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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As crianças e as novas tecnologias - uma ligação perigosa?

Ontem foi a última segunda-feira do mês e, como habitualmente, estive no programa "Queridas Manhãs" da SIC e o tema foi: As crianças e as novas tecnologias.
Para quem não viu, aqui fica o link para o vídeo da entrevista:


Espero que goste!

A partir de que idade é que as crianças devem deixar de dormir a sesta de tarde?

A maior parte das crianças deixa de dormir a sesta por volta dos 3-4 anos, muitas vezes devido à dinâmica dos jardins de infância, que assim o exige.
No entanto, há algumas considerações que me parecem importantes:

  1. A maior parte das crianças com 3 anos ainda precisa de dormir de tarde (há estudos que referem que só uma em cada três crianças com 3 anos não tem essa necessidade)
  2. A retirada da sesta não deveria ser imposta, ou seja, deveria acontecer naturalmente quando a criança começasse a mostrar que já não precisa dela
  3. Dormir de tarde geralmente melhora o sono da noite (há, obviamente, excepções), pois o cansaço interfere com a organização do sono, particularmente com o sono profundo
  4. Os jardins de infância deveriam contemplar a hipótese da sesta depois do almoço, no mínimo, até aos 4 anos (sem dar a conotação "negativa" às crianças por serem "das que ainda dormem de tarde"), mas a partir dos 3 anos ser mais opcional do que obrigatória 
Posto isto, acho que a sesta deve fazer parte da rotina das crianças enquanto elas mostrarem essa necessidade, pois o sono é fundamental para um bom crescimento e desenvolvimento.
Uma palavra apenas para os jardins de infância públicos em Portugal, que nem sequer contemplam essa hipótese, pois não têm condições físicas nem humanas para manter a sesta depois do almoço. Parece-me que se justificaria repensar essa organização, pois volto a dizer que a maior parte das crianças com 3 anos ainda precisa de dormir uma sesta...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A família aumentou!

Na próxima segunda-feira vai estar disponível o novo "membro" da família "Pediatria para todos", uma aplicação de pediatria dedicada aos pais e a toda a gente que cuida de crianças, criada e desenvolvida pela empresa AheadIT.
Mas as novidades não ficam por aqui, vamos ter uma versão para Portugal, uma versão para o Brasil e outra versão em inglês, para tentar chegar ao maior número possível de pessoas!
Aqui fica uma breve descrição:

Ter uma criança doente em casa é sempre um desafio e uma fonte de preocupação para os pais. É com o objectivo de ajudar nessas situações que surge esta aplicação, onde vai encontrar toda a informação que precisa relativamente a:
- sintomas mais comuns em pediatria (o que fazer e quando procurar ajuda médica)
- doenças mais frequentes (quais os sintomas que causam e o que fazer nessas situações)
- medicamentos mais utilizados em pediatria (quais os nomes, as doses e informações mais relevantes sobre cada um)
Tem ainda uma ferramenta de conversão dos miligramas em mililitros, de forma a permitir calcular qual a dose de cada medicamento a administrar em função do peso.



quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A próxima segunda-feira é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última do mês de Agosto e, como habitualmente, vou estar namoricaram "Queridas Manhãs" da SIC.
O tema vai ser "As crianças e as novas tecnologias", um tema bastante actual e muito pouco consensual.
Não perca!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Deve-se obrigar as crianças a cumprimentar as outras pessoas com beijos?

Esta é uma questão algo subjectiva e há opiniões para todos os gostos, mas hoje em dia os adeptos do "não" são claramente em maior número e essa é também a minha opinião, pelos motivos que explico a seguir.
Em primeiro lugar, acho que é importante reforçar a ideia de que ser bem educado é muito mais do que dar um beijo quando se cumprimenta alguém. Esse acto implica alguma intimidade e, mesmo que nós culturalmente o aceitemos melhor do que outros países (nórdicos, por exemplo), beijar alguém implica uma relação de proximidade grande ou, pelo menos, uma grande confiança na outra pessoa, o que claramente pode ser difícil de aceitar por uma criança.
Em segundo lugar, temos também que perceber que há muita variabilidade entre crianças e há, sem dúvida, algumas que não gostam de dar beijos. Não é só por serem "do contra", elas não gostam mesmo e temos que saber respeitar essas diferenças (dentro de limites aceitáveis, como é óbvio). 
Em terceiro, temos que perceber que algumas crianças podem não querer dar um beijo porque não gostam de algo, seja uma mancha na cara da outra pessoa, um cheiro, a barba ou outra coisa qualquer.
Penso que estes serão os aspectos principais, mas há muitos outros que podem e devem ser levados em atenção. De qualquer forma, acho que devemos, como é lógico, fazer todos os esforços para ter crianças bem educadas. E ser bem educado é dizer "bom dia", "por favor", "obrigado", "desculpa", sorrir, ser simpático e ser atencioso. Se a isto se juntar os beijinhos é óptimo, mas se isso não acontecer também não me parece dramático.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O que fazer quando as crianças acordam muitas vezes durante a noite?

