Translate

Etiquetas

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Com que idade é que o meu filho pode... ?

Este foi o tema da minha rubrica no programa "Queridas Manhãs" deste mês e abordamos uma série de assuntos diversos, tais como:
- Com que idade é que o meu filho pode...

  • Andar de avião?
  • Ir à praia?
  • Começar a lavar os dentes?
  • Ir ao dentista?
  • Fazer análises de rotina?
Se não viu, pode fazê-lo no seguinte link:



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

As crianças devem aprender a ler no ensino pré-escolar?

Este é um tema muito "quente" e que levanta grandes discussões e, para o qual, as respostas dividem-se bastante.
Com base num estudo americano que revela que cada vez as crianças aprendem a ler mais cedo, saiu no dia 23 de Dezembro um artigo no "Diário de Notícias" sobre este assunto e para o qual eu também colaborei.
Se não o leu, pode fazê-lo no seguinte link:




sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O que significa intercalar os medicamentos para a febre?

Intercalar os medicamentos para a febre (paracetamol com ibuprofeno) é uma prática muito comum e que, precisamente por esse motivo, merece ser analisada.
Primeiro, importa perceber como o fazer. De um modo geral, o primeiro medicamento a utilizar para a febre é o paracetamol, que pode ser dado com intervalos de 6 horas ou mais entre tomas. Isto significa que se a criança fizer febre com intervalos menores do que 6 horas é preciso recorrer a uma alternativa. Geralmente utiliza-se o ibuprofeno (para bebés e crianças com mais de 6 meses de idade), que pode ser administrado com intervalos de 8 horas entre tomas. Posto isto, o que se costuma fazer é intercalar estes dois medicamentos a cada 4 horas (sempre em SOS, ou seja, quando a crianças fizer febre), de forma a permitir uma melhor cobertura do dia da criança. Na prática, o intervalo entre duas tomas do mesmo medicamento é de 8 horas, o que faz com que se cumpra o intervalo de segurança recomendado (exemplo: dá primeiro o paracetamol, passadas 4 horas o ibuprofeno, passadas outras 4 horas novamente o paracteamol, ao fim de outras 4 horas o ibuprofeno e assim por diante).
Por fim, importa esclarecer se vale a pena fazê-lo. A maioria dos estudos não demonstra grande benefício neste procedimento, mas também não tem grande inconveniente fazê-lo e, assim, acaba por ser possível controlar a maior parte das situações de febre, o que alivia o desconforto das crianças e também (um pouco) a angústia dos pais.

A próxima segunda-feira é a última do mês

O mês de Dezembro está a chegar ao fim e a próxima segunda-feira é já a última do mês.
Por esse motivo vou estar, como habitualmente, no programa "Queridas Manhãs" da SIC.
Qual será o tema desta vez?
Não perca!


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!

Desejo a todos os leitores deste blogue um óptimo Natal, recheado de sorrisos e muita Felicidade!




Para um Natal mais seguro...

Aqui ficam algumas sugestões da APSI para ter e proporcionar um Natal mais seguro às suas crianças.
De uma vista de olhos e aproveite para corrigir alguma situação que não esteja adequada.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A partir de que idade é que as crianças podem beber leite de vaca?

Hoje em dia existem recomendações das principais sociedades científicas sobre a introdução do leite de vaca ("de pacote") na alimentação das crianças, pelo que a resposta a esta questão acaba por ser mais ou menos clara.
Introduzir esse tipo de leite antes dos 12 meses de idade é neste momento considerado errado, pelo que é algo completamente desaconselhado.
A partir daí é permitido, embora o ideal seja manter o leite materno ou então um leite adaptado ("em pó") até aos 3 anos, uma vez que é um período em que ocorre um grande crescimento e desenvolvimento das crianças. As principais vantagens do leite adaptado relativamente ao leite de vaca são as seguintes:
- tem menos proteínas
- as proteínas que tem são mais adequadas ao crescimento das crianças
- é suplementado em ferro
Apesar de não ser o ideal, se mesmo assim a opção for a de introduzir o leite de vaca, deve-se preferir um leite gordo até cerca dos 2 anos e depois passar para um leite meio gordo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O meu filho anda com os pés para dentro - é normal?

É muito frequente as crianças pequenas andarem com os pés "metidos para dentro" e, na maior parte das vezes, isso deve-se apenas a uma postura incorrecta quando se sentam.
Geralmente as crianças sentam-se com as pernas voltadas para trás, como se formassem um "W" (ver figura ao lado) e isso faz com que as pernas rodem para dentro, o que se reflecte nesse andar característico.
A solução é muito simples e passa apenas por ensiná-las a sentar-se com as pernas cruzadas à frente ("à chinês"), de forma a evitar essa rotação interna das coxas. Não é uma posição de que as crianças pequenas gostem muito, mas depois de insistir um pouco elas acabam por aceitar.
Salvo raras excepções, é uma situação que não precisa de nenhum tratamento especial, sejam palmilhas, fisioterapia ou sapatos ortopédicos e tem tendência a resolver completamente com o tempo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Algumas reflexões sobre o Natal...

Nesta altura do ano há sempre um reforço dos ideais da Família e isso é algo que tem obrigatoriamente que ser aproveitado. É por esse motivo que faz sentido parar um pouco e pensar como é que podemos usufruir ainda melhor do Natal e, mais importante, como é que podemos estender essa "onda positiva" para todos os outros dias.
Aqui ficam alguns pontos de reflexão que me parecem importantes.

  1. Explique o verdadeiro sentido do Natal aos seus filhos desde que são pequenos - o Natal não é a festa dos presentes, mas sim a festa da Família!
  2. Tente passar mais tempo em família - não deve ser só no Natal, mas nesta altura acho que faz ainda mais sentido. Isto implica desligar televisões, telemóveis e tablets e sentar-se no chão com os filhos a brincar com as regras deles. É algo que deve ser feito sempre e que é imprescindível para o desenvolvimento e segurança das crianças.
  3. Habitue os seus filhos a dar e partilhar - nesta altura do ano há imensas campanhas de recolhas de bens e é óptimo que eles percebam que é importante dar um pouco do que temos. Faz sentido juntar alguns brinquedos que já não usam e dar a famílias carenciadas, para ajudar outras crianças a ter um Natal mais feliz. Um aspecto muito importante é que brinquedos que não funcionam ou estão estragados não devem ser oferecidos. Isto é uma mensagem muito pedagógica que tem que ser passada, pois só se deve oferecer o que está em bom estado!
  4. Não exagere no número de presentes dados às crianças - é preciso que elas percebam que não se pode ter tudo o que se deseja, pelo que convém limitar o número de presentes a oferecer. Acho que se deve ir de encontro às suas vontades, sempre que possível, mas tentar dosear o entusiasmo e colocar alguns limites "razoáveis". Apesar do Natal ser um dia especial, convém que espelhe também um pouco da realidade que se vive durante o ano.
  5. Se os filhos forem grandinhos, pode arranjar forma de lhes oferecer algum dinheiro (pouco) como recompensa de algo que eles tenham feito bem e ir com eles comprar alguma coisa para eles com o seu próprio dinheiro. Assim eles vão perceber que é caro comprar brinquedos e vão conseguir interiorizar a mensagem de que é preciso gerir os seus pedidos.
  6. Ofereça presentes para usufruir em família - é fundamental que os presentes não sirvam para alimentar o isolamento das crianças, mas sim para criar momentos de diversão em família, que tenham como objectivo partilhar interesses, sorrisos e afectos.

