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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a idade ideal para dar um telemóvel a uma criança?

Esta é mais uma pergunta sem uma resposta completamente "científica", mas há alguns pontos importantes de realçar.
O primeiro é que nenhuma criança precisa de telemóvel e esta é uma verdade inegável...
Ter um telemóvel para falar com os amigos com quem estiveram há uns minutos atrás é, no mínimo, discutível. Ainda por cima nem é bem falar na maior parte das vezes, é mandar mensagens... A preocupação que depois se gera a ver se os amigos já responderam ou não perturba claramente a concentração, pelo que não me parece muito vantajoso.
Para além disso, a própria escrita e leitura das mensagens pode estar bastante alterada por abreviaturas pouco convencionais (apenas "convenientes"), o que condiciona também o desenvolvimento da linguagem, gramática e vocabulário.

O segundo aspecto prende-se com questões económicas. Se para algumas familias o preço do telemóvel associado ao tarifário mensal não tem grande peso no orçamento familiar, para grande parte terá e é um gasto supérfluo que se consegue evitar facilmente. Claro que depois de oferecer a primeira vez não é fácil andar "para trás", pelo que a decisão inicial deve ser bem pensada.
O terceiro tem a ver com a disponibilidade da internet que muitos telemóveis têm. Aqui quebra-se claramente a fronteiro do que é público e privado e as crianças passam a construir um "mundo" só deles, com todos os perigos que isso acarreta.
Posto isto, acho que só se deve oferecer telemóveis a adolescentes e não a crianças. Só quando um adolescente começar a ter autonomia nas suas tarefas diárias (deslocações de e para a escola, por exemplo) é que deve ter "direito" a um telemóvel. Até lá deve-se tentar ir aguentando o mais possível...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O leite de vaca é prejudicial?

Ontem estive no programa "Queridas Manhãs" da SIC e o tema foi "As crianças e o leite".
Hoje em dia há muitas teorias sobre os possíveis malefícios do leite de vaca, mas será que é mesmo um alimento perigoso? Ou, por outro lado, continua a ser importante para o crescimento infantil?
Como de costume, para quem não teve oportunidade de ver, aqui fica o link para o vídeo:



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A próxima segunda-feira é a última do mês

A próxima segunda-feira é a última segunda-feira do mês e, como habitualmente, vou estar no programa "Queridas Manhãs" da SIC.
Desta vez vamos conversar sobre "As crianças e o leite": 

  • Será este um alimento importante ou dispensável? 
  • Qual a quantidade que se deve consumir por dia? 
  • O que é a intolerância a lactose?

Para saber mais sobre este assunto e ouvir a resposta a estas e outras perguntas, não perca o programa no dia 28!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A partir de quando se pode deixar um filho sozinho em casa?

Essa é uma pergunta muito difícil de responder, porque depende fundamentalmente da criança com quem se está a lidar. De um modo geral, penso que antes da adolescência (10-11 anos) é uma situação a evitar, porque a maturidade é muito reduzida e, mesmo que a criança pareça muito responsável e bem comportada, não passa disso mesmo, uma criança.
Quando se toma a decisão de deixar os filhos sozinhos em casa, acho que há alguns conselhos importantes a ter em atenção:

- nunca abrir a porta a estranhos, nem que se identifiquem como figura de autoridade, amigos dos pais ou agentes de empresas de distribuição de água, luz ou gás
- ensinar a fazer chamadas de emergência (112), nomeadamente na informação a dar ao telefone
- desligar o gás na válvula de segurança
- ensinar a criança a desligar o quadro da luz e o abastecimento de água se necessário
- confirmar se os acessos ao exterior ficam bem fechados (janelas, por exemplo)
Estes são apenas alguns conselhos gerais, pois haverá outros que também devem ser dados, consoante a idade da criança e a casa em particular.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quais as vantagens e desvantagens do uso da internet pelas crianças/adolescentes?