Nota: Este texto foi corrigido em relação ao original, pois percebi claramente pelos comentários que me fizeram que fui muito mal interpretado no que escrevi. Posto isto, antes de começar queria deixar os seguintes esclarecimentos:
1 - nunca fui adepto de deixar bebés a chorar sem motivo como forma de educação e não o recomendo nas minhas consultas (chorar é a forma natural de manifestar desagrado e não pode ser sinónimo de punição para os bebés)
2 - todos os bebês pequenos precisam de contacto físico e carinho por parte dos pais
3 - o sono é uma parte fundamental do dia-a-dia das famílias (não escrevi dos bebês propositadamente), pelo que se deve tentar encontrar soluções que permitam que os bebês  consigam responder às suas necessidades biológicas e os pais consigam estar disponíveis para ser os melhores pais "do mundo" (porque já têm "os melhores filhos do mundo")
4 - esta é uma área extremamente complexa e sobre a qual já escrevi 2-3 textos, com informações que acabam por complementar este post
5 - só se pode corrigir os acordares nocturnos se as crianças tiverem uma boa rotina de adormecer, pelo que não vale a pena avançar sem corrigir este aspecto
6 - os fundamentalismos são maus em todas as direcções, porque acredito que é mais ou menos "no meio que está a virtude" (não sou, de todo, um adepto do chamado método Estivil)
7 - as ideias transmitidas neste texto são bastante gerais, porque todos os bebês têm particularidades e é importante levá-las sempre em conta
8 - todas as recomendações escritas neste texto e nos outros do blogue são da minha responsabilidade, fruto de bastante pesquisa e dedicação à saúde das crianças, mesmo que haja quem possa por (erradamente) isso em causa

Depois de esclarecidos estes pontos, vou tentar reforçar alguns conceitos importantes...