Muito mais haveria a acrescentar, mas estas são algumas ideias que me parecem importantes...
Feliz Natal!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Puberdade - o que é normal?

Ontem estive no programa "Queridas Manhãs" da SIC a falar sobre puberdade normal e puberdade precoce.

Sabe o que é normal?
E quais são os motivos de preocupação?
Quais as principais diferenças entre meninos e meninas?

Se não viu, pode ver o vídeo aqui.

Porque razão os casos de depressão estão a aumentar na idade pediátrica?

Ninguém sabe muito bem, até porque esse tipo de conclusão é muito difícil de fazer de forma clara. Numa altura em que os valores da Família e Compaixão são calados diariamente, faz algum sentido pensar um pouco no que se está a passar e, acima de tudo, perceber que soluções temos para oferecer...
Há, obviamente, alguns factores que podem justificar esse aumento, nomeadamente:
- pouco tempo que os pais passam com os filhos, fruto de condições profissionais complicadas, o que condiciona o suporte e acompanhamento de que as crianças necessitam para crescer saudáveis, equilibradas e seguras
- aumento do número de divórcios e uniões pouco "funcionais", pois quando não há harmonia em casa torna-se mais difícil manter a estabilidade emocional
- desemprego e pouco poder económico, que preocupa os pais e, consequentemente, acaba por "contagiar" também os filhos (a "crise" não é culpada de tudo, mas pode efectivamente agravar estas situações)
- pressão escolar exagerada, com múltiplos exames, trabalhos de casa, explicações, ... - estas situações são muito variáveis, mas não nos podemos esquecer que todas as pessoas precisam de algum tempo para si e as crianças e os adolescentes muito mais; é preciso brincar, sorrir, pensar, sem ter tarefas em cima de tarefas e preocupações em cima de preocupações e, infelizmente, hoje em dia as nossas crianças têm muito pouco tempo para elas, para serem efectivamente crianças
- maior exposição dos adolescentes nas redes sociais, o que os torna mais vulneráveis a todo o tipo de agressões e intromissões na sua vida privada (por pessoas estranhas ou até próximas)
Estes são apenas alguns exemplos de factores que claramente influenciam o equilíbrio emocional da nossa população pediátrica, mas certamente há mais para discutir. No entanto, gostaria também de acrescentar um outro factor, que é o facto de os profissionais de saúde estarem também mais alerta para estes diagnóstico, o que terá implicação, obviamente, no maior numero de diagnósticos que se fazem.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A próxima segunda-feira é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última do mês e, como de costume, vou regressar ao programa "Queridas Manhãs" da SIC.
O tema será "Puberdade normal e Puberdade precoce". Não perca!

10 dicas para uma amamentação feliz

É hoje em dia inquestionável que o leite materno é o melhor alimento para qualquer bebé.
No entanto, a amamentação nem sempre corre como esperado, pelo que faz sentido tentar antecipar alguns problemas para encontrar possíveis soluções.
Foi precisamente com esse propósito que escolhi o tema da amamentação para a minha colaboração mensal no site da Visão.
Se não o leu, pode fazê-lo aqui.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Qual a idade certa para as crianças colaborarem nas tarefas domésticas?

Há umas semanas fui desafiado pela revista Mood Magazine para escrever um texto sobre a colaboração das crianças nas actividades domésticas.
É um tema bastante interessante e sobre o qual não existem propriamente verdades absolutas, pelo que vale a pena reflectir um pouco sobre o assunto.

Se não o leu, pode consultá-lo aqui.


As crianças com febre devem ir à escola?

Esta é, sem dúvida, uma questão muito quente e que gera bastantes discussões, pelo que vou tentar analisá-la de uma forma prática e objectiva.
A maior parte das situações de febre em Pediatria diz respeito a infecções víricas, pouco graves e que passam com o tempo, sem necessidade de nenhum tipo de medicação. Partindo deste pressuposto, seriam poucas as situações de febre que deveriam contraindicar a ida para a Creche/Jardim/Escola por parte das crianças. Há inclusivamente um Decreto Regulamentar de 1995 que especifica quais as doenças de evicção escolar obrigatória (pode consultá-lo aqui).
No entanto, é importante também perceber que a febre é um marcador de que a infecção está activa e, mesmo que seja ligeira, pode indicar que existe risco de contágio. De qualquer forma, apesar de desconfortável, o contacto com estas doenças pode ser benéfico, pois ajuda a estimular as defesas do organismo, pelo que nem tudo é negativo.
Mesmo sendo muito comum, é um sintoma (e não uma doença!) que causa muitas vezes desconforto e mal-estar, pelo que dificulta a integração das crianças no seu meio escolar, uma vez que elas passam a ter necessidade de mais atenção e disponibilidade, que nem sempre é fácil de corresponder.
Fazendo um apanhado de todas estas condicionantes, e em jeito de conclusão, acho que as crianças com febre não devem por rotina ir à escola, sempre que haja outra alternativa. Acaba por ser bom para elas, que ficam num ambiente mais "mimado" um bocadinho (o que é agradável quando se está doente) e para as outras crianças, que acabam por ter menor probabilidade de serem contagiadas pelo microorganismos em causa.
Gostaria, contudo, de ressalvar uma situação, que acaba por ser uma realidade bastante presente. Há alguns pais que têm situações profissionais extremamente delicadas e para os quais a falta ao trabalho pode ditar a não renovação de um contrato e consequente despedimento. Apesar da lei os proteger na teoria, para esses casos é preciso ter alguma sensibilidade e não me choca que, pontualmente, crianças com febre possam ir à escola nessa condição, desde que a criança esteja bem, com bom estado geral e sem nenhum critério de gravidade ou sinal de alarme. De qualquer forma, volto a frisar que é uma situação de excepção, que não deve nunca ser encarada como regra.



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

As crianças intolerantes à lactose podem comer iogurtes normais?