Quem usa a internet, sabe que é um utensílio fabuloso.
Hoje em dia as nossas crianças e jovens têm uma quantidade praticamente infinita de informação, com um acesso em tempo real aos mais diversos conteúdos, pelo que podem preparar-se e actualizar-se muito melhor e com mais facilidade do que as gerações que os antecederam. 
Para além disso, podem contactar muito facilmente com amigos e familiares que estão longe, com voz e imagem em tempo real, o que permite aproximá-los de pessoas importantes e encurtar distâncias.
Também em termos de entretenimento, têm uma lista infindável de opções, para todos os gostos e idades, o que faz com que eles consigam encontrar sempre motivos para usarem a internet em qualquer momento.
As desvantagens são a outra face do problema e acompanham, como é logico, as vantagens que enumerei.
O conhecimento existe, está disponível, mas nem sempre é adequado ou vem de fontes seguras. Isso pode trazer alguns problemas, mas é preciso ensinar as crianças a saber filtrar a informação e escolher os melhores sites.
A questão de falar à distância pode também ser um verdadeiro problema, com todos os riscos da exposição a pessoas mal-intencionadas, muitos hábeis na escrita e que conseguem facilmente chegar aos anseios dos adolescentes.
Por fim, o problema dos jogos online, muitos deles bastante violentos e muito pouco pedagógicos, que acabam por entreter muito, mas ensinar muito pouco. Para além disso, a própria necessidade de estar sempre online e não desiludir os colegas que jogam com eles faz com que as crianças e adolescentes tenham muita dificuldade em gerir o seu tempo e abstrair-se desses universos paralelos quando assim tem que ser.
Para além destas, também a questão da dependência da internet, que cada vez mais gente vai manifestando um pouco por todo o mundo, é um problema real e que tem vindo a aumentar.

O meu filho tem alergia ao ovo - precisa de fazer as vacinas no hospital?

Esta é uma questão que vai surgindo com bastante frequência, particularmente em relação à vacina do sarampo e, precisamente por isso, existem neste momento recomendações claras no sentido de clarificar a situação.
Assim, apesar de há alguns anos atrás ser prática comum os meninos com alergia ao ovo irem fazer a vacina do sarampo ao hospital, actualmente a indicação é a de que essa prática não se justifica, podendo e devendo a vacina ser tomada no centro de saúde, sem nenhum tipo de problema. Isto é válido para as crianças alérgicas ao ovo e para aquelas que nunca provaram ovo, pelo que não há necessidade nenhuma desta vacina ter que ser tomada em meio hospitalar.
Também em relação à vacina da gripe se coloca esta questão, uma vez que na sua preparação são usados meios de cultura com ovo, mas também aqui a recomendação não é muito diferente. A vacina pode ser tomada no centro de saúde em todos os casos, excepto apenas para aqueles meninos que têm história de alergias graves ao ovo, com componente respiratório. Nesses casos, a vacina (se tiver indicação) deve ser dada no hospital, para maior vigilância e tratamento imediato, se necessário. Tirando esta excepção, é uma vacina que deve ter apenas os cuidados semelhantes às outras vacinas e nada mais.

Nota: A vacina mais "perigosa" para os meninos com alergia ao ovo é a vacina contra a febre amarela. Se houver indicação de a administrar fale previamente com o seu médico, porque provavelmente será necessário fazê-lo em meio hospitalar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O lado "negro" das proteínas

As proteínas são um nutriente extremamente importante para o crescimento e para o desenvolvimento muscular, mas como tudo, também têm um efeito nocivo se consumidas em excesso.
Essa é precisamente uma das áreas que mais tem sido investigada nos últimos tempos em pediatria, de forma a tentar perceber quais as possíveis consequências para a saúde que pode ter o facto das nossas crianças consumirem proteinas a mais (sim, quase todas as crianças consomem facilmente 2-4 vezes mais proteinas do que deviam). Sendo assim, neste momento reconhece-se que esse excesso é um factor de risco muito significativo para obesidade e problemas cardiovasculares no futuro, pelo que faz sentido reflectir um pouco sobre este aspecto da alimentação.
Tradicionalmente, a carne é o peixe sempre foram vistos como alimentos "bons" e praticamente inofensivos. Na verdade, são óptimos alimentos, mas devem ser consumidos com "conta, peso e medida", porque são das principais fontes de proteínas com que as crianças contactam. Assim, acho que é bom perceber que é incorrecta a ideia de que se pode comer carne e peixe quase sem restrição, pelo que gostaria de deixar uma nota prática. De um modo geral, a quantidade destes alimentos que cada criança deve comer em cada refeição é semelhante à palma da mão dela, sem contar com os dedos. É essa a sua necessidade e não se deve ultrapassar muito esta regra.
Para além da carne e do peixe, temos muitas outras fontes de proteínas que devem ser "regradas", particularmente o leite e produtos lácteos, que são também muito bons alimentos mas devem ser consumidos sem excessos (pode ver post sobre esse assunto aqui).
Deste modo, em jeito de conclusão, queria reforçar a ideia de que todos os alimentos são importantes, mas devem ser ingeridos com bom senso e moderação. A frase "Se não queres comer mais nada, come só o peixinho ou a carninha" que muitos de nós cresceram a ouvir deve ser ponderada, porque mesmo cumprindo estas recomendações as nossas crianças continuam a comer proteinas a mais, sem tirar nenhum benefício disso...

