas ou mesmo o cabelo, pelo que pode ficar descansado: o seu filho não vai ter nenhuma "congestão" ou "paragem de digestão".
Pode ficar descansado...

terça-feira, 8 de julho de 2014

Vacina contra o meningococo B - NOVIDADE

Saiu este mês para o mercado português uma nova vacina (nome comercial - Bexsero), que previne contra as meningites provocadas por uma bactéria chamada meningococo B.
É uma doença muito agressiva, que muitas vezes tem um mau prognóstico, pelo que me parece extremamente positivo conseguir preveni-la através de uma vacina.
O único "inconveniente" é o preço, que actualmente é de cerca de 98€ por cada dose mas, no meu entender, trata-se de um bom investimento na saúde das nossas crianças, sempre que for possível realizá-lo.
O esquema de administração varia consoante a idade de criança, conforme está descrito na tabela que apresento a seguir.


Em caso de dúvida, converse com o médico assistente do seu filho sobre esta importante vacina, pois acho que será a pessoa mais adequada para o poder aconselhar.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A minha passagem nas "Queridas manhãs" (SIC)

Foi no dia 3 de Julho que tive o prazer de ir ao programa "Queridas manhãs" na SIC, falar um pouco do meu livro e, principalmente de alguns mitos da cultura popular.

Aqui fica o link do vídeo para quem não viu:




sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vale a pena comprar alcofa?

Não é fácil responder a esta questão de forma muito objectiva, mas vou ver se consigo.
No meu entender, a alcofa não é um "utensílio" imprescindível quando se vai ter um filho, pois pode perfeitamente ser substituída pela babycoque e berço. Assim, vou tentar explicar o meu ponto de vista para cada um dos contextos em que o bebé está inserido:

  • Casa:
    • por vezes a alcofa é utilizada como um substituto do berço nos primeiros tempos de vida e, apesar de não ser propriamente errado, não é a melhor solução
    • concordo que é mais confortável para o bebé do que a babycoque, mas aí acho que se o colocar numa espreguiçadeira ou numa mantinha enquanto brinca com ele acaba por fazer o mesmo efeito
  • Automóvel:
    • não é, de todo, a melhor opção, mesmo que esteja homologada, excepto se permitir o transporte "de costas" (algumas são "convertíveis" em babycoque e essas sim, podem ser úteis)
    • excepto em casos de grandes prematuros ou malformações da coluna, a babycoque deve ser sempre a opção
  • Carrinho de passeio:
    • também aqui concordo que a alcofa possa ser um pouco mais confortável e é, de facto, a única situação em que eu acho que pode ter algum benefício (embora a maior parte dos bebés goste muito de estar na babycoque, porque se sentem confortáveis)
Posto isto, não me parece que a alcofa seja indispensável e, uma vez que a maternidade é uma altura em que se gasta muito dinheiro, pode ser uma ajuda para gerir o seu orçamento. De qualquer forma, se quiser comprar não me parece nada mal, porque provavelmente vai mesmo acabar por utilizá-la (se calhar não vai é durar tanto tempo como provavelmente imagina, porque o seu filho vai crescer muito depressa nos primeiros tempos). No entanto, é importante ressalvar que deve sempre preferir as alcofas rígidas às moles, pois são bastante mais seguras.

Quando se deve furar as orelhas à crianças?

Apesar de esta não ser uma questão estritamente "médica", é um assunto que muitas vezes os pais perguntam nas consultas.
Como seria de esperar, não existe propriamente uma idade certa a partir da qual se possa furar as orelhas às crianças, mas é importante ter em atenção alguns princípios.
O primeiro (e o mais óbvio de todos) é escolher o local onde se vai fazer. Tem que ser um estabelecimento que garanta a higienização correcta dos aparelhos e utensílios, para não se correr o risco de transmissão de doenças.
Em segundo lugar, temos o comportamento da criança. Aqui acho que as idades mais precoces acabam por ser mais "fáceis", pois dão menos luta e mexem-se menos. Há inclusivamente locais onde furam as orelhas às bebés logo ao nascimento, precisamente porque é mais fácil nessa altura. No entanto, furar as orelhas em bebés pode ter um problema, que se prende com o alinhamento dos furos. Não se consegue prever com exactidão como é que as orelhas vão crescer com o tempo, o que pode vir a desalinhar os brincos. Apesar de geralmente isso não se revelar um grande problema, há alguns casos em que a diferença é notória, o que pode condicionar problemas estéticos. 
Por fim, uma palavra apenas em relação às alergias. Mesmo os brincos de ouro, que têm muito menos probabilidade de fazer reacção, podem provocar algumas alergias, pois quando se fura a orelha vai-se permitir que o seu interior contacte com um metal com o qual não é suposto contactar. Uma coisa é esse contacto acontecer na pele, outra é através de estruturas internas da própria orelha, o que pode aumentar bastante o risco de alergias.
Assim, não há propriamente nenhuma indicação "formal" sobre a idade certa, pelo que acho que esta acaba por ser uma decisão muito pessoal. No entanto, o importante é ter algum conhecimento e pesar os "prós" e os "contras" das diferentes opções e, a partir daí, decidir da forma que lhe parecer mais acertada. Uma coisa é certa: a sua filha vai continuar a ser a bebé mais bonita do mundo, com ou sem brincos!