Translate

Etiquetas

terça-feira, 17 de novembro de 2015

As crianças com febre devem ir à escola?

Esta é, sem dúvida, uma questão muito quente e que gera bastantes discussões, pelo que vou tentar analisá-la de uma forma prática e objectiva.
A maior parte das situações de febre em Pediatria diz respeito a infecções víricas, pouco graves e que passam com o tempo, sem necessidade de nenhum tipo de medicação. Partindo deste pressuposto, seriam poucas as situações de febre que deveriam contraindicar a ida para a Creche/Jardim/Escola por parte das crianças. Há inclusivamente um Decreto Regulamentar de 1995 que especifica quais as doenças de evicção escolar obrigatória (pode consultá-lo aqui).
No entanto, é importante também perceber que a febre é um marcador de que a infecção está activa e, mesmo que seja ligeira, pode indicar que existe risco de contágio. De qualquer forma, apesar de desconfortável, o contacto com estas doenças pode ser benéfico, pois ajuda a estimular as defesas do organismo, pelo que nem tudo é negativo.
Mesmo sendo muito comum, é um sintoma (e não uma doença!) que causa muitas vezes desconforto e mal-estar, pelo que dificulta a integração das crianças no seu meio escolar, uma vez que elas passam a ter necessidade de mais atenção e disponibilidade, que nem sempre é fácil de corresponder.
Fazendo um apanhado de todas estas condicionantes, e em jeito de conclusão, acho que as crianças com febre não devem por rotina ir à escola, sempre que haja outra alternativa. Acaba por ser bom para elas, que ficam num ambiente mais "mimado" um bocadinho (o que é agradável quando se está doente) e para as outras crianças, que acabam por ter menor probabilidade de serem contagiadas pelo microorganismos em causa.
Gostaria, contudo, de ressalvar uma situação, que acaba por ser uma realidade bastante presente. Há alguns pais que têm situações profissionais extremamente delicadas e para os quais a falta ao trabalho pode ditar a não renovação de um contrato e consequente despedimento. Apesar da lei os proteger na teoria, para esses casos é preciso ter alguma sensibilidade e não me choca que, pontualmente, crianças com febre possam ir à escola nessa condição, desde que a criança esteja bem, com bom estado geral e sem nenhum critério de gravidade ou sinal de alarme. De qualquer forma, volto a frisar que é uma situação de excepção, que não deve nunca ser encarada como regra.



4 comentários:

  1. Compreendo perfeitamente os Pais que, por força da atividade profissional, optem por deixar os filhos nas creches com febre, não tendo outra opção, que remédio mas é prejudicial às outras crianças. Se o vírus (seja ele qual for) vai-se propagar para as outras crianças, e muitas das vezes nem sequer sabem o que é ( se uma...ite, se outra coisa qualquer...). Acho que, principalmente, tem de existir bom senso por parte dos Pais para avaliar cada situação.
    Eu, pessoalmente, era incapaz de deixar o meu filho com febre no infantário, nunca! Primeiro o meu filho, depois o resto, para isso é que existe entidades que nos defendem de injustiça laboral!
    Uma criança doente, fica muito sensível e com necessidade de afeto e atenção redobrada!

    ResponderEliminar
  2. Sim, concordo plenamente. Eles precisam de mais mimo, porque estão mais debilitados. No caso da minha filha, ela tem febre desde sábado de manhã e ficou em casa, porque infelizmente ainda não sei o que ela tem, tendo febre de 6h em 6h desde ontem, sendo que amanhã se continuar, irei para o hospital com ela.
    Eu entendo os pais que não tenham ninguém com quem deixar os filhos, e existem entidades patronais que não gostam que os pais se ausentem pelos filhos, mas acima de tudo está a saúde deles em jogo. Por exemplo, acho totalmente inadmissível ver uma criança na creche com diarreia e as educadoras aceitarem que essa criança fique lá, sendo que contaminou a educadora dela, e consequentemente a minha filha. Se a minha filha tiver febre, obrigam-me a ir buscá-la, mas naquele caso foi permitido à criança ficar na creche, porque os pais não aceitaram retirá-la! Desta forma, as outras ficam doentes, e os pais mais “racionais” aceitam de os retirar e de cuidar deles em caso. No entanto, eu sei que há patrões complicados, ameaçando os empregados com despedimento, em caso de ausência!

    ResponderEliminar
  3. Deixa eu entender...
    Então a gente protege 1 pai/mãe e para isso prejudica a criança doente e prejudica ou no mínimo coloca em risco a saúde de todos os seus colegas e o emprego de todos os outros pais/maes.
    É isso?

    ResponderEliminar