Depende da criança, mas na maior parte das vezes podem.
A intolerância à lactose é uma situação em que as pessoas não conseguem digerir o açúcar presente no leite (lactose) e, como tal, ficam com dor de barriga, barriga inchada ou diarreia.
A solução nesses casos passa por retirar a lactose da dieta, ou seja, evitar todos os alimentos que a contenham. Pode-se utilizar um leite sem lactose e, para as crianças, ter o cuidado também de só dar papas não lácteas e fazê-las com esse leite específico. Já em relação aos iogurtes e ao queijo, a questão é um pouco diferente. Esses alimentos contêm pouca lactose, uma vez que são fermentados no seu processo de fabrico, pelo que a maior parte das vezes as crianças podem comê-los, sem nenhum tipo de desconforto e costuma ser essa a recomendação.
No entanto, se mesmo assim os sintomas se mantiverem, a solução passa mesmo por experimentar iogurtes também sem lactose, pois pode haver crianças que têm uma intolerância completa, o que não lhes permite sequer consumir os iogurtes normais. 
Assim, em jeito de conclusão, a resposta é afirmativa (podem comer iogurtes normais), mas se não os tolerarem devem-se testar os iogurtes sem lactose, para ver se têm mais efeito.

sábado, 7 de novembro de 2015

Crianças e gadgets - um passo para a frente, dois para trás

No passado mês de Outubro iniciei uma colaboração regular com o novo site da Visão, fazendo parte da Bolsa de Especialistas.
O primeiro artigo já foi publicado e o tema é: "Crianças e gadgets - sim, mas só depois dos três anos".
Se não o leu, pode consultá-lo aqui.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O meu filho fala muito alto - será normal?

Pode ser...
Muitas crianças falam alto apenas por uma questão de hábito, para imitarem outras crianças ou então os adultos e nesses casos não tem problema nenhum. No entanto, há algumas que falam alto porque não ouvem muito bem e aí já é preciso intervir.
Assim, se uma criança fala sempre alto, é importante que os pais tentem perceber se ela ouve bem, particularmente quando falam baixo ou então quando ela fala ao telefone. Se houver dúvidas em relação à audição da criança, deve ser observada por um otorrino.
Outros aspectos importantes a ter em atenção e que neste contexto podem ditar a necessidade de uma observação por otorrino são as infecções respiratórias ou otites de repetição e as crianças que ressonam quando estão a dormir, pois podem ser indícios de que a criança pode ter líquido nos ouvidos, o que pode dificultar a audição.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O meu filho mete os joelhos para dentro a andar - será normal?

Esta é uma situação extremamente frequente e , na maior parte das vezes, é perfeitamente normal. Faz parte do desenvolvimento ortopédico das crianças andarem com os joelhos "para dentro" a partir dos 18 meses (mais ou menos), já que até lá o que se passa é exactamente o contrário, pois costumam ter as pernas arqueadas (ver post sobre esse assunto aqui).
Geralmente é uma situação que resolve até cerca dos 4-5 anos e só se isso não acontecer é que vale a pena observar para tentar perceber se há algo de errado. Há, inclusivamente, algumas crianças que metem tanto os joelhos "para dentro" que ficam com um andar trapalhão e até caem algumas vezes, mas isso não tem nenhum significado.
Também aqui o tempo é nosso amigo e acaba ir resolver a esmagadora maioria dos casos, pelo que não vale a pena estar a pensar em sapatos ortopédicos ou algo do género, salvo algumas excepções...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Mais um mito - Deitar-se logo depois de comer pode parar a digestão

Este é mais um daqueles mitos que se vai repetindo sem saber muito bem porquê ou se tem algum fundamento. E a verdade é que não passa disso mesmo, um mito.

A única coisa que acontece quando uma pessoa se deita logo depois de comer é poder ficar desconfortável e ser mais difícil adormecer, porque a barriga cheia dificulta a posição de dormir, principalmente para as pessoas que dormem de barriga para baixo ou viradas para a direita. Para além disso, não acontece mais nada.

Em relação às crianças, esta é uma preocupação que não precisa mesmo de ter, até porque muitos bebés adormecem depois de beber o leite, pelo que não faz sentido nenhum andar com eles ao alto durante umas horas para não se deitarem logo.
Pode ficar tranquilo, que não vai parar a digestão, nem nada parecido...


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O meu filho será normal?

Hoje é a última segunda feira do mês e, como de costume, estive à conversa com a Júlia Pinheiro e o João Paulo Rodrigues no programa "Queridas Manhãs" da SIC.
Desta vez o tema foi "Será que o meu filho é normal?" e estivemos a responder a algumas das perguntas mais frequentes dos pais.
Para quem não viu, aqui fica o link para o vídeo da entrevista:


sábado, 24 de outubro de 2015

A próxima segunda é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última do mês, o que significa que vou estar, como habitualmente, no programa "Queridas Manhãs" da SIC.
Desta vez vamos falar de alguns aspectos do desenvolvimento infantil, para perceber quando são normais e quando são sinónimo de preocupação.
"O meu filho ainda não anda, será preocupante?"
"O meu filho ainda não tem dentes, terá algum problema?"
"O meu filho não fala, será normal?"
Não perca as respostas a estas e outras perguntas, na próxima segunda feira, nas "Queridas Manhãs".

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Doenças de infantário - o que fazer?

Este mês escrevi para a newsletter da Secção Pré-Ecolar da Porto Editora um artigo sobre doenças de infantário.
Como se trata de um tema extremamente frequente nesta altura do ano, deixo aqui o link para poderem consultar:



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quando é que o uso das novas tecnologias deixa de ser positivo e passa a ser preocupante?

Essa é mesmo a questão fundamental, porque com bom senso, tudo (ou quase tudo) pode ser permitido.
O problema é quando as crianças deixam de mostrar interesse por outros brinquedos, jogos, livros, achando tudo "uma seca", porque é menos estimulante. A própria interacção com os adultos e outras crianças passa para um plano secundário, o que é um verdadeiro contra-senso, uma vez que as crianças aprendem desde pequenas a socializar e é suposto que retirem prazer dessas relações que vão criando.

Tudo isto acaba por culminar numa de duas situações:
- castigos, porque os pais querem travar a "escalada" e sentem que já estão a perder o controlo
- cedência dos pais, o que leva as crianças a um verdadeiro "abandono tecnológico", ficando entregues a elas próprias e aos seus aparelhos
Em relação aos adolescentes, a questão prende-se também com a verdadeira "dependência" que muitos têm dos telemóveis e tablets. A palavra certa é mesmo dependência, porque em grande parte dos casos ultrapassa o limite do aceitável e passa a ser um comportamento patológico. Há muitos adolescentes (e adultos) que ficam em verdadeiro stress por estar algum tempo sem telemóvel, com mal-estar psicológico e, muitas vezes, manifestações físicas de batimento cardíaco acelerado, aumento da transpiração e tremor, entre outros. Ninguém tem dúvidas que tudo isto é extremamente preocupante e esta é uma área com a qual ninguém está muito à vontade para tratar. Penso que os próximos tempos trarão ainda mais mudanças...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Puberdade precoce - sabe o que é?