Ter um bebé que acorda várias vezes durante a noite é algo que perturba bastante o dia-a-dia dos pais e é um problema recorrente nas consultas. Foi por esse motivo que decidi escrever este post, para tentar dar alguns conselhos que podem servir de orientação.
O primeiro aspecto é que o sono dos bebês se começa a estruturar a partir dos 4 meses, em média. É por volta desta fase que eles começam a necessitar de forma mais significativa das suas rotinas do adormecer e é também nesta idade que muitos passam a dormir "pior", com múltiplos acordares durante a noite. É por estes aspectos que se torna fundamental tentar transmitir a ideia aos bebês desta idade que o adormecer é algo natural e que faz parte do quotidiano deles e eles precisam de se sentir seguros em relação a isso. Como são pequenos, a maior parte vai necessitar, muito provavelmente, da presenca física dos pais quando vai dormir e aqui está o primeiro trabalho a fazer: passar a mensagem de que os pais estão lá para os acalmar e confortar, mas não para os adormecer (todos os bebês com 4 meses precisam de contacto físico, é uma necessidade básica que têm). É por isso que se deve trabalhar progressivamente a autonomia deles, tentando que adormeçam sem nenhum tipo de "muleta", tal como o leite ou o colo dos pais, por exemplo. Claro que isto se deve ir trabalhando progressivamente, para se mudar aos bocadinhos, mas a ideia é que os pais devem estar lá para lhes dar segurança e podem inclusivamente pegar neles ao colo, mas apenas para acalmar e não para adormecer. Esse é um aspecto muito importante, porque se esta mensagem passar desta forma, vamos conseguir que os bebês se tornem autônomos no acto de dormir, o que vai servir para o início da noite, mas também para os acordares a meio da noite e para as sestas durante o dia.
Depois desta rotina estar bem estabelecida, o que se deve fazer quando eles acordam durante a noite e tentar não responder imediatamente, fazendo um pequeno "compasso de espera" para ver se voltam a adormecer por si. Não defendo nem nunca defendi que se deve deixar os bebês chorar só porque sim, pelo que para esta espera bastam no máximo 1-2 minutos, porque se não resolver ao fim desse tempo dificilmente o bebê vai voltar a adormecer sozinho e aí vai precisar, muito provavelmente, mesmo dos pais.
Claro que há alguns meninos maiores (com mais de 2-3 anos), que felizmente são uma minoria, mas que têm um sono mais difícil porque já levam dois anos de "atraso", uma vez que nada disto foi feito anteriormente. Esses casos são bem mais difíceis de gerir, pelo que aí temos que pensar de forma um pouco diferente.
Geralmente essas crianças, quando acordam, acabam por ser recompensadas das mais diferentes maneiras: presença dos pais, colo, leite, cama dos pais, ... 
Ora, o que se faz é, no fundo, premiar a criança por acordar a meio da noite e, como é lógico, ela vai fazê-lo várias vezes, para ter direito ao seu prémio. Deste modo, o ideal é retirar com essa conotação positiva ao acordar e isso pode ser feito através de um mecanismo que se chama "extinção gradual". O que se deve fazer é aumentar progressivamente o tempo de resposta ao choro, de forma a que a criança deixe de o associar à recompensa. Assim, da primeira vez que ela chora demora-se 1 minuto a ir lá, da segunda demora-se 3 minutos e da terceira em diante 5 minutos. No segundo dia, começa-se pelos 3 minutos e aumenta-se progressivamente até aos 7. No terceiro dia começa-se nos 5 minutos e aumenta-se até aos 9 e vai-se continuando assim sucessivamente, sem ultrapassar os 9 minutos. Eu sei que a meio da noite ter uma criança/bebé a chorar durante 3 minutos vai parecer 3 horas mas, mais uma vez, o objectivo não é deixará criança chorar sem objectivo, mas sim fazer um treino do seu comportamento que lhe permita ter hábitos de sono mais saudáveis. 
Volto a reforçar a ideia que estes conselhos são só para crianças com mais de 2-3 anos e só se devem aplicar se o sono for um problema real para a família. Se a criança acorda e isso não for perturbador não me parece, de todo, a melhor prática a adoptar, pois vai implicar algumas noites difíceis para toda a gente. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O que fazer quando uma criança leva à boca botões, moedas ou outros objectos pequenos?

A partir dos 4 meses de idade os bebés começam a explorar tudo o que conseguem com a boca e só param ao fim de alguns anos, portanto o primeiro conselho é mesmo tentar que as crianças pequenas (particularmente até aos 3 anos de idade) não contactem com nenhum objecto que tenha um tamanho inferior a uma moeda de dois euros.
De qualquer forma, isso nem sempre é possível e se acontecer é preciso saber o que fazer. O primeiro conselho é não entrar em pânico, pois se o objecto ainda estiver na boca e a criança se assustar, é provável que acabe por se engasgar. Se for possível, deve-se tentar convencê-la a cuspir ou então retirar com um único movimento, sempre com o cuidado de não o empurrar para trás, porque pode provocar uma obstrução completa da via aérea. 
Se a criança já o engoliu, é fundamental perceber se tem queixas ou não. As mais preocupantes na fase inicial serão a falta de ar e a dificuldade em respirar, pois podem significar que o objecto entrou para a via aérea. Nesses casos a criança deve ser observada com urgência.
Se não for o caso, o mais provável é que tenha ido para o estômago, o que dá um pouco mais de tempo para pensar. Se o objecto for inferior a uma moeda de 50 cêntimos, em princípio irá ser eliminado naturalmente pelas fezes, pelo que se a criança estiver bem pode-se aguardar cerca de 1-2 semanas, tendo sempre o cuidado de vigiar se sai nas fezes ou não. Durante esse tempo, se a criança tiver vómitos ou dores de barriga deve ser observada. As excepções a esta espera são objectos potencialmente perigosos, nomeadamente quando são cortantes, pontiagudos ou então corrosivos, que implicam o recurso a uma urgência hospitalar. 
Gostaria de deixar uma palavra especial para as pilhas, que são capazes de gerar corrente eléctrica quando ficam em contacto com o ácido do estômago, pelo que nesses casos a procura de ajuda médica deve também ser imediata, pois são situações potencialmente muito perigosas.

domingo, 16 de agosto de 2015

Há limites para a privacidade dos adolescentes?