2 milhões de visitas!!!

Acabamos de chegar ao fantástico número de 2.000.000 de visitas!
Mais uma vez, muito obrigado a todos os leitores e leitoras deste blogue por o fazerem crescer tanto em tão pouco tempo.
Continuemos, rumo aos 2 milhões e meio... 😄


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Quando é que o excesso de mimo deixa de ser saudável e passa a ser prejudicial?

Nunca!
Todas as crianças precisam de afecto e de se sentir amadas e acarinhadas. Por isso não faz nenhum sentido restringir essas manifestações, sob o falso pretexto de que se podem "habituar mal" ou que se podem "estragar com mimos". Este conceito é ainda mais desadequado quando falamos de bebés pequenos e da opção de dar muito ou pouco colo. Mimo a mais não existe, mas mesmo que existisse isso não significa má educação em nenhuma parte do mundo. 
Para as crianças, o carinho e os mimos devem ser a regra mas, como é lógico, também é imprescindível saber dizer que "não" é impor regras no momento certo. Esse é um papel fundamental dos pais e só esse equilíbrio é que vai fazer com que as crianças cresçam de forma harmoniosa em todo o seu desenvolvimento.
É importante não esquecer que crianças felizes vão ser adultos felizes e muito mais saudáveis!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Piolhos - um problema muito frequente...

Todos os anos surgem verdadeiras "epidemias" de piolhos um pouco por todas as escolas, o que causa muitas preocupações e dores de cabeça para os pais.
Assim, é importante falar um pouco sobre este tema, de forma a ajudar as pessoas a lidar melhor com esta situação.
O primeiro ponto a esclarecer e que os piolhos não voam. Eles transmitem-se apenas pelo contacto directo da cabeça com outra cabeça ou então com algum objecto contaminado (toalha ou chapéu, por exemplo), pelo que a primeira medida a fazer para tentar prevenir um pouco estas situações é não partilhar chapéus e bonés nas escolas. Isto nem sempre é fácil, porque as crianças gostam de ir trocando uns com os outros, mas é algo que deve merecer alguma atenção por parte dos adultos.
Outro conselho importante para prevenir a propagação dos piolhos é a observação regular da cabeça dos filhos, que deve ser algo que os pais devem fazer com frequência.
Há ainda uns champôs de prevenção que podem ser utilizados, embora a sua eficácia seja um pouco variável. De qualquer forma, não me parece má opção, principalmente quando surgem os piolhos na sala das crianças e convém tentar impedir que os "bichinhos" se propaguem de uns para os outros.

Quando o problema está instalado, é preciso tratar e aqui é importante reforçar alguns conselhos:

  1. O tratamento deve ser feito exactamente segundo as instruções (depende de cada produto), o mais cedo possível
  2. Depois de aplicar o champô ou a loção é fundamental escovar o cabelo todo com um pente muito fino (específico para o efeito), sempre da raiz para a ponta dos cabelos, de forma a tentar "descolar" as lêndeas
  3. Por vezes é necessário repetir o tratamento (mais uma vez, deve-se seguir escrupulosamente as instruções dos produtos)
  4. Há várias opções de tratamento no mercado, mas um bom princípio é tentar usar preferencialmente os que não utilizam insecticidas químicos, pois há alguém que matam os piolhos por asfixia e são mais "inócuos"; no entanto, podem ser utilizados todos os que estão no mercado, desde que sejam adequados à idade da criança
  5. A opção de cortar o cabelo muito pequenino funciona bem, desde que não traga nenhum desconforto para a criança, pois se ela não gostar de ter o cabelo muito curto, em princípio também não é necessário
  6. Uma palavra ainda para os pentes eléctricos, que têm sido cada vez mais falados. A sua taxa de eficácia e variável e tenho tido feedbacks diferentes por parte dos pais quando são usados isoladamente. Uma boa opção é usá-los para complementar a aplicação de um dos produtos para eliminação de piolhos, pois acabam por se complementar e aumentar a sua eficácia.
Posto isto, se o seu filho tiver piolhos não desespere, porque é algo que tem tratamento. Por vezes não é fácil a erradicação (principalmente se a criança tiver cabelos compridos), mas tudo se resolve com alguma paciência e cumprimento correcto dos esquemas de tratamento.