No mês passado saiu na revista Activa um artigo sobre "Puberdade precoce", com a minha colaboração.
Para quem não teve oportunidade de ler, aqui fica o link:


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As eleições são mesmo para maiores de 18 anos?

Claro que sim, mas isso não implica que afastemos as nossas crianças destes "cenários" até essa idade e é mesmo sobre isso que decidi escrever hoje.
No próximo domingo (dia 4/10) vão decorrer as eleições legislativas em Portugal e, pelas sondagens (que têm um valor duvidoso, em grande parte das vezes), a abstenção pode atingir o maior valor de sempre. Isto parece-me muito preocupante, uma vez que nós já costumamos ter valores de abstenção muito próximos dos 50% e isso significa que metade da população não vai votar. Do ponto de vista pedagógico, o que estamos nós a ensinar aos nossos filhos?
Eu não tenho nenhum tipo de ligação ou preferência partidárias, pelo que me é relativamente fácil aconselhar as pessoas a votar. Para mim, qualquer voto é válido, desde que as pessoas vão mostrar a sua intenção e as suas ideias do que preferem para o país. E é mesmo aqui que eu acho que nós devemos incluir as crianças.
Na minha opinião (que pode ser discutível), o momento das eleições deve ser um momento de passeio em família, pois é a altura em que os pais vão poder escolher quem querem que "mande" em Portugal e os filhos devem claramente perceber isso. Devem, por isso, ir com os pais ver como se faz, para perceber que as eleições são um dever cívico e entenderem, desde que são pequenos, que esse é um acto nobre e importante, não algo que se vai fazer "só porque sim". Não me parece que a infância seja a altura para tentar "impingir" nenhum tipo de ideologia partidária (tal como se faz com o futebol, por exemplo), mas isso não implica que as crianças fiquem alheadas do momento eleitoral.
Sei que o desencanto político é grande, mas a melhor forma de o contrariar não é ficando em casa, mas sim votando. A abstenção não serve para nada, mas os votos brancos ou nulos mostram desagrado e (mais uma vez, na minha opinião), devem ser a opção para quem não concorda com nenhum dos candidatos (se calhar são preferíveis os votos nulos aos votos brancos, mas isso seria já outra história...).
Assim, o meu conselho é que deve ir votar e levar o seu filho consigo, aproveitando para ser um momento em família e não um acto isolado. Se as crianças perceberem desde cedo a importância das eleições, talvez num futuro a curto/médio prazo possamos ter níveis de abstenção muito mais baixos, o que seria muito, muito bom...



Nota: Para não haver nenhum tipo de interpretação "distorcida" deste texto, volto a afirmar que não tenho mesmo nenhum tipo de ligação partidária, seja a quem for. O meu conselho é só um: vote em quem achar melhor ou então vote nulo, mas leve os seus filhos consigo, explicando-lhes o que vai fazer e a importância da cruz que vai desenhar. Isso é pedágogico e, no meu entender, faz parte da educação cívica de qualquer criança.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a idade ideal para dar um telemóvel a uma criança?

Esta é mais uma pergunta sem uma resposta completamente "científica", mas há alguns pontos importantes de realçar.
O primeiro é que nenhuma criança precisa de telemóvel e esta é uma verdade inegável...
Ter um telemóvel para falar com os amigos com quem estiveram há uns minutos atrás é, no mínimo, discutível. Ainda por cima nem é bem falar na maior parte das vezes, é mandar mensagens... A preocupação que depois se gera a ver se os amigos já responderam ou não perturba claramente a concentração, pelo que não me parece muito vantajoso.
Para além disso, a própria escrita e leitura das mensagens pode estar bastante alterada por abreviaturas pouco convencionais (apenas "convenientes"), o que condiciona também o desenvolvimento da linguagem, gramática e vocabulário.

O segundo aspecto prende-se com questões económicas. Se para algumas familias o preço do telemóvel associado ao tarifário mensal não tem grande peso no orçamento familiar, para grande parte terá e é um gasto supérfluo que se consegue evitar facilmente. Claro que depois de oferecer a primeira vez não é fácil andar "para trás", pelo que a decisão inicial deve ser bem pensada.
O terceiro tem a ver com a disponibilidade da internet que muitos telemóveis têm. Aqui quebra-se claramente a fronteiro do que é público e privado e as crianças passam a construir um "mundo" só deles, com todos os perigos que isso acarreta.
Posto isto, acho que só se deve oferecer telemóveis a adolescentes e não a crianças. Só quando um adolescente começar a ter autonomia nas suas tarefas diárias (deslocações de e para a escola, por exemplo) é que deve ter "direito" a um telemóvel. Até lá deve-se tentar ir aguentando o mais possível...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O leite de vaca é prejudicial?

Ontem estive no programa "Queridas Manhãs" da SIC e o tema foi "As crianças e o leite".
Hoje em dia há muitas teorias sobre os possíveis malefícios do leite de vaca, mas será que é mesmo um alimento perigoso? Ou, por outro lado, continua a ser importante para o crescimento infantil?
Como de costume, para quem não teve oportunidade de ver, aqui fica o link para o vídeo:



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A próxima segunda-feira é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última segunda-feira do mês e, como habitualmente, vou estar no programa "Queridas Manhãs" da SIC.
Desta vez vamos conversar sobre "As crianças e o leite": 

  • Será este um alimento importante ou dispensável? 
  • Qual a quantidade que se deve consumir por dia? 
  • O que é a intolerância a lactose?

Para saber mais sobre este assunto e ouvir a resposta a estas e outras perguntas, não perca o programa no dia 28!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A partir de quando se pode deixar um filho sozinho em casa?