Essa é uma pergunta muito difícil, mas obviamente que há. A dificuldade é saber onde é que ficam esses limites...
Quando as crianças crescem e passam a tornar-se adolescentes, a necessidade de privacidade aumenta exponencialmente, porque a autonomia e a busca pela independência assim o exigem. É difícil perceber que os filhos se estão a afastar, mas esse é o ritmo normal da vida. Mesmo sabendo que eles nem sempre vão tomar as melhores decisões, a vida é deles e não podem ser os pais a vivê-las pelos filhos. Todas as decisões têm riscos e os adolescentes têm que crescer a perceber que é assim mesmo. Nalgumas vezes vão decidir bem e noutras vão decidir mal, é assim para toda a gente.
No entanto, há um factor que não podemos descurar, que são as novas tecnologias. Elas escondem perigos grandes que não são fáceis de lidar, seja para as crianças seja para os pais e aqui tem que se ter cuidado. Quando falamos em telemóveis, e-mails e redes sociais, acho que deve haver espaço para algum controlo parental. O primeiro conselho é para o computador só ser utilizado em locais comuns da casa, como a sala ou a cozinha. Não é para "bisbilhotar" os que os filhos estão a fazer, mas apenas para retirar um pouco a sensação de inviolabilidade de quando se está por trás de um computador. Depois, acho que faz sentido que os pais sejam "amigos" dos filhos nas redes sociais, para ver um pouco as publicações que eles fazem, principalmente no início da adolescência. Mais uma vez o objectivo não é invadir a privacidade, mas sim tentar controlar um pouco o que eles partilham com as outras pessoas, que pode não ser o mais adequado.
Outras situações, como andar a "mexer" nós telemóveis dos filhos ou nos seus diários é absolutamente desaconselhado e não me parece a melhor prática. Aí é preciso guardar a curiosidade e ter esperança que o trabalho realizado nos anos anteriores surta o seu efeito. É a primeira grande prova a que a o "trabalho" dos pais feito nos anos anteriores está sujeita...

A "família" vai crescer...

Depois do blogue "Pediatria para todos" e do livro "Pediatra para todos", a "família" vai em breve aumentar com uma novidade bastante original, sempre com o objectivo de aproximar a Pediatria de toda a gente e ajudar as famílias.
Mais pormenores para breve... 😄


terça-feira, 11 de agosto de 2015

O que fazer quando uma criança se porta "pior" com um dos elementos do casal do que com o outro?

Isso é perfeitamente normal, porque os pais também não reagem de maneira igual nas situações do dia-a-dia e isso vai fazer, inevitavelmente, com que as crianças percebam essas diferenças e tentar usá-las em proveito próprio.
O mais importante é os pais não se desautorizarem um ao outro em frente aos filhos. As crianças precisam de segurança e a consistência entre os pais é fundamental. Claro que nem sempre os pais concordam com as decisões um do outro e acho que devem falar sobre isso, mas sempre sem os filhos presentes, para não perceberem a discórdia. Essa é uma regra de ouro! 
Depois, também acho que pai e mãe devem mesmo tentar ouvir o que o outro tem a dizer sobre a forma como gerem os conflitos, o que nem sempre é fácil. 
De qualquer forma, penso que o mais importante é mesmo reforçar que não é por fazer mais birras com um do que com outro que a criança gosta mais ou menos do pai ou da mãe. É fundamental não esquecer isso, o que nem sempre é fácil, particularmente no "calor" da discussão...

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O meu filho não quer dormir - o que posso fazer?