Essa é uma pergunta muito difícil de responder, porque depende fundamentalmente da criança com quem se está a lidar. De um modo geral, penso que antes da adolescência (10-11 anos) é uma situação a evitar, porque a maturidade é muito reduzida e, mesmo que a criança pareça muito responsável e bem comportada, não passa disso mesmo, uma criança.
Quando se toma a decisão de deixar os filhos sozinhos em casa, acho que há alguns conselhos importantes a ter em atenção:

- nunca abrir a porta a estranhos, nem que se identifiquem como figura de autoridade, amigos dos pais ou agentes de empresas de distribuição de água, luz ou gás
- ensinar a fazer chamadas de emergência (112), nomeadamente na informação a dar ao telefone
- desligar o gás na válvula de segurança
- ensinar a criança a desligar o quadro da luz e o abastecimento de água se necessário
- confirmar se os acessos ao exterior ficam bem fechados (janelas, por exemplo)
Estes são apenas alguns conselhos gerais, pois haverá outros que também devem ser dados, consoante a idade da criança e a casa em particular.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quais as vantagens e desvantagens do uso da internet pelas crianças/adolescentes?

Quem usa a internet, sabe que é um utensílio fabuloso.
Hoje em dia as nossas crianças e jovens têm uma quantidade praticamente infinita de informação, com um acesso em tempo real aos mais diversos conteúdos, pelo que podem preparar-se e actualizar-se muito melhor e com mais facilidade do que as gerações que os antecederam. 
Para além disso, podem contactar muito facilmente com amigos e familiares que estão longe, com voz e imagem em tempo real, o que permite aproximá-los de pessoas importantes e encurtar distâncias.
Também em termos de entretenimento, têm uma lista infindável de opções, para todos os gostos e idades, o que faz com que eles consigam encontrar sempre motivos para usarem a internet em qualquer momento.
As desvantagens são a outra face do problema e acompanham, como é logico, as vantagens que enumerei.
O conhecimento existe, está disponível, mas nem sempre é adequado ou vem de fontes seguras. Isso pode trazer alguns problemas, mas é preciso ensinar as crianças a saber filtrar a informação e escolher os melhores sites.
A questão de falar à distância pode também ser um verdadeiro problema, com todos os riscos da exposição a pessoas mal-intencionadas, muitos hábeis na escrita e que conseguem facilmente chegar aos anseios dos adolescentes.
Por fim, o problema dos jogos online, muitos deles bastante violentos e muito pouco pedagógicos, que acabam por entreter muito, mas ensinar muito pouco. Para além disso, a própria necessidade de estar sempre online e não desiludir os colegas que jogam com eles faz com que as crianças e adolescentes tenham muita dificuldade em gerir o seu tempo e abstrair-se desses universos paralelos quando assim tem que ser.
Para além destas, também a questão da dependência da internet, que cada vez mais gente vai manifestando um pouco por todo o mundo, é um problema real e que tem vindo a aumentar.

O meu filho tem alergia ao ovo - precisa de fazer as vacinas no hospital?

Esta é uma questão que vai surgindo com bastante frequência, particularmente em relação à vacina do sarampo e, precisamente por isso, existem neste momento recomendações claras no sentido de clarificar a situação.
Assim, apesar de há alguns anos atrás ser prática comum os meninos com alergia ao ovo irem fazer a vacina do sarampo ao hospital, actualmente a indicação é a de que essa prática não se justifica, podendo e devendo a vacina ser tomada no centro de saúde, sem nenhum tipo de problema. Isto é válido para as crianças alérgicas ao ovo e para aquelas que nunca provaram ovo, pelo que não há necessidade nenhuma desta vacina ter que ser tomada em meio hospitalar.
Também em relação à vacina da gripe se coloca esta questão, uma vez que na sua preparação são usados meios de cultura com ovo, mas também aqui a recomendação não é muito diferente. A vacina pode ser tomada no centro de saúde em todos os casos, excepto apenas para aqueles meninos que têm história de alergias graves ao ovo, com componente respiratório. Nesses casos, a vacina (se tiver indicação) deve ser dada no hospital, para maior vigilância e tratamento imediato, se necessário. Tirando esta excepção, é uma vacina que deve ter apenas os cuidados semelhantes às outras vacinas e nada mais.

Nota: A vacina mais "perigosa" para os meninos com alergia ao ovo é a vacina contra a febre amarela. Se houver indicação de a administrar fale previamente com o seu médico, porque provavelmente será necessário fazê-lo em meio hospitalar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O lado "negro" das proteínas

As proteínas são um nutriente extremamente importante para o crescimento e para o desenvolvimento muscular, mas como tudo, também têm um efeito nocivo se consumidas em excesso.
Essa é precisamente uma das áreas que mais tem sido investigada nos últimos tempos em pediatria, de forma a tentar perceber quais as possíveis consequências para a saúde que pode ter o facto das nossas crianças consumirem proteinas a mais (sim, quase todas as crianças consomem facilmente 2-4 vezes mais proteinas do que deviam). Sendo assim, neste momento reconhece-se que esse excesso é um factor de risco muito significativo para obesidade e problemas cardiovasculares no futuro, pelo que faz sentido reflectir um pouco sobre este aspecto da alimentação.
Tradicionalmente, a carne é o peixe sempre foram vistos como alimentos "bons" e praticamente inofensivos. Na verdade, são óptimos alimentos, mas devem ser consumidos com "conta, peso e medida", porque são das principais fontes de proteínas com que as crianças contactam. Assim, acho que é bom perceber que é incorrecta a ideia de que se pode comer carne e peixe quase sem restrição, pelo que gostaria de deixar uma nota prática. De um modo geral, a quantidade destes alimentos que cada criança deve comer em cada refeição é semelhante à palma da mão dela, sem contar com os dedos. É essa a sua necessidade e não se deve ultrapassar muito esta regra.
Para além da carne e do peixe, temos muitas outras fontes de proteínas que devem ser "regradas", particularmente o leite e produtos lácteos, que são também muito bons alimentos mas devem ser consumidos sem excessos (pode ver post sobre esse assunto aqui).
Deste modo, em jeito de conclusão, queria reforçar a ideia de que todos os alimentos são importantes, mas devem ser ingeridos com bom senso e moderação. A frase "Se não queres comer mais nada, come só o peixinho ou a carninha" que muitos de nós cresceram a ouvir deve ser ponderada, porque mesmo cumprindo estas recomendações as nossas crianças continuam a comer proteinas a mais, sem tirar nenhum benefício disso...

2 milhões de visitas!!!

Acabamos de chegar ao fantástico número de 2.000.000 de visitas!
Mais uma vez, muito obrigado a todos os leitores e leitoras deste blogue por o fazerem crescer tanto em tão pouco tempo.
Continuemos, rumo aos 2 milhões e meio... 😄


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Quando é que o excesso de mimo deixa de ser saudável e passa a ser prejudicial?

Nunca!
Todas as crianças precisam de afecto e de se sentir amadas e acarinhadas. Por isso não faz nenhum sentido restringir essas manifestações, sob o falso pretexto de que se podem "habituar mal" ou que se podem "estragar com mimos". Este conceito é ainda mais desadequado quando falamos de bebés pequenos e da opção de dar muito ou pouco colo. Mimo a mais não existe, mas mesmo que existisse isso não significa má educação em nenhuma parte do mundo. 
Para as crianças, o carinho e os mimos devem ser a regra mas, como é lógico, também é imprescindível saber dizer que "não" é impor regras no momento certo. Esse é um papel fundamental dos pais e só esse equilíbrio é que vai fazer com que as crianças cresçam de forma harmoniosa em todo o seu desenvolvimento.
É importante não esquecer que crianças felizes vão ser adultos felizes e muito mais saudáveis!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Piolhos - um problema muito frequente...

Todos os anos surgem verdadeiras "epidemias" de piolhos um pouco por todas as escolas, o que causa muitas preocupações e dores de cabeça para os pais.
Assim, é importante falar um pouco sobre este tema, de forma a ajudar as pessoas a lidar melhor com esta situação.
O primeiro ponto a esclarecer e que os piolhos não voam. Eles transmitem-se apenas pelo contacto directo da cabeça com outra cabeça ou então com algum objecto contaminado (toalha ou chapéu, por exemplo), pelo que a primeira medida a fazer para tentar prevenir um pouco estas situações é não partilhar chapéus e bonés nas escolas. Isto nem sempre é fácil, porque as crianças gostam de ir trocando uns com os outros, mas é algo que deve merecer alguma atenção por parte dos adultos.
Outro conselho importante para prevenir a propagação dos piolhos é a observação regular da cabeça dos filhos, que deve ser algo que os pais devem fazer com frequência.
Há ainda uns champôs de prevenção que podem ser utilizados, embora a sua eficácia seja um pouco variável. De qualquer forma, não me parece má opção, principalmente quando surgem os piolhos na sala das crianças e convém tentar impedir que os "bichinhos" se propaguem de uns para os outros.

Quando o problema está instalado, é preciso tratar e aqui é importante reforçar alguns conselhos:

  1. O tratamento deve ser feito exactamente segundo as instruções (depende de cada produto), o mais cedo possível
  2. Depois de aplicar o champô ou a loção é fundamental escovar o cabelo todo com um pente muito fino (específico para o efeito), sempre da raiz para a ponta dos cabelos, de forma a tentar "descolar" as lêndeas
  3. Por vezes é necessário repetir o tratamento (mais uma vez, deve-se seguir escrupulosamente as instruções dos produtos)
  4. Há várias opções de tratamento no mercado, mas um bom princípio é tentar usar preferencialmente os que não utilizam insecticidas químicos, pois há alguém que matam os piolhos por asfixia e são mais "inócuos"; no entanto, podem ser utilizados todos os que estão no mercado, desde que sejam adequados à idade da criança
  5. A opção de cortar o cabelo muito pequenino funciona bem, desde que não traga nenhum desconforto para a criança, pois se ela não gostar de ter o cabelo muito curto, em princípio também não é necessário
  6. Uma palavra ainda para os pentes eléctricos, que têm sido cada vez mais falados. A sua taxa de eficácia e variável e tenho tido feedbacks diferentes por parte dos pais quando são usados isoladamente. Uma boa opção é usá-los para complementar a aplicação de um dos produtos para eliminação de piolhos, pois acabam por se complementar e aumentar a sua eficácia.
Posto isto, se o seu filho tiver piolhos não desespere, porque é algo que tem tratamento. Por vezes não é fácil a erradicação (principalmente se a criança tiver cabelos compridos), mas tudo se resolve com alguma paciência e cumprimento correcto dos esquemas de tratamento.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As crianças e as novas tecnologias - uma ligação perigosa?

Ontem foi a última segunda-feira do mês e, como habitualmente, estive no programa "Queridas Manhãs" da SIC e o tema foi: As crianças e as novas tecnologias.
Para quem não viu, aqui fica o link para o vídeo da entrevista:


Espero que goste!

A partir de que idade é que as crianças devem deixar de dormir a sesta de tarde?

A maior parte das crianças deixa de dormir a sesta por volta dos 3-4 anos, muitas vezes devido à dinâmica dos jardins de infância, que assim o exige.
No entanto, há algumas considerações que me parecem importantes:

  1. A maior parte das crianças com 3 anos ainda precisa de dormir de tarde (há estudos que referem que só uma em cada três crianças com 3 anos não tem essa necessidade)
  2. A retirada da sesta não deveria ser imposta, ou seja, deveria acontecer naturalmente quando a criança começasse a mostrar que já não precisa dela
  3. Dormir de tarde geralmente melhora o sono da noite (há, obviamente, excepções), pois o cansaço interfere com a organização do sono, particularmente com o sono profundo
  4. Os jardins de infância deveriam contemplar a hipótese da sesta depois do almoço, no mínimo, até aos 4 anos (sem dar a conotação "negativa" às crianças por serem "das que ainda dormem de tarde"), mas a partir dos 3 anos ser mais opcional do que obrigatória 
Posto isto, acho que a sesta deve fazer parte da rotina das crianças enquanto elas mostrarem essa necessidade, pois o sono é fundamental para um bom crescimento e desenvolvimento.
Uma palavra apenas para os jardins de infância públicos em Portugal, que nem sequer contemplam essa hipótese, pois não têm condições físicas nem humanas para manter a sesta depois do almoço. Parece-me que se justificaria repensar essa organização, pois volto a dizer que a maior parte das crianças com 3 anos ainda precisa de dormir uma sesta...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A família aumentou!

Na próxima segunda-feira vai estar disponível o novo "membro" da família "Pediatria para todos", uma aplicação de pediatria dedicada aos pais e a toda a gente que cuida de crianças, criada e desenvolvida pela empresa AheadIT.
Mas as novidades não ficam por aqui, vamos ter uma versão para Portugal, uma versão para o Brasil e outra versão em inglês, para tentar chegar ao maior número possível de pessoas!
Aqui fica uma breve descrição:

Ter uma criança doente em casa é sempre um desafio e uma fonte de preocupação para os pais. É com o objectivo de ajudar nessas situações que surge esta aplicação, onde vai encontrar toda a informação que precisa relativamente a:
- sintomas mais comuns em pediatria (o que fazer e quando procurar ajuda médica)
- doenças mais frequentes (quais os sintomas que causam e o que fazer nessas situações)
- medicamentos mais utilizados em pediatria (quais os nomes, as doses e informações mais relevantes sobre cada um)
Tem ainda uma ferramenta de conversão dos miligramas em mililitros, de forma a permitir calcular qual a dose de cada medicamento a administrar em função do peso.



quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A próxima segunda-feira é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última do mês de Agosto e, como habitualmente, vou estar namoricaram "Queridas Manhãs" da SIC.
O tema vai ser "As crianças e as novas tecnologias", um tema bastante actual e muito pouco consensual.
Não perca!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Deve-se obrigar as crianças a cumprimentar as outras pessoas com beijos?