A primeira coisa a fazer é ser consistente e persistente. Quando é hora de dormir, não é hora de brincar ou fazer outras coisas, pelo que essa regra deve ser bem clara.
Por vezes temos a questão dos pais chegarem tarde a casa e só estarem um pouco à noite com os filhos e, claro, tentarem em meia hora fazer as brincadeiras todas que não tiveram tempo de fazer durante o dia. Sem dúvida que isto é um problema real e não nos podemos esquecer que os filhos precisam dos pais, pelo que devemos tentar ajustar o horário de dormir de forma a permitir que esta interacção se faça de forma saudável. De qualquer forma, é fundamental estabelecer uma rotina de sono na hora marcada, pelo que a partir daí não há espaço para grandes alterações, o que tem que ser bem claro.
Também é imprescindível que a rotina de sono seja calma e tranquila e não com saltos, cócegas, perseguições, televisão ou outras brincadeiras estimulantes. Para as crianças que se acalmam com o banho, este pode ser dado imediatamente antes de ir dormir, para se aproveitar o seu efeito relaxante. A partir do momento em que a criança vai para a cama, o mais importante passa a ser não ceder, ou seja, se é para dormir os pais não se podem levar pelo choro ou comportamento "graxista" do filho, sob pena de todo o trabalho que fizeram até então ir "por água abaixo". Logicamente a opção não é deixar chorar indefinidamente, mas sim aproveitar a presença do pai/mãe no quarto para acalmar o bebé, de forma a ele acabar por adormecer sozinho. Há alguns autores que defendem que as crianças têm que aprender a dormir sozinhas no quarto, mesmo sem os pais presentes. Apesar de terem uma alta eficácia, esses métodos são difíceis de aplicar porque implicam uma motivação muito grande por parte dos pais, o que nem sempre se consegue (devo admitir que, na minha prática, também não é exactamente isto que eu aconselho).
De qualquer das formas, é sempre importante reforçar juntando da criança que dormir não é um castigo e isso tem que ser demonstrado pelo nosso comportamento de a ir acalmando.
Outro aspecto fundamental é o erro que alguns pais fazem de castigar os seus filhos colocando-os na cama quando se portam mal. Obviamente isto vai passar a mensagem errada e a cama vai passar a ser encarada como um local para o qual a criança se vai recusar a ir, mesmo que tenha muito sono.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O meu filho anda muito triste e não sei se terá alguma depressão - o que devo fazer?

A primeira situação é procurar ajuda médica. 
De qualquer forma, é fundamental reforçar a ideia de que a tristeza é normal e não deve ser motivo de preocupação, excepto quando desproporcionada ou se surgir sem razão e nesses casos faz todo o sentido os pais procurarem ajuda com o médico assistente dos filhos. A maior parte das vezes basta ouvir o que se passa para se conseguir chegar a um diagnóstico, mas por vezes pode ser necessário fazer algum tipo de avaliação física ou então exames para excluir outras causas para o que se está a passar. Daí a importância de ir a uma consulta...
Depois de ser feito o diagnóstico, é importante perceber que o tratamento pode ter diferentes componentes, nomeadamente a utilização de medicamentos, o apoio psicológico e o suporte familiar/social. O sucesso depende fundamentalmente desta articulação entre todos os componentes, porque não há nenhum que funcione só por si ou que seja claramente melhor do que os outros.
É importante também perceber que estas situações não se tratam "de um dia para o outro" e que geralmente demoram alguns meses até resolverem completamente. Para além disso, o próprio tratamento deve ser mantido durante algum tempo após desaparecerem as queixas, precisamente para "repôr" os níveis dos neurotransmissores que estavam em falta e dar alguma reserva para o futuro.
Apesar de tudo isto, o risco de recaída é grande, podendo chegar aos 50% nos adolescentes e mesmo aos 70% nas crianças.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Com que idade é que as crianças devem entrar para a escola primária?

Esta é uma dúvida muito frequente e para a qual a resposta não é fácil de dar. De qualquer forma, vou tentar ser prático e objectivo, por muito discutível que seja a minha opinião.
Apesar de poder haver bastante gente a discordar do que eu vou dizer, todas as crianças deveriam entrar para a escola com 6 anos já feitos. Está hoje em dia provado que os 6-7 anos são a idade ideal para iniciar a idade escolar, pelo que entrar com 5 anos para o Ensino Básico não é, por regra, a melhor opção.
O problema é que nós não estamos preparados culturalmente para aceitar isso e grande parte das pessoas vê essa opção como "atrasar" a entrada para a escola, quando na verdade não se atrasa nada, só se cumpre o que é suposto. Claro que grande parte das crianças até acompanham e vão cumprindo em termos de desenvolvimento cognitivo, o que dificulta ainda mais a opção. No entanto, o problema muitas vezes não é a capacidade cognitiva, mas sim a maturidade das crianças e isso vai-se reflectir, obviamente, no seu desempenho e no esforço que têm que fazer para acompanhar as exigências.
Não estamos só a falar em relação à criança conseguir passar ou não de ano, mas pode ser também a diferença entre ser "muito bom" ou "brilhante", por exemplo.
Por fim, queria deixar apenas a ressalva de que cada caso é um caso e pode haver situações a ser definidas pontualmente para as crianças poderem entrar mais cedo. O problema é que neste momento me parece que estamos exactamente no oposto, ou seja, entram todos até prova em contrário. Esta não é, seguramente, a melhor opção, porque é nosso dever deixar as crianças ser crianças...
Esqueçam a ideia de que se perde um ano se não entrar logo para a escola, porque para além de não se perder ano nenhum, pode-se ganhar muitos anos para o futuro!