Esta é uma questão algo subjectiva e há opiniões para todos os gostos, mas hoje em dia os adeptos do "não" são claramente em maior número e essa é também a minha opinião, pelos motivos que explico a seguir.
Em primeiro lugar, acho que é importante reforçar a ideia de que ser bem educado é muito mais do que dar um beijo quando se cumprimenta alguém. Esse acto implica alguma intimidade e, mesmo que nós culturalmente o aceitemos melhor do que outros países (nórdicos, por exemplo), beijar alguém implica uma relação de proximidade grande ou, pelo menos, uma grande confiança na outra pessoa, o que claramente pode ser difícil de aceitar por uma criança.
Em segundo lugar, temos também que perceber que há muita variabilidade entre crianças e há, sem dúvida, algumas que não gostam de dar beijos. Não é só por serem "do contra", elas não gostam mesmo e temos que saber respeitar essas diferenças (dentro de limites aceitáveis, como é óbvio). 
Em terceiro, temos que perceber que algumas crianças podem não querer dar um beijo porque não gostam de algo, seja uma mancha na cara da outra pessoa, um cheiro, a barba ou outra coisa qualquer.
Penso que estes serão os aspectos principais, mas há muitos outros que podem e devem ser levados em atenção. De qualquer forma, acho que devemos, como é lógico, fazer todos os esforços para ter crianças bem educadas. E ser bem educado é dizer "bom dia", "por favor", "obrigado", "desculpa", sorrir, ser simpático e ser atencioso. Se a isto se juntar os beijinhos é óptimo, mas se isso não acontecer também não me parece dramático.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O que fazer quando as crianças acordam muitas vezes durante a noite?

Nota: Este texto foi corrigido em relação ao original, pois percebi claramente pelos comentários que me fizeram que fui muito mal interpretado no que escrevi. Posto isto, antes de começar queria deixar os seguintes esclarecimentos:
1 - nunca fui adepto de deixar bebés a chorar sem motivo como forma de educação e não o recomendo nas minhas consultas (chorar é a forma natural de manifestar desagrado e não pode ser sinónimo de punição para os bebés)
2 - todos os bebês pequenos precisam de contacto físico e carinho por parte dos pais
3 - o sono é uma parte fundamental do dia-a-dia das famílias (não escrevi dos bebês propositadamente), pelo que se deve tentar encontrar soluções que permitam que os bebês  consigam responder às suas necessidades biológicas e os pais consigam estar disponíveis para ser os melhores pais "do mundo" (porque já têm "os melhores filhos do mundo")
4 - esta é uma área extremamente complexa e sobre a qual já escrevi 2-3 textos, com informações que acabam por complementar este post
5 - só se pode corrigir os acordares nocturnos se as crianças tiverem uma boa rotina de adormecer, pelo que não vale a pena avançar sem corrigir este aspecto
6 - os fundamentalismos são maus em todas as direcções, porque acredito que é mais ou menos "no meio que está a virtude" (não sou, de todo, um adepto do chamado método Estivil)
7 - as ideias transmitidas neste texto são bastante gerais, porque todos os bebês têm particularidades e é importante levá-las sempre em conta
8 - todas as recomendações escritas neste texto e nos outros do blogue são da minha responsabilidade, fruto de bastante pesquisa e dedicação à saúde das crianças, mesmo que haja quem possa por (erradamente) isso em causa

Depois de esclarecidos estes pontos, vou tentar reforçar alguns conceitos importantes...

Ter um bebé que acorda várias vezes durante a noite é algo que perturba bastante o dia-a-dia dos pais e é um problema recorrente nas consultas. Foi por esse motivo que decidi escrever este post, para tentar dar alguns conselhos que podem servir de orientação.
O primeiro aspecto é que o sono dos bebês se começa a estruturar a partir dos 4 meses, em média. É por volta desta fase que eles começam a necessitar de forma mais significativa das suas rotinas do adormecer e é também nesta idade que muitos passam a dormir "pior", com múltiplos acordares durante a noite. É por estes aspectos que se torna fundamental tentar transmitir a ideia aos bebês desta idade que o adormecer é algo natural e que faz parte do quotidiano deles e eles precisam de se sentir seguros em relação a isso. Como são pequenos, a maior parte vai necessitar, muito provavelmente, da presenca física dos pais quando vai dormir e aqui está o primeiro trabalho a fazer: passar a mensagem de que os pais estão lá para os acalmar e confortar, mas não para os adormecer (todos os bebês com 4 meses precisam de contacto físico, é uma necessidade básica que têm). É por isso que se deve trabalhar progressivamente a autonomia deles, tentando que adormeçam sem nenhum tipo de "muleta", tal como o leite ou o colo dos pais, por exemplo. Claro que isto se deve ir trabalhando progressivamente, para se mudar aos bocadinhos, mas a ideia é que os pais devem estar lá para lhes dar segurança e podem inclusivamente pegar neles ao colo, mas apenas para acalmar e não para adormecer. Esse é um aspecto muito importante, porque se esta mensagem passar desta forma, vamos conseguir que os bebês se tornem autônomos no acto de dormir, o que vai servir para o início da noite, mas também para os acordares a meio da noite e para as sestas durante o dia.
Depois desta rotina estar bem estabelecida, o que se deve fazer quando eles acordam durante a noite e tentar não responder imediatamente, fazendo um pequeno "compasso de espera" para ver se voltam a adormecer por si. Não defendo nem nunca defendi que se deve deixar os bebês chorar só porque sim, pelo que para esta espera bastam no máximo 1-2 minutos, porque se não resolver ao fim desse tempo dificilmente o bebê vai voltar a adormecer sozinho e aí vai precisar, muito provavelmente, mesmo dos pais.
Claro que há alguns meninos maiores (com mais de 2-3 anos), que felizmente são uma minoria, mas que têm um sono mais difícil porque já levam dois anos de "atraso", uma vez que nada disto foi feito anteriormente. Esses casos são bem mais difíceis de gerir, pelo que aí temos que pensar de forma um pouco diferente.
Geralmente essas crianças, quando acordam, acabam por ser recompensadas das mais diferentes maneiras: presença dos pais, colo, leite, cama dos pais, ... 
Ora, o que se faz é, no fundo, premiar a criança por acordar a meio da noite e, como é lógico, ela vai fazê-lo várias vezes, para ter direito ao seu prémio. Deste modo, o ideal é retirar com essa conotação positiva ao acordar e isso pode ser feito através de um mecanismo que se chama "extinção gradual". O que se deve fazer é aumentar progressivamente o tempo de resposta ao choro, de forma a que a criança deixe de o associar à recompensa. Assim, da primeira vez que ela chora demora-se 1 minuto a ir lá, da segunda demora-se 3 minutos e da terceira em diante 5 minutos. No segundo dia, começa-se pelos 3 minutos e aumenta-se progressivamente até aos 7. No terceiro dia começa-se nos 5 minutos e aumenta-se até aos 9 e vai-se continuando assim sucessivamente, sem ultrapassar os 9 minutos. Eu sei que a meio da noite ter uma criança/bebé a chorar durante 3 minutos vai parecer 3 horas mas, mais uma vez, o objectivo não é deixará criança chorar sem objectivo, mas sim fazer um treino do seu comportamento que lhe permita ter hábitos de sono mais saudáveis. 
Volto a reforçar a ideia que estes conselhos são só para crianças com mais de 2-3 anos e só se devem aplicar se o sono for um problema real para a família. Se a criança acorda e isso não for perturbador não me parece, de todo, a melhor prática a adoptar, pois vai implicar algumas noites difíceis para toda a gente. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O que fazer quando uma criança leva à boca botões, moedas ou outros objectos pequenos?

A partir dos 4 meses de idade os bebés começam a explorar tudo o que conseguem com a boca e só param ao fim de alguns anos, portanto o primeiro conselho é mesmo tentar que as crianças pequenas (particularmente até aos 3 anos de idade) não contactem com nenhum objecto que tenha um tamanho inferior a uma moeda de dois euros.
De qualquer forma, isso nem sempre é possível e se acontecer é preciso saber o que fazer. O primeiro conselho é não entrar em pânico, pois se o objecto ainda estiver na boca e a criança se assustar, é provável que acabe por se engasgar. Se for possível, deve-se tentar convencê-la a cuspir ou então retirar com um único movimento, sempre com o cuidado de não o empurrar para trás, porque pode provocar uma obstrução completa da via aérea. 
Se a criança já o engoliu, é fundamental perceber se tem queixas ou não. As mais preocupantes na fase inicial serão a falta de ar e a dificuldade em respirar, pois podem significar que o objecto entrou para a via aérea. Nesses casos a criança deve ser observada com urgência.
Se não for o caso, o mais provável é que tenha ido para o estômago, o que dá um pouco mais de tempo para pensar. Se o objecto for inferior a uma moeda de 50 cêntimos, em princípio irá ser eliminado naturalmente pelas fezes, pelo que se a criança estiver bem pode-se aguardar cerca de 1-2 semanas, tendo sempre o cuidado de vigiar se sai nas fezes ou não. Durante esse tempo, se a criança tiver vómitos ou dores de barriga deve ser observada. As excepções a esta espera são objectos potencialmente perigosos, nomeadamente quando são cortantes, pontiagudos ou então corrosivos, que implicam o recurso a uma urgência hospitalar. 
Gostaria de deixar uma palavra especial para as pilhas, que são capazes de gerar corrente eléctrica quando ficam em contacto com o ácido do estômago, pelo que nesses casos a procura de ajuda médica deve também ser imediata, pois são situações potencialmente muito perigosas.

domingo, 16 de agosto de 2015

Há limites para a privacidade dos adolescentes?

Essa é uma pergunta muito difícil, mas obviamente que há. A dificuldade é saber onde é que ficam esses limites...
Quando as crianças crescem e passam a tornar-se adolescentes, a necessidade de privacidade aumenta exponencialmente, porque a autonomia e a busca pela independência assim o exigem. É difícil perceber que os filhos se estão a afastar, mas esse é o ritmo normal da vida. Mesmo sabendo que eles nem sempre vão tomar as melhores decisões, a vida é deles e não podem ser os pais a vivê-las pelos filhos. Todas as decisões têm riscos e os adolescentes têm que crescer a perceber que é assim mesmo. Nalgumas vezes vão decidir bem e noutras vão decidir mal, é assim para toda a gente.
No entanto, há um factor que não podemos descurar, que são as novas tecnologias. Elas escondem perigos grandes que não são fáceis de lidar, seja para as crianças seja para os pais e aqui tem que se ter cuidado. Quando falamos em telemóveis, e-mails e redes sociais, acho que deve haver espaço para algum controlo parental. O primeiro conselho é para o computador só ser utilizado em locais comuns da casa, como a sala ou a cozinha. Não é para "bisbilhotar" os que os filhos estão a fazer, mas apenas para retirar um pouco a sensação de inviolabilidade de quando se está por trás de um computador. Depois, acho que faz sentido que os pais sejam "amigos" dos filhos nas redes sociais, para ver um pouco as publicações que eles fazem, principalmente no início da adolescência. Mais uma vez o objectivo não é invadir a privacidade, mas sim tentar controlar um pouco o que eles partilham com as outras pessoas, que pode não ser o mais adequado.
Outras situações, como andar a "mexer" nós telemóveis dos filhos ou nos seus diários é absolutamente desaconselhado e não me parece a melhor prática. Aí é preciso guardar a curiosidade e ter esperança que o trabalho realizado nos anos anteriores surta o seu efeito. É a primeira grande prova a que a o "trabalho" dos pais feito nos anos anteriores está sujeita...

A "família" vai crescer...

Depois do blogue "Pediatria para todos" e do livro "Pediatra para todos", a "família" vai em breve aumentar com uma novidade bastante original, sempre com o objectivo de aproximar a Pediatria de toda a gente e ajudar as famílias.
Mais pormenores para breve... 😄


terça-feira, 11 de agosto de 2015

O que fazer quando uma criança se porta "pior" com um dos elementos do casal do que com o outro?

Isso é perfeitamente normal, porque os pais também não reagem de maneira igual nas situações do dia-a-dia e isso vai fazer, inevitavelmente, com que as crianças percebam essas diferenças e tentar usá-las em proveito próprio.
O mais importante é os pais não se desautorizarem um ao outro em frente aos filhos. As crianças precisam de segurança e a consistência entre os pais é fundamental. Claro que nem sempre os pais concordam com as decisões um do outro e acho que devem falar sobre isso, mas sempre sem os filhos presentes, para não perceberem a discórdia. Essa é uma regra de ouro! 
Depois, também acho que pai e mãe devem mesmo tentar ouvir o que o outro tem a dizer sobre a forma como gerem os conflitos, o que nem sempre é fácil. 
De qualquer forma, penso que o mais importante é mesmo reforçar que não é por fazer mais birras com um do que com outro que a criança gosta mais ou menos do pai ou da mãe. É fundamental não esquecer isso, o que nem sempre é fácil, particularmente no "calor" da discussão...